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    Daniela Aragão Daniela Aragão 8/03/2014

    Confira a entrevista com a cantora, poeta e performer Beatriz Azevedo

    danielaDaniela Aragão: É uma satisfação enorme estar aqui com você. Costumo fazer a mesma pergunta inicial para todos os entrevistados "Como começou a música em sua vida?". Você é uma artista múltipla que transita pela poesia, música e teatro, então lanço a questão: como começou a arte em sua vida?

    Beatriz Azevedo: Vai ser muito interessante conversar com você, pois acho que temos muitas coisas em comum. Nunca me fizeram essa pergunta e vou falar e pensar nisso pela primeira vez. Minha mãe é pianista e dava aula de música em casa; ela não só dava aula de piano, montou também uma escolinha de musicalização infantil. Ela teve cinco filhos, sou a última, a caçula, a única mulher. A música começou em minha vida na barriga dela, antes de eu chegar nesse planeta! Minha mãe já estava no piano de casa, lá em São Paulo, com a música sempre presente. Tinha alunos, crianças batucando, violõezinhos, escaletas. O piano para mim é uma presença muito física, eu ia para o pré-primário e voltava e minha mãe estava sempre tocando. Para ficar perto dela, eu pequenininha, chegava e me enfiava embaixo do piano. Sabe aquele espaço embaixo do teclado do Piano, entre o chão e o teclado, onde ficam as pernas do pianista? Eu pequenininha me enfiava ali e ficava horas! Eu ficava com a madeira do piano reverberando nas minhas costas, era uma massagem, via os pés dela nos pedais e ainda o seu rosto. Mamãe engatava um aluno, depois outro. Às vezes quando eu tinha desenho, dever de casa, meu "escritório" era ali naquele útero do Piano. Este piano era de 1904, um dos primeiros pianos de armário que chegou a Ouro Preto, pois meu avô mandou trazer da Alemanha. Quando minha mãe se casou, levou o piano para São Paulo. Esse piano vive até hoje na nossa família e a minha primeira memória de música é física, dentro do meu corpo, eu dentro daquele piano, naquele útero, sentindo a reverberação nas minhas costas, no meu corpo.

    Daniela Aragão: Você é uma artista múltipla, foi pela música que você se iniciou?

    Beatriz Azevedo: Sempre fui muito rebelde, minha mãe queria que eu fosse uma das alunas. Teve uma época em que ela chegou a conclusão de que não daria certo mãe dar aula para filha e contratou uma professora para me dar aula de música. Fiz um pouquinho de aula de piano, mas resisti a estudar música, "formalmente", pois era muito rebelde mesmo. Por outro lado, sempre tive muito prazer com música, costumava fechar a porta e ficar horas tocando o piano. Ainda não tinha a coisa da palavra e eu já achava desde criança achava que fazia "música instrumental", mas não havia sequência de acordes, era totalmente livre.

    Daniela Aragão: Você sempre teve o impulso da criação não é? Você tinha a impressão de que estava construindo algo?

    Beatriz Azevedo: Meu impulso sempre foi o da criação, mesmo que fosse sem pé nem cabeça o que eu estivesse fazendo. Eu chamava de "música instrumental" muito pretensiosamente, não tenho nada gravado daquela época, que foi de uns quatro até uns quinze anos. Não punha letra, nada, era só o instrumental que me interessava, livre, música espontânea. Hoje se eu ouvisse algo deste tempo seria um susto para mim, uma coisa divertidíssima. Depois comecei a escrever, mas era uma atividade separada, escrevia meus poeminhas e tal. Só muito mais tarde é que fui juntar essas duas coisas que eram totalmente separadas, uma coisa era a poesia e a outra era a música. A primeira canção que fiz foi "Rede", que está no cd "Alegria" com arranjo de partido alto. A primeira com letra e música minhas, no sentido de canção.

    Daniela Aragão: Na sua adolescência você travou contato com grandes figuras da literatura como Hilda Hilst.

