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    A busca da “felicidade”: O instante do “aqui” e do “agora”


    Jungley Torres 9/03/2020

    Há quem acredita que felicidade é você ter o que você quer. Eis a problemática: isso não se aplica. Quando você quer é porque você não tem ainda. E quando você tem aí você já não quer mais. O desejo é sempre por aquilo que falta, o desejo é sempre por aquilo que nos faz falta e por isso é desejo. Somos seres insatisfazíveis, não insatisfeitos, mas insatisfazíveis, isto é, sempre queremos mias, somos seres desejantes. 

    E a busca pela “felicidade” nos dá impulso para ir atrás do que queremos, pois ela encontra na falta a sua grande motivação. E num dado dia/ e ou momento você consegue a concretização do desejo almejado e a falta é preenchida, porém descobre que existem outras faltas, outros desejos, e você sempre quer mais, sempre se projeta no desejo da falta. A conquista do desejo é sempre solo fértil para um novo desejo.

    Os brinquedos recebidos no Natal, por exemplo, são as realizações dos desejos e que se projetam para estarem a curto- médio prazo em um baú de recordações de desejos, e daí surgem novas perspectivas e novos desejos. Na própria escola a gente aprende a desejar aquilo que faz falta: no primário desejamos o ginásio, no ginásio desejamos o colegial, no colegial nos projetamos para o vestibular, depois para a faculdade, na faculdade para o estágio, no estágio para se tornar efetivo no trabalho, depois a promoção, etc. estamos sempre desejando, queremos, queremos e queremos. Encontramos na falta o nosso desejo, e na realização uma nova falta e um novo anseio.

    O instante autêntico para ser feliz é o “aqui” e o “agora”, não precisamos ficar adiando nossa felicidade de forma projetiva. Se precisar esperar sexta, às 18h, para a vida ser feliz, pela ausência do trabalho, sua vida não é uma vida feliz. A felicidade se desabrocha a cada vez que você usa o instante vivido para buscar fazer o mais perfeito, buscar a excelência. O pleno desabrochar da própria essência, a busca da própria perfeição, que não vai acontecer no final de semana, mas vai acontecer já, porque é no “agora” que a vida acontece.

    Quando vem à tona o pensamento de que a vida poderia ter durado um pouco mais, que a vida poderia se repetir, quando aquele dado momento poderia se estender ou se prorrogar, é porque a vida vale à pena, é porque a vida é boa, e felicidade deixa de ser projetiva e passa a ser vivenciada no instante do “aqui” e do “agora”.

    Viver bem é encontrar (e se encontrar) o que dá satisfação e sentido naquilo que se faz, para si e para os outros. É dentro de nossos limites e de nossa capacidade se propor a fazer da melhor forma nas condições que se tem. E isso é tarefa nossa; não haverá super-heróis, não haverá soluções milagrosas, não haverá grandes gênios a nos salvar, mas haverá a insubstituível responsabilidade de escolha de fazer bem, de fazer melhor, de buscar a excelência e o desenvolvimento no “aqui” e no “agora”, não simplesmente viver de forma projetiva, esperando as férias, esperando o décimo terceiro, esperando o carnaval chegar, e sem perceber esperando a vida acabar.

    Pensemos!

    A vida é um dom recebido, uma graça nos dada e não à toa se chama presente que possamos a cada instante no “aqui” e no “agora” viver de forma autentica.

    Jungley Torres é filósofo com formações em pedagogia e teologia. Área de interesse: desdobramento dos aspectos ontológicos, existências, hermenêuticos, da subjetividade e fenomenologia. Estudo de discursos e saberes que constituem as práticas educativas; Educação e Linguagem, com enfoque no discurso pedagógico contemporâneo.

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