Limitação e arte sem limite Peça encenada em JF por atores que possuem síndrome de down pretende discutir a diferença e a necessidade de respeitar quem tem alguma limitação

Fernanda Leonel
Repórter
10/05/2007
No próximo sábado, dia 12 de maio, atores e atrizes mais que especiais vão dar um banho de alegria e um chega pra lá na desinformação de quem encara a síndrome de down como doença.

No palco do Teatro Solar (Avenida Independência, 2104), a partir de 21h, oito intérpretes vindos do Rio de Janeiro encenam a peça "Momentos em Família", um espetáculo educativo que tira detrás das coxias o debate e discussão da inclusão social de quem possui algum tipo de deficiência.

A trama principal é a conscientização. A peça pretende estimular as pessoas a enxergar os (não) limites de quem possui down. A arte promove a inclusão social de quem foi para os palcos ser protagonista da sua própria história e quer também ser um espaço despertador para a platéia.

Tanto é que o espetáculo termina com um debate, na qual o público pode dar opiniões sobre questões polêmicas ou abusivas que fazem parte do dia-a-dia de quem aprendeu a lidar com a diferença. Entender essa diferença, sem valorar ou classificar o outro, é uma preocupação constante e objetiva do grupo de oito jovens atores que sobem ao palco no final de semana.

A idéia da apresentação na cidade surgiu de quem é apaixonado pelo assunto. Adelino Benedito (foto acima), ator e produtor de peças juizforano ouviu falar do espetáculo por meio de uma amiga que assistiu o grupo durante uma apresentação do estado do Rio.

imagem da peça imagem da peça

Adorou a idéia e resolveu repartir com todos o seu interesse pessoal pelo assunto. Segundo ele, hoje é ator e apaixonado pelo que faz exatamente pela questão da referência. "Eu conheci o teatro, tive informações sobre ele e me transformei. Pretendo levar a discussão desse assunto para que sirva de referência para outras pessoas e possam transformá-las também", comenta.

Nessa linha de raciocínio, ele espera que as 450 pessoas que cabem no Teatro Solar possam divulgar a mensagem do "Momentos de Família" e ajudar ainda mais gente. "Espero que as pessoas quebrem seus limites com isso. Tem gente que as vezes diz que é gordo para fazer aquilo, negro para fazer aquela outra coisa, e com a peça, vai ver que nada impede uma grande vontade", analisa.

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Adelino acredita que a Síndrome de Down ainda é um assunto que merece muita discussão, mas que as pessoas estão mais sensíveis ao tema. Para muitos, ele acredita que há mais desinformação do que necessariamente preconceito na hora de lidar com a temática.

Apaixonados pela profissão
imagem da peça Competência é o que não falta para a grupo de atores que desembarca em Juiz de Fora no sábado à tarde. Todos as "oito estrelas" estão felizes com a descoberta de novos palcos e com a novidade do que os espera em uma cidade desconhecida para muitos, segundo a produtora Mariana Simões.

Fernanda Honorato (foto), confirma. Ansiosa com a apresentação em Juiz de Fora, fez questão de convidar todos para a peça que segundo ela está "maravilhosa". No palco, ela vive o papel de uma jornalista, que segundo suas declarações é a "imitação da apresentadora Fátima Bernardes".

A vida real nesse caso anda se confundindo. Honorato também é apresentadora do "Programa Especial" da TVE. Além disso, foi a primeira passista down da Portela e há três anos agarra com unhas e dentes o sonho de ser uma atriz reconhecida e famosa.

"Eu me sinto re-a-li-zada quando estou no palco", fala com empolgação. Fernanda diz que sempre sonhou em fazer teatro e que espera a vontade de também trabalhar na televisão chegue rápido. "Eu já apareci um pouco. Dei um depoimento no último capítulo da novela Páginas da Vida", comenta.

imagem da peça A paixão pela profissão também fisgou Fábio Gomes Ramos Figueiredo da Silva (foto), também integrante do grupo. Ele conta que acabou o 2º grau e estava em dúvida sobre qual carreira seguiria. Até que um dia, ele e os pais foram até a sede de uma Ong do Rio de Janeiro que trabalha com teatro, experimentou e teve a certeza que nunca mais faria outra coisa na vida.

Os pais apoiaram muito e hoje colhem os sucessos do filhão, já com 26 anos. Na peça apresentada em Juiz de Fora, Fábio vive dois papéis - é o pai e o empregado da casa na qual se passa a trama da história educativa.

"O que mais mudou na minha vida foi o fato de eu ter perdido a timidez", comenta o ator, destacando que acredita também que pode ajudar as pessoas com a escolha do seu trabalho na medida que prova que a Síndrome de Down não é uma doença.

"Todas as pessoas deveriam ir porque esse espetáculo trata do assunto sexualidade, que é importante de ser discutido dentro de casa. A família toda pode ir: pai, filho mãe. É uma peça muito educativa", convida Fábio em tom de quem é mais que fã do resultado final.

E aí? Tem programa para o sábado à noite?

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