Fenomenologia e Educação: ferramentas para o desenvolvimento crítico do conhecimento

Nome do Colunista Jungley Torres 17/01/2019

O homem ao nascer encontra um mundo já dado, no qual precisa conhecer para nele inserir-se, engajar-se e ao mesmo tempo construí-lo. Não nascemos prontos, a incompletude é uma característica marcante do homem por isso é um ser aberto em possibilidades. Nesse sentido o homem não é senão o que a educação faz dele. Uma definição humana do homem incorpora elementos que o torna distinto dos demais seres: a possibilidade de ser “pessoa” e fazer uso de sua razão. No entender de Kant, somente ela transforma a animalidade em humanidade.

O mundo apresenta ao homem uma infinidade de afecções para que reaja a elas a todo instante. Mas é preciso que se aprenda a “ver fenomenologicamente”, isto é, redescobrir o mundo e as coisas em seu mais profundo significado: isso implica ir além dos significados determinados e impostos pela “humanidade”.

O mundo contemporâneo exige hoje que o homem faça permanentemente o uso da lógica, da criticidade, para que possa gozar de sua liberdade e exercer sua humanidade. As cargas de significações positivistas que dominam a educação desvirtuam os sentidos humanos no seu itinerário; obscurecem a realidade fazendo com que se reaja a ela sem conhecê-la. As determinações de seu agir são impostas sem que o homem perceba o processo de dominação no qual está envolvido. 

Nesse cenário, a educação que deveria se constituir em instrumento de libertação torna-se instrumento de dominação, facilitando, com isso, a opressão de uns sobre os outros.  A educação em seu desenvolvimento deve, pelo contrário, ser entendida simultaneamente como autonomia, racionalidade e possibilidade de ir além da mera adaptação.

Nesse sentido, a fenomenologia torna-se, nesse quadro, o recurso necessário ao processo de desenvolvimento da consciência crítica, uma vez que postula por fundamentos do conhecimento. Procura-se evidenciar a potencialidade da fenomenologia como atitude adequada à compreensão do fenômeno educativo-pedagógico, a partir do envolvimento da intencionalidade com as interrogações apropriadas ao processo de aquisição do conhecimento, das habilidades, das atitudes porque somente ela é capaz de propiciar um autêntico desenrolamento da realidade.

A fenomenologia traz uma grande contribuição à educação porque propicia uma nova forma de ver o mundo o qual pode ser considerado uma construção de impressões e significados. Através do método fenomenológico a realidade descortina-se diante do homem.

A educação que deveria se constituir em instrumento para “abertura do espírito” não tem contribuído para que o homem possa ir além das significações empíricas das coisas; pelo contrário, tem impedido de descortinar a infinitude dos sentidos dos objetos e dos dados da realidade imediata. O homem precisa ter a responsabilidade de descobrir os sentidos do mundo a fim de que possa ordená-lo de acordo com esses sentidos. Essa é a função da fenomenologia e da educação: fazer com que a infinitude dos sentidos, das essências do ser do mundo possam ser desvendadas, evidenciadas e o homem tenha uma relação mais íntima com a realidade.

Bibliografia:

ALES BELLO, Angela. Introdução à Fenomenologia. Tradução Jacinta Turolo Garcia e Miguel Mahfoud. São Paulo: Bauru. Edusc, 2006.

BARBOSA, Nathaie. Para uma Fenomenologia Prática. Cadernos da Escola da Magistratura Regional Federal da 2ª Região EMARF. Vol.3, n.2. Outubro de  2010 a março de 2011.

DARTIGUES, André. O que é fenomenologia? Tradução de Maria José J.C. de Almeida. São Paulo: Centauro, 2005.


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