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    Ana Paula Ladeira Ana Paula Ladeira 3/05/2016

    TV tradicional perde para o vídeo on line entre jovens da Geração Z

    Nos últimos anos, a televisão e a mídia, de modo geral, vêm experimentando mudanças tecnológicas muito significativas, capazes de transformar os hábitos de consumo audiovisual. Para se ter uma idéia, um estudo realizado pelo Instituto Boston Consulting Group, e divulgado recentemente pela Revista Meio e Mensagem, avalia que o impacto causado pelos smartphones e tablets pode ser maior do que a chegada da TV em cores, do flat-screen ou do HDTV e que o vídeo online seria o principal propulsor destas mudanças.

    Não por coincidência, dois estudos divulgados recentemente no mercado de mídia apontaram tendências de consumo audiovisual bastante similares. E o foco, inevitavelmente, está voltado para a população mais jovem, especificamente para as gerações Y e Z. Essas duas "gerações" abrangem telespectadores nascidos entre 1980 e 1995; e aqueles nascidos após 1995, respectivamente. Compreender os hábitos dessas gerações é uma estratégia fundamental para os meios de comunicação, afinal, elas podem dar pistas sobre o comportamento do futuro telespectador.

    Para esses jovens, que nasceram em meio à profusão das novas tecnologias, a familiaridade com redes sociais e plataformas de vídeos on line pode fazer com que a televisão tradicional pareça obsoleta. A 10ª edição da Digital Democracy Survey, publicação da empresa de consultoria Deloitte, mostra quatro tendências de comportamento dos jovens telespectadores norte-americanos: 1) a preferência pela Streaming TV, ou seja, pelas plataformas que utilizam a internet para a transmissão de vídeos, como You Tube ou Netflix; 2) o hábito de assistirem a vários episódios seguidos de uma série; 3) o costume de assistirem televisão e filmes em dispositivos portáteis, como smartphones, computadores ou tablets; e 4) mais de 90% dos telespectadores admitiu realizar várias tarefas enquanto assistem televisão.

    Outra pesquisa realizada no mercado dos Estados Unidos também reafirma os impactos dos vídeos online. Segundo a consultora digital Defy Media, a audiência de vídeos online supera em mais do dobro do tempo a audiência da televisão tradicional entre os jovens da Geração Z, com idade entre 13 e 24 anos. À pesquisa, 67% dos jovens respondeu que "não poderia viver sem" o You Tube; 51% sem o Netflix ; 48% sem as Redes Sociais e apenas 36% sem a TV a cabo/via satélite. Com isso, as celebridades da internet vêm ganhando mais apelo junto aos jovens do que as celebridades do cinema e da televisão, constatou o estudo.

    Diante de tais comportamentos, qual será o futuro dos meios? É certo que as emissoras de TV e também as produtoras têm um enorme desafio pela frente, já que terão que criar novos modelos de geração de conteúdo para atender a um novo perfil de telespectadores. Além disso, as grades de programação lineares estão para lá de ultrapassadas e a necessidade de oferta de conteúdo on demand torna-se cada vez mais urgente. Por sua vez, as empresas de TV por assinatura terão que adaptar seus pacotes, tentando atrair esse público, que prefere investir na assinatura do Netflix. Por fim, os anunciantes, fundamentais para a sustentação do conteúdo em quase todos as mídias, também enfrentam seus desafios, já que mais da metade dos jovens afirmou utilizar ferramentas para bloquear publicidades. Falar para um público da geração Z implica falar num curto espaço de tempo, no contexto certo, sem atrapalhá-los na satisfação de suas necessidades de audiência.


    Ana Paula Ladeira é Jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense. Pesquisa assuntos relacionados especialmente à TV.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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