Albertina Maria Mattos Albertina Maria Mattos 28/04/2015

Ser-estar aluno de cursos de Educação a Distância (EAD)

eadMinha participação neste espaço se traduz num convite para uma conversa sobre Educação a Distância, temática que hoje já se constitui uma realidade no cenário educacional brasileiro e mundialmente encontra-se em processo de nítida expansão.

O surgimento e ampliação do acesso à internet nas residências é fato decisivo para uma ampliação desses novos espaços de ensino-aprendizagem, o que implica na construção de fundamentos teórico-legais de sustentação para esta nova experiência.

Embora reconhecida sua importância, as experiências de EAD na sociedade brasileira têm sido concretamente, alvo de polêmicas que sustentam um debate saudável, envolvendo questões tais como: relação ensino-aprendizagem, qualidade do conhecimento produzido, sistemas de avaliação e as implicações do tempoespaço nesses processos de educação a distância.

O acesso e permanência dos alunos nos ambientes virtuais tem sido foco de reflexões e debates, revelando o reconhecimento de seu protagonismo nessas experiências. Várias são as indagações que se expressam como preocupação para educadores e formuladores de políticas educacionais. Destaco: a natureza e qualidade dos processos de comunicação e das experiências interativas e participativas dos alunos, que marcam as relações professortutoraluno nos ambientes virtuais.

Neste cenário de protagonismo do aluno cabe a pergunta: o que é ser-estar aluno de educação à distância?
Um conjunto de expectativas são direcionadas a este aluno, que precisa colocar-se nesse novo espaço com postura de sujeito autônomo e responsável pelo seu processo de aprendizagem, com destaque para atividades relacionas a auto-estudo e auto-avaliação.

Essas novas competências e habilidades devem mediar expectativas outras como: construção auto-referenciada e crítica do conhecimento, bem como o aprimoramento da capacidade de decidir, processar, selecionar e lidar com informações criticamente.

Tais posturas, por outro lado, demandam planejamento e gerenciamento sistemáticos de atividades e colocam-se como desafios concretos em suas vivencias e experiências cotidianas.

Assim, este perfil esperado para esses alunos nesta modalidade de educação, se por um lado requer novas posturas e competências desse "novo" aprendente, por outro, coloca também novos desafios para educadores e responsáveis pelas políticas públicas de educação, no sentido de aprimorar o desenvolvimento desta nova modalidade de ensino.

Há que se (re) criar condições de possibilidades para que este aluno possa vir a ser este "novo" sujeito da aprendizagem: cooperativo, autônomo e responsável pelo seu próprio conhecimento.
Mas é preciso pensar esses indivíduos em suas vidas cotidianas, enquanto sujeitos históricos-concretos e dotados de autonomia, que não é uma dádiva, mas uma construção, que se realiza ao longo de suas histórias, nos espaços públicos e privados.

Pensando desta forma, ser um aluno de educação a distância significa aceitar o desafio de ser protagonista de um novo paradigma de Educação, que vem promovendo um processo de transformação amplo e complexo no cenário educacional, onde a tecnologia ocupa dimensão mediadora importante na construção do conhecimento.

Penso este aluno como um (re)construtor de saberes e práticas, superação de preconceitos, estimulador de concepções e práticas inovadoras neste cenário educacional. Cabe reconhecer que há um caminho ainda longo a percorrer, espaços a ocupar como participante desta comunidade de aprendizagem, que tem a modalidade de EAD como fundamento.

 


Albertina Maria Mattos
Mestre em Sociologia pela UFRJ, Especialista em Saúde Pública pela ENSP-FIOCRUZ e GRADUADA em Ciências Sociais pela UFJF.
Experiência : Socióloga - Atividades no campo da Saúde Publica : planejamento e gestão de serviços na FIOCRUZ- RJ, na Secretaria Municipal de Saúde SMS-JF, Secretaria de Estado de Saúde RJ. Coordenação de projetos de capacitação e atividades de Pesquisa, Assessoria e Consultoria, de abrangência nacional, regional e municipal. Participou de trabalhos de consultoria nas áreas de gestão em saúde em Angola – África e Lisboa-Portugal.
Docência: professora de Sociologia, Metodologia Cientifica e Pesquisa Social na nas instituições: UEMG - Universidade Estado de Minas Gerais, FOA – Fundação Oswaldo Aranha- Volta Redonda
Professora de Planejamento estratégico e gestão participativa m Cursos de Atualização na ENSP- FIOCRUZ, e no NATES _ UFJF

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