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    Amor à camisa

    Alice Couto Alice Couto 27/11/2018

    18 de abril de 2010. Estava assistindo o Campeonato Carioca na casa da minha avó. Eu já amava loucamente o futebol aos 12 anos, mas vinha chateada por 3 anos de derrotas para o Flamengo. 2x1. Para o Botafogo. Mas foi pênalti. Para o Flamengo. Meu primo, com quem sempre compartilhei o amor pelo Botafogo, saiu da sala se lamentando. Não era possível. De novo não.

    Acho que o mais otimista dos botafoguenses, figura rara por aí, poderia prever que surgiria um ídolo que amaríamos com tanta intensidade naquele jogo.

    Adriano Imperador contra Jefferson. Atrás de Jefferson, a torcida do Botafogo quase convencida do empate. Mas o chute do Imperador terminou na pontinha dos dedos de Jefferson. A euforia da arquibancada chegou até a casa da minha avó. Uma eletricidade tomou conta de mim. E ainda toma toda vez que eu vejo o lance outra vez. Naquele dia, o Jefferson me ensinou uma lição sobre ser Botafogo: Os momentos de alegria virão só depois de um sofrimento considerável, mas quando vierem, não serão comparáveis a de nenhum outro time. O Jefferson ganhou todo o meu coração naquele dia.

    Lembro de assistir da janela a carreata da segunda-feira. Cheia de alívio. Aquela vitória era do Botafogo, da cavadinha do Loco Abreu, mas era muito mais daquela defesa. Dali para frente, não teve um dia que odiei o Jefferson. No auge do meu pessimismo botafoguense, eu nunca deixava que falassem nada dele. Virou o meu herói.

    As diretorias corruptas do Botafogo vendiam cada esperança que aparecia. Um jogador fazia uma partida boa e não durava um mês. Menos o Jefferson. Cada proposta altíssima era uma recusa ainda maior. O Brasil inteiro viu o ouro que tínhamos nas mãos e quis comprar. Ele ficou. O mundo inteiro fez propostas milionárias. Ele ficou. Mas o Botafogo caiu para a série B.

    Na minha cabeça, o goleiro da seleção, considerado ali um dos melhores do mundo, não ficaria num time que foi para a série B e nem pagava salário. Mas ele ficou. Ficou e declarou o amor que sentia pelo Botafogo. Ia ficar por amor.

    Jefferson, que fez milagres contra o Benzema, o Imperador, e pegou até um pênalti do Messi, joga um carioca contra o Macaé do mesmo jeito que um Brasil x Argentina. Para mim ele vai ser sempre o melhor goleiro do Brasil.

    Ser Botafogo ensina a amar nas adversidades. O Jefferson amou intensamente na eterna adversidade que é o Botafogo. Sempre retribuindo amor aos que o amavam, mesmo da arquibancada. Desde aquele 18 de outubro ele me ensina isso.

    Obrigada Jefferson por ensinar tanto. Por lutar tanto. Por ser ídolo tantas vezes. Por ficar quando precisamos de você. Estaremos sempre por você. Obrigada por dar o Botafogo todo o amor e respeito que ele merece. Mesmo quando o Botafogo não se dá o devido valor, você sempre deu. Obrigada por tanto. Te amo. .

    Alice Couto e Isabele Barbosa são estudantes de jornalismo pelo Ces-JF. Apaixonadas por esporte, mantém juntas o blog e Instagram @chuteirasmarias. As Chuteiras Marias têm o objetivo de falar de todos os esportes e somar mais mulheres a esse tema ainda tão restrito.

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