Victor Bitarello Victor Bitarello 9/07/2015

Por dentro de “Divertida Mente”

Em 2011, eu tive a oportunidade de atuar em uma peça chamada "A comédia do coração", de Paulo Gonçalves, cujo texto retrata o interior de uma pessoa apaixonada, apresentando uma série de emoções que surgem neste momento da vida de alguém. No papel da emoção Razão, eu tentava convencer a pessoa apaixonada de que o ideal era a segurança de uma união com alguém de posses. No entanto, as demais emoções, como a Paixão e a Alegria, acabam vencendo. Era linda a construção das emoções que iam se encaixando para dar significado ao que uma pessoa passa quando está vivendo um sentimento tão forte. Foi muito especial pra minha vida enquanto ator, e foi um trabalho que agradou bastante ao público. Muita gente entrou para nosso grupo após assistir à peça.

Recentemente, em moldes bem semelhantes, entrou em cartaz em Juiz de Fora, o filme produzido pela Pixar Animation Studios, distribuído pela Walt Disney Pictures, "Divertida mente" ("Inside out").

Um desenho animado tende a soar como filme infantil. Isto, por vezes, nos desanima de ir ao cinema, já que, aparentemente, um filme infantil é chato e desinteressante para o público adulto. Mas não é o caso. Não deste filme, pelo menos. "Divertida Mente" apresenta-se lúdico e colorido, com possibilidades fáceis de entendimento para o público infantil, então, sem dúvidas que é totalmente adequado para as crianças. Mas é um filme com uma amplitude de inteligência tal que, para o público adulto, uma vez só não é o suficiente para percebermos todas as "sacadas" geniais que são usadas para mostrar o interior daquela criança. Então este público tem tudo para gostar demais também!

Tendo como líder a Alegria, o interior de Riley, uma menina de 11 anos, é composto também pelo Medo, Nojinho, Tristeza e Raiva. A história se passa no momento da vida de Rilley, em que ela se muda de seu estado natal, Minnesota-EUA, e vai para São Francisco, abandonando muito do que amava.

A inteligência da história é fabulosa. Considerando as dificuldades de aceitação das novidades dessa nova vida, o interior dessa menina é totalmente abalado. A Alegria acaba sendo levada da "Sala de controle", carregando consigo as lembranças "base" da menina. Tentando impedi-la, a Tristeza é levada junto, e, em muitos momentos, torna triste uma série de lembranças, o que faz Riley ir se deprimindo cada vez mais. É muito interessante a construção de todos os acontecimentos pelos quais essas emoções passam, explicando o que se dá no interior de uma criança que está vivendo o que Riley está. A batalha da Alegria para sair da zona de esquecimento, e também a importância do reconhecimento da tristeza como um sentimento importante, acontecem de uma forma tão sutil, tão doce...

Outro aspecto fantástico é a forma como é mostrada a importância dos momentos nas nossas vidas. Cada lembrança sendo cuidadosamente guardada e organizada. As emoções sabiam onde ficavam as lembranças mais básicas para a menina.

No Brasil, os personagens foram dublados, na ordem que aparecem acima por: Miá Mello, Otaviano Costa, Dani Calabresa, Katiuscia Canoro e Léo Jaime. Excelente escolha! Ficaram todos ótimos.

Com relação à qualidade técnica do desenho, pouco há que se falar. É excelente, o que não surpreende, haja vista a proveniência.

Foi muito divertido. Tomara que fique mais tempo em cartaz, para que mais pessoas possam assistir!


Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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