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    Tempos de refletir


    Jungley Torres 1/04/2020

    Muita gente está com tempo de sobra agora para refletir o que está fazendo na sua vida, com a proliferação do coronavírus- COVID-19, e o real risco que nos é iminente, inclusive de impacto global, muitas coisas para se pensar. A solidariedade parece que está ressurgindo nos corações de muitos, parece pulsar uma semente de primavera em corações que aparentavam ser áridos. A vida corrida, onde alguns conversavam com os parentes e amigos apenas pelo celular, por conta do autoisolamento e esquecia-se de conversar com quem estava ao seu lado.  A tecnologia que possibilita a aproximação dos que estão longe, mas também permite o distanciamento dos que estão pertos.

    Muitas coisas devem ser vistas, revistas, pensadas, repensadas e colocadas em questão. Muitas coisas devem ser analisadas e delas se fazer um balanço.

    Nesses dias de avareza, de indiferença, de egoísmo everestiano, de iniquidade insensibilizante, de abusos cometidos até em nome de “Deus”, seja o “deus dinheiro”, o “deus poder”, o “deus ego”, o “deus ensoberbecido” que pela sua soberba não mede suas ações e nem as consequências do que dela pode se ter, de fanatismo assassino, ou até mesmo na descrença em Deus e no amor — nada é mais significativo do que preservarmos nossa saúde física (ficando em casa e seguindo as recomendações das autoridades em saúde), saúde interior, espiritual e desenvolvermos, cada vez mais, a capacidade de genuinamente se importar conosco, com o próximo, com a terra e com o mundo, precisamos resgatar a humanidade.

    Sim, a humanidade está na UTI, ela precisa ser resgatada, e revivida, reencarnada em nós! São conflitos existenciais — é um terrível sentimento de “desamparo”; é uma angustia de “encontro” que consome a alma; é sede de afeto; é vontade de provar a vida toda antes que o mundo acabe; é uma esmagadora carência de amor; é uma crescente síndrome de pânico; é um existir necessitado de anti-depressivo; é um crescente desafeto; é o reino do egoísmo; é o culto ao prazer pelo prazer; é o reino dos programas feitos de lugares e não de emoções de verdadeira alegria; é o império da foto digital sem significado na cena; é o cerimonial do medo; é a gala da insegurança; é o exílio da reverencia; é a tirania da ganância; é o governo dos medíocres; é a Informação como estelionato feito mídia; é a conectividade global sem intimidade dentro de casa; é a morte da família; é o enterro da pureza.

    É a morte da Terra — com todas as manifestações apocalípticas relacionadas à natureza. O Mar está zangado; os ventos enlouqueceram; os vírus e bactérias tornam-se mutantes incontroláveis; o ar vai se tornando bafo quente ou frio cortante; as florestas são canibalizadas e comidas; as cidades se estrangulam; as populações se escondem; a morte virou premio pela coragem de morrer; todos os que podem, terminam podendo tudo o que podem, sem escrúpulos; e todos os nossos confortos se tornaram o acolchoamento de nosso próprio caixão global. O espírito suicida individual está se tornando um espírito genecida coletivo; global! A pobreza econômica é somente menor do que a pobreza de espírito. Até o sonho de justiça social unanimente defendido por todos, se fossem feitas reais-concretas, tornar-se-iam num fator de morte do mundo em poucas décadas; pois, o que chamamos de bom, se executado como conforto movido a petróleo — é um sonho de morte confortável. Nosso melhor recurso é transformar a Terra numa UTI, uma Unidade de Terapia Intensiva. Precisamos resgatá-la, e juntamente a esse resgate, resgatar os valores que a faz ser uma boa terra para viver, conviver e estar junto em solidariedade e comunhão.

    Quem sabe quando acabar os tempos do coronavírus nós encarne a lição da importância da solidariedade, do desapego por coisas supérfluas e da amizade. Independentemente de pandemia, ao seu lado, sempre terá alguém precisando não apenas de apoio material, mas de uma palavra de conforto.

    Que possa surgir esperança em tempos do coronavírus e que em cada coração árido ou concreto pulse uma semente de primavera.

    Jungley Torres é filósofo com formações em pedagogia e teologia. Área de interesse: desdobramento dos aspectos ontológicos, existências, hermenêuticos, da subjetividade e fenomenologia. Estudo de discursos e saberes que constituem as práticas educativas; Educação e Linguagem, com enfoque no discurso pedagógico contemporâneo.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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