Paulo César Paulo César 5/11/2011

Jim Sheridan "lava as mãos" na direção de A Casa dos Sonhos 

É estranho associar o nome do diretor Jim Sheridan, responsável por bons filmes como Meu Pé Esquerdo (88) e Em Nome do Pai (93), e medianos como os recentes Terra de Sonhos (2003) e Entre Irmãos (2010), ao seu mais novo trabalho. Tudo por que A Casa dos Sonhos é um filme muito abaixo do cacife de seu trabalho. Porém, confusões em seu processo final de produção, salvam um pouco a honra do diretor, que brigou para tirar o nome dos créditos do filme.

O longa narra a história de Will Atenton, um executivo bem-sucedido que larga tudo para morar em uma pequena cidade para curtir a família e se dedicar à confecção de um livro. Só que a nova moradia foi palco de um brutal assassinato. Quando estranhos acontecimentos passam a atormentar Atenton e sua família, ele descobre que pode ter muito mais haver com o crime do que pensava.

Desde o início o filme nos dá mostras o que será a grande revelação. A gestação de um grande mistério, de praxe na grande maioria dos suspenses é ignorado, e sua ação salta etapas, carregando o público para os finalmente. O roteiro de David Loucka não passa de uma mescla de Ilha do Medo com Os Outros, porém confeccionado com as piores partes das obras. Além disso, os pouco mais de oitenta minutos de duração é um tempo impressionantemente curto para um exemplar do gênero.

Os personagens parecem mamulengos perdidos em cena, apesar dos bons enquadramentos utilizados pelo diretor. A fotografia satisfatória ao menos mantém um certo nível técnico no filme. Mas é só. A condução deixa valas incríveis, tanto que o filme chega em seu ápice sem sabermos algum motivo para a que personagem de Naomi Watts mereça colocar o nome nos créditos finais.

A descoberta de todo o mistério em torno de Will se dá de forma estúpida. Sem mais nem menos toda a obscuridade passa às claras, e as alucinações com um ar transcendental acaba sepultando qualquer expectativa de que o público se surpreenda e veja alguma coisa que não tenha visto. Quando alguma coisa parece querer fazer sentido, o filme termina na mesma pressa com que começou.

Os protagonistas estavam fora de sintonia, e Craig prova isso a cada vez que aparece em cena. Comparando seu desempenho com o de Leonardo DiCaprio no longa de Scorcesse, não passa de um iniciante que topa qualquer coisa. Rachel Weisz parece não ter mais se encontrado depois do seu papel em O Jardineiro Fiel (2005) premiado (injustamente) com o Oscar, e Naomi Watts não apresentou nenhuma ponta de seu conhecido talento. Parece que ninguém queria fazer esse filme.

Jim Sheridan tentou se livrar da bomba ao querer tirar o nome dos créditos do filme, mas não conseguiu. Deu uma de Pôncio Pilatos e lavou as mãos para as possíveis más críticas que receberá, culpando os produtores, que segundo ele, modificaram a edição final. Se isso vem ao caso ou não, a verdade é que, com ou sem as mãos gananciosas da produção, esse é o mais fraco de sua carreira.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg. 

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