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    Catadores de sonhos – casa de papelão


    Anderson de Paula Santos 7/11/2020

    Era uma casa muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada.

    Escrever sobre as minorias existenciais não é exatamente tão simples com supõe a vã filosofia. A partir da tomada de consciência sobre os caminhos a trilhar, inicio parafraseando Willian Shakespeare e sua afirmação sobre a coexistência de mais coisas entre o céu e a terra.
    A sociedade enxerga a pobreza, miséria como uma noção bem rasa e o entendimento sobre a natureza humana não nos permite assumir um olhar invertido, ou seja, pensar, viver e sentir o que outros estão vivendo neste exato momento.

    O panorama que se apresenta para as pessoas em situações de vulnerabilidade é permeado por dois lados de uma mesma moeda: de um lado, a união de uma instituição filantrópica e pessoas que desejam ajudar “retirantes nordestinos”. Do outro, a indiferença e dificuldades de alugar uma casa para abrigar 10 pessoas.
    Nossos protagonistas estão em busca de um lugar para morar e já receberam a ajuda de um grupo de pessoas que realizou uma campanha de crowdfunding – financiamento coletivo, popularmente conhecido como vaquinha e, embora tenham recebido com a oferta de um ano de aluguel concedido por um benfeitor, não conseguem encontrar uma morada. Segundo o casal, as imobiliárias e locatários da cidade não veem com bons olhos uma família com um casal, sete filhos e um bebê. Com isso, sofrem com a espera de uma oportunidade para sair de um terreno baldio e reconstruir a vida.

                                        

    O começo

    Em meados de 2008, na cidade de Camacã, interior da Bahia, Adriana e João vieram para a cidade de Juiz de Fora em busca de um recomeço. A oportunidade surgiu quando uma empreiteira mineira estava realizando uma obra pelas bandas de Ilhéus e, depois de algumas promessas de melhores salários, vieram tentar a sorte aqui, já que recebiam lá cerca de R$ 100 por mês e não tinham a menor condição de comprar mantimentos para sustentar seus filhos.

    Como verdadeiros nômades, fizeram morada em algumas regiões da zona norte e, por não serem contemplados no programa de habitação popular, não tiveram para onde ir e foram se abrigar em uma casa demolida, localizada no terreno baldio, da Prefeitura.

    O abrigo, se é que se pode chamar de casa, não possui portas, quatro cômodos bem precários, sem nenhum mínimo de conforto e segurança, ao lado de um córrego e cercadas por mato e entulho.

    Verniz social e juízo de valor

    Pela premissa de possuírem sete filhos, não conseguem um abrigo de jeito nenhum. Sobrevivem por meio da coleta e venda de materiais recicláveis, como papel, plástico, metal. Com isso, já sofreram ameaças de morte e cortes de água e luz.

    As portas foram, aos poucos, se abrindo para a Adriana e João, que conseguiram emprego em dois estabelecimentos comerciais, matricularam seus filhos em uma escola da região e, assim, mobilizaram uma instituição voltada para o social – a Associação de Apoio a Crianças e Idosos – AACI, que, juntamente com alguns empresários, doam cestas básicas e fornecem demais acompanhamentos com psicólogos, assistentes sociais e educadores pedagógicos.

    Como mencionado, a família conseguiu garantir doze meses de aluguel e uma ajuda financeira. Entretanto, ainda persiste o obstáculo do aluguel naquela região devido ao preconceito, a desconfiança e a falta de empatia de algumas empresas do setor imobiliário.

    Adriana não se considera vítima das circunstâncias. Apesar da pouca fala, tem uma noção muito humana sobre miséria. Segundo ela, riqueza é poder ter um teto, um lar onde você possa ter suas refeições em dia. Já a pobreza é o que vemos no mundo: não ter apoio de ninguém nem como sobreviver.

    Se João pudesse mudar alguma coisa, ele tentaria reconstruir a vida do zero e, ao contrário do que alguns possam imaginar, não se arrependem por ter quantidade de filhos porque veem neles um motivo pra viver.
    Quanto mais imerso na temática da vulnerabilidade social, maiores são as barreiras de entrada para pisar em solo arenoso e é aí que conto com a ajuda das Instituições de Caridades para explorar esse microcosmo que será nosso próximo destino.

    O problema não é seu, nem meu, nem deles: é nosso! Caso desperte o interesse com de ver a situação de perto, assista ao documentário, abaixo.

    Você pode ajudar a família pela campanha sharity.com.br/uma-casa-para-a-adriana e seguir o perfil @catadores.desonhos .

    Anderson de Paula Santos é pós-graduando em Comunicação Social e Marketing e sócio da agência Maooe. É aficionado por animais e pela culinária mineira. Curioso que só, tem a mente inquieta e vive em busca de novas conexões.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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