    Beatriz Azevedo: São sortes da vida. Passei minha infância até os dez anos em São Paulo, depois minha mãe se separou do meu pai e fomos mudando muito. Numa época morei no Guarujá, Santos, depois Belo Horizonte, enfim, peregrinamos por vários lugares e minha mãe mudou-se para Campinas. Foi uma sorte, pois em Campinas tem a Unicamp, a universidade à qual devo minha formação. Certo dia fui à biblioteca de Campinas, à tarde, meio distraída, adolescente tímida para pegar um livro, e tinha um debate entre poetas: Hilda Hilst e Carlos Vogt. Entrei, comecei a ouvir e pensei : que legal essa velha aí (risos). Ela falava umas coisas muito loucas. Ela lia seus poemas e eu ficava impressionada. Com treze anos eu conhecia um pouquinho as coisas da escola, uma poesia mais comportada, metrificada, Cecília Meireles e tal. Fiquei impressionada ao me deparar com uma literatura sem ponto, sem vírgula, devo ter compreendido imediatamente só uns vinte por cento, mas meu faro me apontou que aquilo ali era incrível. Todos os meus alarmes internos disseram para eu me ligar naquela senhora fantástica. Fiquei até o fim "chapadona" com a Hilda e ela deve ter me notado, pois eu era a única menina entre aquelas pessoas mais velhas numa biblioteca à tarde. Ela me deu uma certa trela, uma bola, e comecei a lhe fazer algumas perguntas. De repente, Hilda me deu o livro "Tu não te moves de ti", que contém o "Matamoros, da fantasia", que mais tarde montei para o teatro. Adorei o livro, logo depois comecei a fazer teatro na Unicamp (eram cursos livres para adolescentes, só depois fiz vestibular e entrei na faculdade). A Hilda exercia a função de "artista residente" na Unicamp. Eu tinha contato com a Hilda e ia visitá-la na "Casa do Sol"; em sua casa ela me recebia com todos aqueles cães, e ia me indicando livros para ler. Comecei depois a escrever uma coluna no jornal de Campinas "Correio Popular", lá para os quinze, dezesseis anos, eu, uma garota, escrevia sobre teatro e poesia! Dos treze até os dezessete anos tive esse contato com a Hilda, como uma espécie de "mentora". Depois entrei na faculdade no curso de Artes Cênicas. Naquela época ninguém conhecia Hilda Hilst, as tiragens dos livros eram mínimas, totalmente alternativas. Mas eu tinha certeza que ela era genial e pronto, mesmo se o mundo não concordasse, dane-se o mundo! (risos). Essa mulher me marcou profundamente.

    Daniela Aragão: Já entrando por essa via iconoclasta que é uma marca do seu trabalho.

    Beatriz Azevedo: Li os livros dela e na mesma época comecei a ler Jean Genet. Li muito cedo uma literatura de vanguarda, uma literatura mais experimental, ousada na forma e no fluxo da linguagem. Tematicamente também mais pesada, Jean Genet me impactou muito. Depois vim a conhecer o Zé Celso também, o Roberto Piva, já com uns 17 anos.

    Daniela Aragão: O primeiro disco seu que conheci "Bum bum do poeta" me chamou atenção de imediato pela capa, que me fez lembrar Marlene Dietrich em "O anjo azul". No interior do encarte, com uma diagramação muito bonita, encontrei a canção "Querelle", que traz versos de uma pulsão erótica referindo-se a obra de Jean Genet e possivelmente ao filme de Fassbinder. Percebi um hibridismo ali, uma fusão de poesia e música. O lirismo é muito forte em seu trabalho.

    Beatriz Azevedo: Sou muito apaixonada por poesia e mesmo se a vida não tivesse trazido essas oportunidades, esses encontros, acho que eu seria poeta. Se é que tenho algum dom, é para a poesia, disto eu não duvido. Todas as outras linguagens artísticas com as quais trabalho nem sempre se dão a mim com tanta "facilidade", eu preciso "ralar" mais, não "vem" tão orgânico, indubitavelmente forte para mim, como a poesia; a poesia é minha companheira, uma entidade. Nunca deixarei de fazer poesia, é o cerne do meu ser.

    Daniela Aragão: Você canta bem, tem um timbre bonito, mas percebi que a voz está a serviço da poesia, a serviço de um todo estético e construtivo.

    Beatriz Azevedo: É um olhar de poeta, também no teatro que faço, é isso que me guia. Tudo que faço está a serviço da poesia. A cena, os diálogos, a cenografia, o ritmo da direção, o que pulsa de mais forte no teatro é um olhar poético sobre a vida. Também as pessoas que respeito, meus mestres como o Zé Celso, Roberto Piva, Hilda Hilst, Jorge Mautner, Tom Zé, todos estes artistas detectaram em mim a verve poética.

