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    Juiz-forano supera dificuldades de patrocínio para se tornar campeão brasileiro de ultramaratona  Com o título, Vanderson Luiz de Souza, o Vandim, espera conseguir ajuda financeira para participar de provas internacionais

    Victor Machado
    *Colaboração
    21/9/2011
    Premiação da prova

    Para se tornar o primeiro campeão brasileiro de Ultramaratona 24 horas, o juiz-forano Vanderson Luiz de Souza, o Vandim, passa por uma rotina difícil de treinamentos e falta de recursos em uma carreira que já dura, aproximadamente, 12 anos e iniciou devido ao incentivo de amigos do Exército, onde sargento Vanderson trabalha e treina.

    Vandim começou a vida esportiva no ano 1997, através de incentivo e da indicação de amigos para que ele participasse de prova de Pentatlhon Militar (uma modalidade exclusiva para militares). "Participei da prova, gostei muito de praticar esporte e, principalmente, corrida. Passei a correr, mas ainda sem participar de competições."

    Foi no ano de 2000 em que Vandim iniciou as participações em competições. Na época, disputava o Ranking de Corridas de Juiz de Fora. Um ano após o início, o atleta disputou sua primeira maratona. "Fiquei entre os 50 primeiros colocados e já foi um ótimo resultado, porque estava iniciando na carreira. Foi nessa prova que percebi que tinha um perfil para correr provas de longa distância."

    Sua primeira ultramaratona foi em 2006, em Florianópolis, quando ele correu 86 km. "Ali descobri o meu perfil de ultramaratonista. E passei a investir mais nessa modalidade. Em 2009, participei de mais provas." Entre elas, uma em Cubatão, na qual conseguiu percorrer 100 km. Em novembro de 2010, foi a primeira vez em que competiu em uma prova de 24 horas. "Em Campinas, consegui fazer 201 km. Em Resende, em 2011, evolui para 216 km."

    O título

    O auge de sua carreira aconteceu no último fim de semana, quando Vandim sagrou-se o primeiro campeão brasileiro de Ultramaratona 24 horas, com a chancela da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Na prova, que foi realizada no Centro de Educação Física da Marinha, no Rio de Janeiro, Vandim percorreu 221 km e superou outros 232 atletas.

    Segundo ele, a principal dificuldade da prova foi o lado psicológico. "Chega um momento em que o corpo não consegue responder de tanta dor e é aí que entra o mental do atleta, em querer vencer as dificuldades." Outro empecilho foi a variação de temperatura que chegou 36º C no sábado, 17 de setembro, e caiu para 14º C durante a madrugada.

    É para enfrentar essas dificuldades encontradas durante a competição, que o atleta passa por uma rotina desgastante de treinamentos. Cerca de três a quatro meses antes de disputar uma prova, ele intensifica os treinamentos e chega a fazer de três a 12 horas de corrida em um dia de preparação. "Faço simulações de como será a prova, de como será o circuito. É importante, porque já vou me preparando psicologicamente para as dificuldades da competição, o que, talvez, seja até mais preponderante do que o lado físico." Além das corridas, o atleta destaca que é preciso ter uma alimentação balanceada e fazer bastante fortalecimento muscular. 

    A modalidade

    A ultramaratona do último fim de semana foi realiza em um circuito misto, composto por uma pista de atletismo de 400 m e por um percurso de 1.100 m de asfalto. Vandim explica que o circuito varia a cada prova, mas, em todas elas, os atletas correm com um chip no tornozelo e passam por um tapete, que registra cada volta. O vencedor é aquele que percorre a maior distância durante as 24 horas. Qualquer prova com distância acima de 42 km recebe o nome de ultramaratona.

    A modalidade ainda é pouco conhecida e praticada no Brasil. De acordo com Vandim, existem cerca de 250 praticantes no país. No entanto, ele afirma que já houve uma evolução no cenário de competições. "Vejo que a modalidade está crescendo muito. Há dois anos, eram uma ou duas provas por ano. Agora já temos um calendário com seis provas, a partir de 2012."

    Para Vandim, um dos problemas para se praticar a ultramaratona é a falta de apoio. "Temos bons atletas corredores, mas todos têm que trabalhar para bancar o esporte. Não é somente colocar um tênis, que custa R$ 600, e sair correndo. É preciso comprar um par novo a cada três meses, pagar viagens, inscrições, alimentação, academia, treinador, fisioterapeuta."

    Futuro

    Com a vitória, Vandim espera conseguir mais recursos para poder realizar alguns sonhos na carreira. Primeiro, ele pretende participar da corrida que considera a mais difícil do Brasil, a BR-135, em janeiro de 2012. Uma corrida de 217 km, na qual somente 10 km são planos. Nessa prova, o atleta pode conseguir a vaga para uma das mais desafiadores do mundo, a Badwater, realizada no deserto da Califórnia no Estados Unidos. Segundo Vandim, lá as temperaturas podem chegar a 60º C.

    Porém, ele afirma que sem patrocínio não existe a possibilidade de competir nessas provas. "São os meus sonhos. Mas somente o custo da prova BR-135 pode chegar a R$ 5 mil e a prova internacional a R$ 20 mil. Seria praticamente impossível sem um patrocínio."

    *Victor Machado é estudante do 8º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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