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    Ana Paula Ladeira Ana Paula Ladeira 18/01/2016

    Animação brasileira ganha o mundo

    A notícia de que o filme brasileiro "O menino e o Mundo" (Alê Abreu) concorre ao Oscar de melhor longa de animação agitou o circuito cinematográfico nacional. Não é à toa. Embora a estatueta (ainda) não seja nossa, a indicação de um filme brasileiro a essa categoria consolida uma tradição que vem se construindo no país há pouco mais de um século e que ganhou novos contornos especialmente na última década.

    Apesar do talento e da criatividade de nossos animadores, raras vezes as animações brasileiras tinham a oportunidade de ganhar o destaque merecido. À sombra de animações japonesas ou norte-americanas, que sempre invadiram o mercado cinematográfico e televisivo, nosso país vivenciou ciclos irregulares de produção, o que dificultava a fortalecimento de uma indústria de animação brasileira. Claro que muitos projetos ganharam visibilidade ao longo dos anos, em especial aqueles conduzidos por Maurício de Souza. Porém, foi somente a partir dos anos 2000 que a animação brasileira sedimentou sua indústria, graças principalmente à produção de anúncios publicitários e curtas-metragens.

    Dentro desse cenário, o Brasil já vinha exportando talentos, a exemplo de Carlos Saldanha (A era do gelo, Rio), Carlos Fraiha (Guardiões da Galáxia), Lúcia Modesto (Shrek, Madagascar), Ennio Torresan Jr (Madagascar, Bee Movie) e Rosana Urbes (Lilo & Stitch, A nova onda do imperador, Mulan). Porém, um fenômeno ainda mais importante observado recentemente no setor é a construção de um ambiente mais favorável à produção interna, conquistado através das leis de incentivo, das coproduções e da criação, em 2003, da ABCA, a Associação Brasileira de Cinema e Animação. Vale lembrar que "O menino e o mundo" contou com investimentos de R$400 mil do Fundo Setorial do Audiovisual, categoria de fomento pertencente ao Fundo Nacional de Cultura.

    Segundo a Ancine, O "Menino e o Mundo" já foi exibido em mais de 90 países e recebeu mais de 40 prêmios em festivais internacionais, incluindo o de melhor longa no Festival Internacional de Cinema de Annecy, na França. Nos últimos três anos, aliás, outros dois filmes de animação brasileiros "Uma história de amor e fúria" (Luiz Bolognesi) e "Guida" (Rosana Urbes) foram premiados nesse mesmo festival, um dos mais importantes do setor. A recente indicação ao Oscar do filme de Alê Abreu legitima, portanto, o sucesso que as produções brasileiras vêm conquistando no mercado internacional. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer. Longas-metragens continuam sendo uma exceção: a maior parte das animações brasileiras são curtas-metragens, e nem sempre os filmes que percorrem os cinemas comerciais alcançam a bilheteria merecida.


    Ana Paula Ladeira é Jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense. Pesquisa assuntos relacionados especialmente à TV.

     A notícia de que o filme brasileiro “O menino e o Mundo” (Alê Abreu) concorre ao Oscar de melhor longa de animação agitou o circuito cinematográfico nacional. Não é à toa. Embora a estatueta (ainda) não seja nossa, a indicação de um filme brasileiro a essa categoria consolida uma tradição que vem se construindo no país há pouco mais de um século e que ganhou novos contornos especialmente na última década.

    Apesar do talento e da criatividade de nossos animadores, raras vezes as animações brasileiras tinham a oportunidade de ganhar o destaque merecido. À sombra de animações japonesas ou norte-americanas, que sempre invadiram o mercado cinematográfico e televisivo, nosso país vivenciou ciclos irregulares de produção, o que dificultava a fortalecimento de uma indústria de animação brasileira. Claro que muitos projetos ganharam visibilidade ao longo dos anos, em especial aqueles conduzidos por Maurício de Souza. Porém, foi somente a partir dos anos 2000 que a animação brasileira sedimentou sua indústria, graças principalmente à produção de anúncios publicitários e curtas-metragens.

    Dentro desse cenário, o Brasil já vinha exportando talentos, a exemplo de Carlos Saldanha (A era do gelo, Rio), Carlos Fraiha (Guardiões da Galáxia), Lúcia Modesto (Shrek, Madagascar), Ennio Torresan Jr (Madagascar, Bee Movie) e Rosana Urbes (Lilo & Stitch, A nova onda do imperador, Mulan). Porém, um fenômeno ainda mais importante observado recentemente no setor é a construção de um ambiente mais favorável à produção interna, conquistado através das leis de incentivo, das coproduções e da criação, em 2003, da ABCA, a Associação Brasileira de Cinema e Animação. Vale lembrar que “O menino e o mundo” contou com investimentos de R$400 mil do Fundo Setorial do Audiovisual, categoria de fomento pertencente ao Fundo Nacional de Cultura.

    Segundo a Ancine, O “Menino e o Mundo” já foi exibido em mais de 90 países e recebeu mais de 40 prêmios em festivais internacionais, incluindo o de melhor longa no Festival Internacional de Cinema de Annecy, na França. Nos últimos três anos, aliás, outros dois filmes de animação brasileiros “Uma história de amor e fúria” (Luiz Bolognesi) e “Guida” (Rosana Urbes) foram premiados nesse mesmo festival, um dos mais importantes do setor. A recente indicação ao Oscar do filme de Alê Abreu legitima, portanto, o sucesso que as produções brasileiras vêm conquistando no mercado internacional. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer. Longas-metragens continuam sendo uma exceção: a maior parte das animações brasileiras são curtas-metragens, e nem sempre os filmes que percorrem os cinemas comerciais alcançam a bilheteria merecida.



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