Paulo César Paulo César 4/8/2012

Rodrigo Santoro vira papai e se destaca no "cine autoajuda" O que esperar quando você está esperando

Estão mesmo em alta no cinema atual as adaptações literárias. É só parar e ver a quantidade delas que estreiam todas as semanas em salas de todo o mundo, e depois de quadrinhos e obras consagradas, chegou a vez dos livros de autoajuda ganharem sua chance. Com O que esperar quando você está esperando, baseado no best-seller homônimo de Heidi Murkoff , Kirk Jones entrega aos grávidos de plantão um filme com uma mescla de comédia, drama e romance, mas que sofre por não saber distribuir bem os gêneros envolvidos e também a importância dos personagens.

A história gira em torno de cinco dos problemas mais comuns que envolvem a gravidez. Holly (Jennifer Lopez) e Alex (Rodrigo Santoro), que resolvem adotar uma criança; Wendy (Elizabeth Banks) descobre que seu sonho de ser mãe não é tão fácil assim; Jules (Cameron Diaz) é uma apresentadora de um programa de TV e entra em pânico com a situação ao lado do marido; Skyler (Brooklyn Decker) é muito mais nova que o marido Ramsey (Dennis Quaid) e verá nisso um problema; e Rosie (Anna Kendrick) que, na primeira transa, se descobre grávida.

O roteiro tenta trazer ao público a essência insegura e acadêmica do livro na já famosa fórmula episódica de pipoca vez ou outra nas telonas, desde Short Cuts, de Robert Altman. Cada fragmento engloba um ato das intempéries que os personagens enfrentam e que, em determinado momento, se correlaciona. O tom de comédia toma maior parte das ações do filme, sendo que nos episódios onde ela é predominante, o texto fica prejudicado pela escatologia estereotipada e repleta de clichês, como o clube onde os homens se encontram para troca de experiências.

Quando há tensões maiores envolvidas e dilemas morais são anexados aos personagens, o filme tem seus melhores momentos. As dúvidas de Alex para com a decisão da esposa, da qual ele compartilhou a ideia de adotar um filho, se alternam em tiradas de humor fino e um sofrimento frágil, porém sincero. Também é muito interessante o envolvimento e a aprendizagem que se criam entre os jovens Rosie e Marco (Chace Crawford), que veem a relação se enriquecer com a descoberta da gravidez acidental da moça.

Jones mostra que mantém certa ingenuidade e fragilidade na condução do longa, que exigia maior preocupação com a transição dos capítulos. A falta de elementos que tornassem os atos protagonizados por Diaz, Banks e Decker mais interessantes poderiam ter suprimido os excessos de bobagens manjadas que foram inseridos. Além de praticamente anular o trabalho das atrizes, reduziu seus companheiros a elenco de apoio de luxo. Talvez tenha sido uma escolha errada para um projeto tão delicado.

Depois de receber várias críticas sobre seus trabalhos no exterior, Rodrigo Santoro mostra que pode, e merece, melhores personagens em Hollywood. Ele mantém uma segurança característica em trabalhos recentes, além de uma grande versatilidade, o permite transitar entre o humor e o drama. Já a âncora feminina é Anna Kendrick. A jovem e talentosa atriz mostra que não é por acaso a indicação ao Oscar presente em seu currículo (coadjuvante em Amor sem escalas). Não dá espaços para Diaz e Lopez brilharem e rouba a cena com seu florescimento maternal ao lado do futuro pai de seu filho.

Acaba que O que esperar quando você está esperando não é um filme ruim, mas não faz jus ao livro de grande importância que se tornou. Porém, se salva como um passatempo pueril. E se quem for o assistir estiver na mesma situação de algum dos personagens, terá grande chance de fazer sucesso.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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