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    Centro de Referência da Cultura Negra Luta contra o preconceito, valorização da cultura e educação para transformação. Objetivos de reflexão e prática do Cerne

    Fernanda Leonel
    Repórter
    21/07/2006

    coordenador do centro, Zaca, a frente de um quadro de uma
entidade negra O Centro de Referência da Cultura Negra - Cerne surgiu para ser exatamente o que seu nome propõe: um centro de organização de idéias, que canalize as informações e a riqueza da cultura negra.

    Mais que idéias e reflexões, o Cerne trabalha com a prática; e com a crença de que ações podem mudar o panorama de discriminação presente.

    Foi exatamente pela prática que a instituição foi fundada, em 1997. Um grupo de amigos negros, já politicamente engajados com a causa da segregação racial resolveram materializar as idéias, e trabalhar pela questão racial com algo que fosse além das denúncias que eles estava acostumados a fazer.

    Mas que práticas são essas, que são alimentam a certeza da transformação? A resposta vem enfática, cheia de razão e de orgulho de quem desde o começo da instituição acredita na semente lançada. José Geraldo Azarias, mais conhecido como Zaca (foto acima), vice-presidente da Associação e um dos fundadores, diz que é na educação que o movimento encontra a certeza da mudança.

    Educação em vários focos: pela concientização, reinvidicação, transformação, auto-estima. Ações que levem e trabalhem a informação para a comunidade negra e que criem oportunidades para quem encontra algum tipo de dificuldade.

    E foi para dar fôlego a essa proposta que a primeira ação prática do movimento foi criada. Ainda no ano de sua formação, eles criaram o Pré- Vestibular para Negros e Carentes, que contavam com professores voluntários e uma sala de aula cedida para preparar alunos para o mundo acadêmico.

    mesa com palestrantes pessoa assinando abaixo assinado mesa com palestrantes

    O vice-presidente faz questão de destacar que o pré-vestibular não era restrita a negros, porque a intenção de ajudar a raça, não quer promover nunhum tipo de segregação ou formação de guetos.

    Mais que matemática, biologia e física, o cursinho contava com uma disciplina chamada "Cultura e Cidadania", que tinha peso igual as demais. De acordo com a instituição, a importância da disciplina devia-se ao fato de que a intenção do cursinho não era só "jogar" o aluno dentro da universidade e sim, prepará-lo como cidadão para ser um universitário.

    A idéia do cursinho acabou em 2004, época que a instituição resolveu priorizar outros projetos. Zaca afirma que outros cursinhos comunitários foram acriados a começaram a atender essa população. De posse dessa informação, o Cerne resolveu priorizar outras ações.

    Ações

    Seguindo a objetivo de conscientização, o Cerne promove mensalmente, um ciclo de palestras que trata de assuntos como cidadania e transformação social. Fatos do cotidiano também ganham reflexão, sob a ótica dos direitos humanos.

    Essas palestras acontecem no Sindicato dos Bancários, ou seguem rumos itinerantes. A questão do sistema de cotas, por exemplo, foi debatido em vários cursinhos da cidade.

    roda de pagode encenação de teatro roda de pagode

    A instituição também tem um grupo de teatro, que ensina dramatização e cultura negra, assunto sempre encenado nas apresentações. Na mesma linha do desenvolvimento da cultura, está a finalização de um projeto para criação de uma banda de afro-reggae. Os componentes dessa banda , além de aprenderem a tocar instrumentos de precussão, vão ter oficinas de arte para confeccionarem sua própria ferramenta de trabalho.

    Todos os anos, no dia 06 de setembro (a data não tem justificativa), o Centro também promove a Noite do Pixaim. Uma atividade lúdica, que acontece para confraternização da comunidade negra juizforana. Durante o evento, um concurso de penteados afros premia os cabelos mais originais e que melhor representem a cultura black, objetivando trabalhar a auto-estima dos presentes.

    A chamada Lista Negra também é um evento certo na agenda do Cerne. De dois em dois anos, eles homenageiam pessoas ou entidades que trabalharam contra a discriminação e que se destacaram. Numa clara brincadeira com a expressão da língua portuguesa "lista negra", muito utilizada no sentido pejorativo, a escolha do nome da cerimônia de homenagem vem para contrariar essa idéia.

    Criando oportunidades e rompendo o preconceito

    O Centro de Referência está com um projeto novo, mas que já está colhendo vários reultados. O SOS Racismo é uma ação conjunta de voluntários multidisciplinares que pretendem trabalhar a desconstrução de estereótipos que cercam moradores de bairros mais violentos de Juiz de Fora.

    "Estamos vivendo um outro tipo de preconceito. O preconceito geográfico, que faz com que as pessoas criem imegens prontas de moradores de bairros a partir do histórico que elas conhecem daquela região", comenta Zaca.

    Para reinvindicar agressões e discriminações nesse sentido, uma estrutura com advogados, psicólogos e assistentes sociais está sendo montado para dar suporte às pessoas que sofreram algum tipo de agressão preconceituosa. Cada profissional vai agir no suporte desse "excluído", com as ferramentas que sua área oferece.

    Afro na periferia é outro projeto recém criado. A idéia é levar arte e cultura para as periferias da cidade, através de oficinas e apresentações. Teatro, música, poesia. Tudo vai ser contemplado. Além disso, membros da comunidade que já desenvolvem algum tipo de manifestação artística, participam desse processo, para que sintam suas capacidades valorizadas.

    Como ajudar

    O Centro de Referência da Cultura Negra recebe doações em forma de dinheiro ou de voluntários que queiram participar dos projetos que a instituição realiza. Para ajudar ou entrar em contato com o grupo, o contato do Cerne é o: Avenida Rio Branco, 2555/sala 906. O telefone da instituição é o (32) 3233 - 3347


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