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    Projeto prevê inclusão social dos catadores de papel de JFClasse não consegue atendimento em centros de saúde. Investimento de R$ 300 mil irá refletir em pesquisa, compra de materiais e construção de galpão

    Pablo Cordeiro
    *Colaboração
    4/3/2010

    Na manhã desta quinta-feira, 4 de março, o projeto que prevê a melhoria de vida e a inclusão social dos catadores de papel de Juiz de Fora foi apresentado ao vereador Flávio Checker (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal. O principal foco do estudo é trabalhar junto à classe questões de prevenção à saúde e acabar com a discriminação que o público sofre ao tentar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Na cidade, existem cerca de 500 catadores.

    O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) irá investir R$ 100 mil para a compra de equipamentos e para a realização de pesquisas. A verba foi aprovada em dezembro de 2009 e será liberada em março. A previsão de duração do projeto é de dois anos. O Banco do Brasil irá liberar uma verba de R$ 200 mil para a construção de um galpão no Centro. "Nosso objetivo é associar saúde à qualidade de vida. A inclusão social é importante, já que o catador de rua não é atendido nas UBSs por não possuir referência de território politicamente mapeado", declara o professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Gustavo Francis Abdalla

    A professora da Faculdade de Enfermagem da UFJF, Maria Cristina Pinto de Jesus, afirma que será abordada a vacinação, os riscos no trabalho e a prevenção através de exames para detecção de hepatite, de cânceres de mama e de próstata. "Juntamente com a pesquisa acadêmica, pretendemos trabalhar também a cidadania, que é direito de todos". Estas intervenções serão aplicadas inicialmente em 50 catadores.

    Após esta apresentação para a Câmara, o segundo passo é a capacitação do grupo envolvido, que conta com quatro pesquisadores, uma enfermeira, quatro alunos de graduação e quatro voluntários. "O trabalho é participativo e as intervenções são muito presentes. À medida que fomos conseguindo os dados junto com os catadores, iremos intervir com mais eficiência", diz Maria Cristina.

    Oficinas de capacitação

    A partir dos dados coletados neste primeiro semestre, as oficinas de capacitação para os catadores já terão início no segundo semestre deste ano. "Faremos a promoção da saúde desde a inclusão até o atendimento nas UBSs", ressalta Maria Cristina. Além dos enfermeiros e arquitetos, odontólogos, médicos e voluntários da área de Ciências Humanas e Estatística estarão envolvidos nesta fase.

    Para o coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (Intecoop), um dos parceiros do projeto, Petrônio Ribeiro de Jesus, a intenção é acompanhar desde o início e incentivar os catadores das associações a melhorarem seus ganhos. "Iremos orientar os catadores, além de acompanhar e auxiliar na montagem do projeto, fornecendo todo apoio para o desenvolvimento a nível empresarial."

    Discriminação na saúde

    Se o Sistema Único de Saúde (SUS) é um programa que prevê atendimento igualitário para todos os brasileiros, algumas pessoas se veem à margem da situação. "Nossa reclamação é quanto ao atendimento. Sofremos preconceito nas UBSs. Para sermos atendidos temos que chamar a polícia", afirma a catadora Rosilene Wenceslau dos Santos. "Sem o apoio da PM, não temos atendimento. Quando vamos sozinhos, fazemos a ficha e não somos chamados", complementa o catador Geraldo José Soares. Ele ainda fala sobre a falta de apoio do governo e sobre a exploração dos compradores de papel. "Recebemos por um quilo de papelão, por exemplo, R$ 0,25. O governo não dá estabilidade nenhuma." 

    Galpão no Centro mais próximo

    Desde junho de 2009, os catadores aguardam a construção de um galpão no Centro da cidade prometido pela Prefeitura de Juiz de Fora. Nove meses depois poucos passos foram dados. A verba de R$ 200 mil, proveniente do programa "Desenvolvimento Regional Sustentável", do Banco do Brasil (BB), já está alocada, só aguardando avaliação da empresa quanto ao projeto apresentado para liberação. "O recurso já está reservado. Só depende do projeto, que está em fase de estudo", afirma a representante do BB, Vera Lúcia Melo. O terreno para a construção do galpão está localizado na rua Benjamin Constant com a rua Anita Garibaldi.

    *Pablo Cordeiro é estudante do 10º período de Comunicação Social da UFJF

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