    Daniela Aragão: E seu trabalho de tradução?

    Beatriz Azevedo: É natural isso, às vezes quero ler e conhecer um poeta e quando ele escreve numa outra língua quero conhecer aquela língua, para poder escutar a sonoridade original do poema. A tradução da poesia é muito interessante, mas é muito importante você ouvir a sonoridade original. A tradução de um poema é um outro poema, uma recriação. Conheci Haroldo de Campos, Augusto de Campos, José Paulo Paes, que era um grande tradutor, traduziu do grego, francês. Vários poetas eu li através deles. Perguntaram para o Paes se era tradutor do grego porque dominava o grego e ele disse; -" não, exatamente porque sei muito pouco, para ler algo em grego dá tanto trabalho que tenho que ir traduzindo para entender. Depois que já fiz esse trabalho, eu publico e dizem que sou tradutor. Exatamente por não ter fluência nas línguas é que traduzo, para poder organizar o que leio". Eu também faço isso para compreender o que leio.

    Daniela Aragão: Quais foram suas traduções?

    Beatriz Azevedo: Maiakóvski, fiz uma peça "I Love Maiakóvski e Lili Brik". Não falo russo, chamei Vadin Nikitin, que é um russo da minha geração, ele tinha uma tia que fazia a tradução literal. Depois eu comparava com a tradução para o espanhol, para o francês, fazia aquela comparação, pois não conheço Russo. O Vadin hoje é um grande tradutor, traduziu Dostoievski e tudo mais. Com tudo aquilo de material em várias línguas, eu tinha que colocar em cena, e em português. Como era teatro tinha que ser fluido, vivo, orgânico como a vida. Maiakóvski entrava em cena e queria seduzir Lili Brik. Tinha que ser fluido, uma paquera. Traduzi também Jean Genet e Bernard Marie Koltès, do Francês.

    Daniela Aragão: Quando fui escrever minha tese de doutorado trabalhei a questão da performance em Adriana Calcanhotto. O termo performance hoje está muito em voga e quando fui trabalhá-lo eu não tinha muita consciência da proliferação dessa terminologia. Você antecede isso, faz muito tempo que vi seu disco. Uma concepção performática, um pensamento mais uno, o todo do corpo com a voz, a palavra, a imagem.

    Beatriz Azevedo: Hoje em dia me chamam muito de "A multiartista", a "multimídia", vão dando nomes diferentes. Para mim isto vem de um lugar muito mais simples e orgânico do que uma pretensão pós-moderna, que é o lugar da brincadeira. Eu tenho muitas lembranças do lúdico, minha família era muito animada, brincava carnaval em Ouro Preto. Toda brincadeira envolve o corpo, o som, você está dançando, fazendo mímica, é tudo lúdico e integrado. Fui refletindo sobre isso na cultura brasileira, todas as festas populares, os folguedos, as brincadeiras, todas são performáticas. O maracatu por exemplo, tem a história do rei, da rainha, há narrativa por trás disso, uma espécie de parada cerimonial. O ritmo do maracatu tem a ver com a letra e o ritmo por si só é conduzido com isso. É tudo performático, para mim performance é isso, não é só uma coisa de Nova York hype, modernérrima e tecnológica. Performance é o maracatu, o carnaval, o jongo, são as cavalhadas de Pirenópolis, com os cavalos enfeitados e floridos. As congadas mineiras, a semana santa em Ouro Preto é performática. Hoje quando me dizem você é multiartista, você estudou multimídia? Eu rio muito...

    Daniela Aragão: É muito mais espontâneo.

