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    Sábado, 19 de outubro de 2013, atualizada às 12h00

    Cem anos do poetinha: a grandiosidade de uma obra contemplada pelo amor

    Eduardo Maia
    Repórter
    Vinícius

    O lirismo, o desapego e o amor. As impressões da cantora e pesquisadora Daniela Aragão e do artista plástico Petrillo sobre a vida e a obra de Vinícius de Moraes apontam para a admiração de um dos grandes gênios da poesia, da dramaturgia e da Música Popular Brasileira. Neste sábado, 19 de outubro, o Brasil celebra o centenário do "poetinha", forma carinhosa atribuída por Tom Jobim.

    O poeta nasceu no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, em 1913. Era conhecido pelas suas paixões, pelo apego à vida boêmia e às mulheres. Formou-se em Direito e atuou como diplomata de carreira, sendo aposentado compulsoriamente em 1969 pela ditadura militar. Sua obra se destacou pelo lirismo e pela densidade poética, consagrando-o nas palavras do biógrafo José Castello, "o poeta da paixão".

    "O Vinícius é um poeta sofisticado, não é um poeta fácil. Ele vem daquela tradição dos grandes sonetistas. O que deu a ele a inserção popular foi a música. A temporada que ele fez com Tom, com Miúcha, era muito despojada", analisa Daniela. Na opinião da pesquisadora, a grandiosidade de sua obra não permite que ele seja considerado apenas um poetinha. "Às vezes, pode soar meio pejorativo. O Antõnio Cândido diz que Vinícius é um dos maiores poetas. Um poeta que escreveu Balada do Mangue, que é um poema lindíssimo, não pode ser um poeta pequeno", afirma.

    A proximidade da cantora com a obra de Vinícius começou na infância, quando conheceu o disco Arca de Noé, mas foi durante o mestrado em Literatura que se aprofundou em outra face do poeta. "Estudei os primeiros livros, O caminho para a distância e Forma e Exegese. Obras que pouca gente conhece, que possuem uma preocupação mais voltada para os dilemas metafísicos. Ele demonstrava uma influência religiosa da obra da poesia de Otávio de Faria. Esse Vinícius é pouco conhecido", conta.

    Mas é sobre o apego à paixão que a cantora traduz a sua admiração. "As pessoas conhecem mais o Vinícius da carnalidade, das mulheres, que é um Vinícius que veio mais adiante. É interessante o quanto a paixão movia Vinícius. O quanto o amor por essas mulheres era um elemento para a criação, o fortalecimento e a grandiosidade da sua poesia."

    Vinícius se casou nove vezes. Daniela observa como se deram as formas de recomeço em sua vida, tanto no âmbito pessoal, quanto em sua obra. "A intensidade de seu amor movia a dor de uma separação. Tem um depoimento da Tônia Carrero, no filme do Miguel Faria Júnior, que ela dizia: 'não pense que Vinícius se separava tão facilmente. Era doloroso também'. A vivência desta paixão até o abismo não era fácil para ele", observa.

    Exposição

    O artista plástico Petrilo se impressiona com o gesto de deixar cada uma de suas casas e sua força para iniciar uma nova paixão. "Ele não tinha medo de recomeçar. Estudando sobre ele, soube que a única coisa que ele carregava de casa, quando se separava, era uma escova de dentes. Isso me tocou muito, pois da forma como somos apegados à nossa casa, é difícil imaginar a coragem de deixá-la assim", avalia.

    A partir do instrumento que o poeta carregava ao deixar a sua casa, o artista pretende empregá-lo em um trabalho que pretende apresentar na exposição Eu sei que vou te amar, que promove na Hiato - ambiente de arte, em Juiz de Fora. A mostra será aberta na próxima quinta-feira, 25 de outubro, na galeria, localizada na rua Coronel Barros, 38, no bairro São Mateus. "Eu não quis fazer uma exposição retrospectiva da história dele. Eu propus que os artistas criassem uma poesia visual em cima da frase dele que eu considero uma das mais famosas: Eu sei que vou te amar", explica.

    A mostra reúne peças de 24 artistas, entre fotografias, pintura, objetos e texto, de modo a expressar as concepções individuais de cada um sobre a frase do poetinha e homenageá-lo em seu centenário. "O amor traz pontos de vista diferentes do que a gente espera ouvir. Ao mesmo tempo que o amor une, cria também a discórdia. A gente só tem ideia de uma amor cor-de-rosa, cafona, palatável. Acredito que teremos impressões muito diferentes."

    A exposição estará aberta a visitação a partir de sexta-feira, 26, até o dia 16 de novembro. O horário de visitação, de segunda a sexta, é das 9h às 12h e das 14h às 18h. Aos sábados, o espaço é aberto das 9h às 13h. Para outras informações, os telefone da galeria são (32)3216-4727 e 9103-4829.

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