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    Mercado promissor para os cuidadores de idosos Envelhecimento da população vai gerar aumento na procura por cuidadores de idosos. Em JF, pessoas acima de 72 anos correspondem a 10% da população

    Priscila Magalhães
    Repórter
    23/09/2008

    O envelhecimento da população brasileira, que também é percebido em Juiz de Fora, é apenas um dos fatores que está provocando aumento na procura pelos cuidadores de idosos.

    Na cidade, já são 52 mil pessoas com idade acima de 72 anos, o que corresponde a 10% da população. Em todo o Brasil o número é de 17 milhões, segundo o geriatra e presidente da regional Minas Gerais da Associação Brasileira de Alzheimer, Márcio Borges.

    Além do envelhecimento da população, o médico também cita o aumento da expectativa de vida como fator determinante para impulsionar este mercado profissional. Um bebê que nasce hoje, em Juiz de Fora, deve chegar quase aos 80 anos, se for mulher, e aos 70 anos, se for do sexo masculino.

    A tendência é que a maioria desses idosos seja independentes, com autonomia completa. Entretanto, uma porcentagem vai perder a autonomia em função das chamadas doenças da longevidade, como o alzheimer, problemas cardíacos e o parkinson, e a acidentes considerados sérios, como atropelamentos e quedas seguidas de traumatismo craniano. "Essas doenças e acidentes causam mais dependências e necessidades de assistência", diz o médico.

    Ele prevê que em 15 ou 20 anos, a população idosa vá dobrar. "Em Juiz de Fora, vamos chegar a cem mil muito fácil", ressalta. E a tendência é que a profissão de cuidador acompanhe esse crescimento. "Nos próximos 15 anos este mercado vai crescer bastante", completa.

    Borges explica que há três tipos de cuidadores de idosos. No primeiro grupo estão os familiares, que deixam suas atividades de lado para cuidar dos pais ou mães. Depois, vêm os profissionais, que, geralmente, são da área de saúde. O terceiro grupo é o dos leigos, que já possuem uma certa experiência e fazem um curso de cuidador.

    Maria do Carmo de Almeida Lima é um exemplo desse último tipo de profissional citado pelo médico. Cuidadora há cinco anos, ela trabalha em um abrigo da cidade, onde vivem 122 idosos. Apesar de estar na ocupação durante esses anos, só há dois é que ela decidiu fazer o curso. A ocupação foi escolhida pelo fato de ela se sentir à vontade perto deles. "Gosto deles e de trabalhar com eles", diz ela. Maria do Carmo os auxilia na hora do banho, da alimentação, do medicamento e nos passeios.

    Imagem de alguns idosos jogando xadrez no Parque Halfeld"Eles gostam muito de conversar e a gente faz o possível para que eles não se sintam sozinhos", explica. E a atenção especial deve ser dada de forma diferente a cada um deles. "Cada idoso tem uma necessidade diferente e precisa de determinada ajuda", diz.

    A cuidadora não vê dificuldade em trabalhar com as pessoas idosas. "Eles não dão muito trabalho", comenta Maria do Carmo. No abrigo onde ela trabalha, a maioria deles leva vida normal. Eles andam e se divertem nas aulas de ginástica e com os jogos de sinuca. A atenção dada a eles também promove benefícios à própria cuidadora. Ela garante que o aprendizado vale a pena. Não tenho pressa para viver".

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    O trabalho de cuidador de idosos não é definido como profissão. Ele é considerado uma ocupação. Ela é registrada no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e suas funções são definidas pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).

    A ocupação é considerada um trabalho doméstico. Por isso, as garantias que o profissional têm são as mesmas para o trabalhador doméstico. "A diferença é que na hora de assinar a carteira de trabalho, deve-se colocar o código da ocupação, de acordo com o CBO, e a função", explica o presidente da Associação de Cuidadores de Idosos de Minas Gerais (ACI), Jorge Roberto Afonso de Souza Silva.

    Assim como o geriatra Márcio Borges, o presidente da associação também é a favor da qualificação dos cuidadores. "Os asilos já exigem profissionais qualificados e algumas famílias também", diz Silva. Para o médico, quanto mais informação, melhor para os idosos. "Defendo a formação e a informação aos cuidadores. Com isso, o trabalho fica mais fácil, principalmente em caso de doenças", diz ele, que oferece cursos pela internet.

    Segundo Silva, o MTE exige que os cuidadores tenham completado, no mínimo, a 4ª série do ensino fundamental, sejam maiores de 18 anos, saibam ler e escrever. "Também é importante que eles gostem de idosos, tenham paciência, carinho e atenção", completa.

    O curso oferece qualificação básica, com aulas práticas e teóricas acompanhadas e ministradas por profissionais de várias áreas. O oferecido pela ACI tem a duração de 60 horas/aula. Na parte teórica, os futuros cuidadores aprendem noções de fisioterapia, nutrição, terapia ocupacional, psicologia do idoso, assistência social e enfermagem.

    A parte prática acontece nos asilos, onde os alunos são acompanhados por profissionais. Eles ajudam a trocar a fralda, dar banho, alimentação e acompanham nas caminhadas. Silva diz que não existe horário de trabalho definido. Tudo depende da necessidade das famílias e dos idosos.

    O presidente da ACI diz que de janeiro a agosto deste ano a procura por cuidadores de idosos cresceu 26%, se comparado ao mesmo período do ano passado. "O mercado está exigindo mais e as famílias estão tendo acesso aos profissionais de forma mais fácil, por meio de instituições", diz ele, que já cadastrou 1.200 profissionais qualificados na associação.

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