    Beatriz Azevedo: Muito mais espontâneo, muito mais brincadeira. Lembro de mim quando criança, toda criança que brinca está fazendo ao mesmo tempo teatro, música e artes plásticas. A criança quando pega um pano e faz uma capa, está fazendo seu figurino. Está cantando uma cantiga, fazendo uma voz de uma personagem, está atuando, representando, está brincando com ritmo. Essa integração entre as artes que você vê e aponta em meu trabalho, mais tarde se elaborou, é claro. É o caldo cultural dos estudos, fiz faculdade de artes cênicas, depois fiz música, mestrado em literatura. Tudo que vim a estudar mais tarde contribui muito. Adoro o cinema do Fassbinder, a obra de Jean Genet, então você consegue ver essa fonte da cultura alemã e uma referência ao "Anjo azul", com Marlene Dietrich na capa de um cd meu. Isso tudo não vem de uma pretensão, uma coisa de fora para dentro, tipo "vou fazer arte metalinguística, multimídia", ou coisa assim. Não, é apenas um fluxo espontâneo, de dentro para fora, um "jeito de corpo".

    Daniela Aragão: A sua experiência com Zé Celso foi também muito rica.

    Beatriz Azevedo: Devo muito ao Zé Celso, ao Teatro Oficina, a experiência toda existencial e libertária. Ele tem um tipo de dedicação, devoção dionisíaca sagrada ao teatro. É o rito dele, a religião dele. É uma entrega absoluta, uma imersão total. Você tem que "morar" lá dentro do teatro, e você vai à tarde e fica até de madrugada ensaiando, e vai pra casa só pra comer, dormir, tomar banho e já volta para o teatro.

    Daniela Aragão: Isso se faz com todo o elenco?

    Beatriz Azevedo: Nessa época em que estive inteiramente no Oficina, tinha um núcleo menor. O Zé Celso começava com dois ou três atores mais próximos, acontecia primeiramente o estudo da peça, a adaptação do texto. Depois vão agregando outros, mas sempre tem um núcleo mínimo, nesta época era o Marcelo Drummond, o Pascoal da Conceição, o Zé Celso e eu. Fizemos o Hamlet, uma versão integral com oito horas de duração. Fiz a Ofélia, a primeira Ofélia do Oficina (depois outras atrizes me substituíram), era apaixonada pelo Hamlet e enlouquecia em cena. Mas mesmo estando ali como atriz e totalmente integrada, minha intuição já dizia que ser "apenas" atriz não era o que mais me encantava de fato. Estava muito interessada em música até pela história familiar, mas não tinha estudado música em virtude da rebeldia de adolescente. Estudei primeiro teatro, minha primeira profissão foi como atriz, diretora e dramaturga. Sempre fiz teatro com música ao vivo, quando fui para o Teatro Oficina trabalhei de certa maneira com música, pois o Zé Celso também gosta muito de música. Ele canta e toca todas as músicas em dó (risos). É o único tom que ele sabe tocar (risos). Eu já sentia um chamado interno da música, mas estava muito tomada e ocupada com o teatro, fiquei anos nessa "dúvida", tive minha própria Cia teatral, atuava, dirigia, era dramaturga, era convidada para vários trabalhos no teatro, e não tinha tempo pra me dedicar à música!

    Daniela Aragão: Você sentia necessidade de estudar música mesmo, de ler partitura, aprofundar-se nos estudos de harmonia e tal?

    Beatriz Azevedo: Sim, de ter oito, dez horas do meu dia inteiramente dedicadas à música. Eu estava muito ocupada com o teatro e fui convivendo com essa tensão interna e esse desejo pela música, percebia que a música estava dentro de mim desde a minha infância. Meu primeiro disco "Bum Bum do poeta" é um trabalho em que eu não estudava música ainda! Fiz só com a música intuitiva que já estava dentro de mim. Só fui estudar depois do "Mapa-mundi". O "Alegria" é o meu terceiro disco e o primeiro de alguém que já tinha começado a estudar música...

    Daniela Aragão: Há muitos artistas que compõem e não estudaram música propriamente, não passaram por uma escola formal de música.

    Beatriz Azevedo: Sinto necessidade de ir até à raiz das coisas. Cristóvão Bastos, que é um dos maiores pianistas deste país, tocou quase todos os pianos no meu disco "Mapa mundi", e ele perguntava o que eu queria nas músicas. Eu inventava palavras pra tentar explicar os sons... rsrs... O Bocato, que também é outro músico fantástico, também trabalhou muito comigo. Eles riam muito de mim, pois toda a minha linguagem, o meu repertório era de alguém que vinha da poesia e do teatro. Eu não tinha um repertório musical, uma linguagem estritamente musical para me expressar, eu falava coisas como toca um "som de nuvem", agora "uma harmonia de pianista bêbado tocando num navio naufragando", ou coisas assim... (risos). Eu fui estudar música para saber me comunicar minimamente com eles, na linguagem deles.

