Paulo César Paulo César 4/3/2013

Dezesseis Luas traz romance teen e poderes sobrenaturais ao estilo Crepúsculo

Depois que Stephanie Meyer conseguiu milhões de fãs com seu romance sobrenatural teen, diversos escritores se embrenharam por este novo gênero literário. Quando suas histórias ganharam as telonas, um novo gênero cinematográfico para o público infanto-juvenil também nasceu e chegaram a sua companhia Percy Jackson e o recente Jogos Vorazes. Agora, chegou a vez de Dezesseis Luas, de Margaret Stohl e Kami Garcia, ganhar sua versão cinematográfica, com bruxarias e paixão.

Ethan Wate (Alden Ehrenrich) vive na pacata Gatlin e vem tendo estranhos sonhos com uma jovem que não conhece. Quando Lena Duchannes (Alice Englert) chega à escola onde estuda, sente uma estranha atração por ela, que logo descobre se tratar da desconhecida com quem andava sonhando. Eles se apaixonam e a jovem revela seu grande segredo: ela é uma conjuradora (uma espécie de bruxa), que possui poderes, e está prestes a completar dezesseis anos. Mas a presença de sua sombria mãe Sarafine (Emma Thompson) e uma maldição revelada por seu tio Macon (Jeremy Irons) podem levá-la ao mundo das trevas.

Nada é novo em Dezesseis Luas, que parece uma colcha de retalhos dos outros romances juvenis que superlotaram salas de cinema nos últimos anos. Um dos protagonistas é estranho, se descobre poderoso, apaixona-se por outro e revela a ele seu segredo. Mas, em comparação ao seu antecessor, a Saga Crepúsculo, traz um grau maior de obscuridade, e dá menos ênfase ao enlace romântico, tal qual acontecia com Edward e Bella. Porém, há momentos onde o roteiro é apressado, incompreensível e muita coisa que deveria ficar claro passa em branco aos olhos do público.

Ao contrário das outras obras, Dezesseis Luas apresenta um teor de humor negro bem elevado, apesar de, na maioria das vezes, não funcionar como era esperado. A trama em volta dos poderes da moça e de sua condição de conjuradora prestes a se tornar "maior de idade", correndo o risco de se tornar uma serva das trevas é interessante, com potencial para uma grande produção. Mas o que se percebe é que não há uma motivação cinematográfica por trás do filme, apenas interesses de hipermídia que poderão vir junto com um possível sucesso do longa.

Os protagonistas, interpretados por Alden Ehrenrich e Alice Englert, não carregam o glamour que desde o primeiro filme perseguiram Kristen Stewart e Robert Pattinson, apesar de demonstrarem ter mais recursos que o famoso casal, não rola a tal química que os jovens tanto falam. Seja lá o que tenha motivado as presenças de Jeremy Irons, Emma Thompson, ambos vencedores de Oscar, e Viola Davis, indicada ano passado, foi o que salvou a produção de ser totalmente desinteressante. O mínimo que fazem em cena já é absolutamente suficiente para ser o alento ao enfado que domina o público já na metade da exibição.

Perante a um resultado tão insosso, a intenção de preencher a lacuna deixada por Edward e Bella não vingará e a sequência pode nem sair do papel, ainda mais com o lançamento da segunda parte de Jogos Vorazes, prevista para o fim deste ano. Se isso acontecer, talvez seja um mártir necessário para que o cinema americano pare de insistir neste gênero fast-food, destes que são lançados na forma literária com a intenção de chegar às telonas. Sem mística, sem conteúdo, totalmente dispensável.


Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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