    Daniela Aragão: A gente tem o som na cabeça, mas quando não dominamos a linguagem específica musical acabamos descrevendo cenas. Um fato desse nível aconteceu comigo quando gravei a canção "Amor Amor", de Sueli Costa e Cacaso. Eu queria que o pianista Márcio Hallack construísse uma atmosfera sonora que sugerisse o movimento das ondas do mar. Fui lhe explicando por imagens, sensações, embora eu tivesse em minha cabeça exatamente o som que almejava. Nós cantoras, quando não possuímos um estudo mais aprofundado da música, tentamos descrever uma impressão, uma imagem que corresponda na verdade ao som que está em nossa mente. Daí às vezes surgem os conflitos de comunicação musical (risos).

    Beatriz Azevedo: Ao conviver com esses músicos fui sentindo que precisava aprimorar meu vocabulário para expressar meus desejos sonoros, até para executar algumas coisas de harmonia. Gosto muito de harmonia, dos caminhos dos baixos. Escuto o caminho do baixo e ele me guia, quando compus a canção "Alegria", já elaborei esse percurso dos baixos e o mestre Cristovão gostou e depois foi introduzindo sonoridades. Em último lugar veio para mim a consciência como cantora, esta é uma preocupação recente. Nunca me considerei uma "cantora", sempre me vi como uma compositora, uma artista num sentido mais amplo. É porque escrevo e tenho uma verdade sobre o cantar aquilo que escrevi, que o resultado do canto sai aos olhos dos outros. Sou uma atriz que interpreta e por isso eu canto. Na minha escala de valores cantar sempre foi uma das últimas coisas; ultimamente tenho achado o canto muito bom como desafio, expansão. Se eu puder cada vez ter mais conhecimento técnico e sensorial do meu instrumento vocal, saber conduzir as melodias, as respirações, os vibratos e todas as nuances, que é um outro campo infinito de estudos, será muito proveitoso para traduzir melhor ainda a minha poesia, a emoção daquela cena, a música, o arranjo. Tudo isso dá mais dignidade a todo o processo criativo.

    Daniela Aragão: E o seu novo disco que será lançado pela Biscoito Fino?

    Beatriz Azevedo: Fui fazer um show em Nova York no Lincoln Center, a convite do festival "Celebrate Brazil". Criei o show "AntroPOPhagia" com músicas inéditas. Foi um show só, sem maiores pretensões, com a minha banda Bárbaros Tecnizados. Mas o técnico de som nos surpreendeu ao ter gravado tudo em canais, em protools. Pela energia que era mostrada na gravação e pela recepção muito boa dos técnicos de som, do diretor americano e inclusive da equipe da gravadora Biscoito Fino, acabei resolvendo lançar esse disco ao vivo, apesar de não ter sido um "disco planejado". Sabe como é? Que nem filho... nem todo filho é planejado... A gente se apaixona e leva adiante! Agora eu acho até mais legal que não tenha sido um projeto pré-determinado, é um trabalho que decidiu existir por si só! Esse disco-filho pediu pra nascer; ele existe porque muita gente decidiu que ele viria ao mundo. Eu, no caso, sou apenas, quase, uma parteira... (risos). A gravadora Biscoito Fino lança o CD no começo de 2014.

    Daniela Aragão: É mais um trabalho que traz um forte diálogo com a literatura?

    Beatriz Azevedo: Sim, muito grande. Ele tem todo o link com a antropofagia. Em todos os meus discos coloco algum poema de Oswald Andrade, que eu musico; nesse show eu musiquei logo três poemas dele. O disco é todo amarrado pela literatura.

    Daniela Aragão: Estou doida para ouvir. Muito obrigada pela tão rica entrevista e muito sucesso pra você nessas trilhas criativas.


    Daniela Aragão é Doutora em Literatura Brasileira pela Puc-Rio e cantora. Desenvolve pesquisas sobre cantores e compositores da música popular brasileira, com artigos publicados em jornais como Suplemento Minas de Belo Horizonte e AcheiUSA. Gravou, em 2005, o CD Daniela Aragão face A Sueli Costa face A Cacaso.

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