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    Grupo de skatistas reúne-se em rua do Estrela Sul todo domingoLocal tornou-se ponto de encontro de praticantes do downhill slide há três anos e está aberto a novos praticantes

    Victor Machado
    *Colaboração
    17/3/2011
    Skatistas reunidos no Estrela Sul

    Os praticantes e amantes do skate de Juiz de Fora decidiram criar um ponto de encontro na cidade. Uma rua, no bairro Estrela Sul, próxima à avenida Luz Interior, transformou-se no "pico", como é conhecido o local de encontro, de aproximadamente 30 skatistas, todos os domingos, durante a tarde.

    A explicação pela escolha do local é simples, afirma Gabriel Ferreira, chamado de Pássaro pelos amigos. Ele diz que o local é pouco movimentado e possui morros íngremes, além de ser uma rua sem saída. "A região é ideal para a comunidade do skate, que deseja se reunir e curtir." Para o skatista, Juiz de Fora é o paraíso, por suas características de relevo.

    Os encontros acontecem há três anos, quando ainda tinha uma média de dez pessoas. Hoje em dia, cerca de 30 curtem as tardes de domingo no local. Segundo Gabriel, a turma não é formada de participantes fixos. "Existe a galera que já parou de andar, os que estão começando. A cada domingo vai mudando". E o grupo está aberto a novos integrantes, basta comparecer ao local, com ou sem skate. "É só chegar lá! Qualquer pessoa está convidada. Sempre temos um skate disponível para os iniciantes. Estamos à disposição para ensinar os novatos e existe um morro mais baixo, ideal para quem ainda está aprendendo".

    Downhill slide

    A modalidade de Skate praticada pelo grupo é o downhill slide, que consiste em descer as ladeiras ou morros da cidade, realizando as manobras. O esporte assemelha-se ao snowboard, praticado nas montanhas de gelo ao redor do mundo. "É uma forma um pouco diferente do skate tradicional. Mas a intenção é curtir. Não existe campeonato, é bem recreativo", comenta Gabriel.

    Durante os encontros, apesar de não haver competições, o grupo faz espécies de desafios entre os participantes. Gabriel explica que existem algumas brincadeiras mais tradicionais, que são a formação de uma linha, para que todos desçam o morro juntos, e quando algum praticante faz uma manobra e o outro tem que tentar repetir. "São brincadeiras sadias."

    Falta de apoio e preconceito

    Na opinião de Gabriel, o esporte não recebe apoio dos órgãos públicos da cidade. "Existe uma lenda de que deveria ter uma pista de skate em todas as praças de Juiz de Fora, mas não é o que a gente vê. Posso dizer que não recebemos nenhum apoio e nenhum incentivo", afirma.

    Além disso, ele explica que a modalidade ainda sofre com o preconceito. De acordo com o skatista, o esporte ainda é muito novo no Brasil, o que o torna desconhecido. "É um esporte praticado no ambiente urbano, criado para locomoção das pessoas e visto apenas para o uso cotidiano. Portanto, a gente pratica esporte em um contexto comum a todos, mas em um ambiente que não é visto como próprio para esportes. Isso dificulta a compreensão de algumas pessoas." Gabriel acredita também que a falta de regras pode contribuir com o preconceito. "Isso faz com que as pessoas pensem que o skate é bagunça, mas não é", comenta.

    Benefícios do esporte

    Para desmistificar a fama do skate, Gabriel aponta que o esporte é uma filosofia de vida e que os principais benefícios são: a aproximação de diferentes realidades, a sensação de tranquilidade e o fato de ser barato. "O praticante consegue ver beleza e poesia em um cenário onde as pessoas veem apenas o cotidiano. Além disso, é uma forma de juntar realidades diferentes em uma mesma filosofia."

    Projeto Nécta

    Há três anos, o grupo desenvolve o Projeto Nécta, que desenvolve técnicas de skates e roupas de forma menos impactante para o meio ambiente. Segundo Gabriel, durante esse período foram pesquisadas maneiras para a criação de uma metodologia sustentável para a produção dos produtos. Dois protótipos de skates fabricados de formas artesanais, com bambu, foram criados e, este ano, o projeto visa comercializar os produtos. "É uma forma de baratear o produto para os praticantes, degradar menos o meio ambiente e socializar o esporte", explica. Segundo ele, os skates artesanais não perdem desempenho.

    Segundo Gabriel, a intenção do projeto é implantar a responsabilidade social, que na opinião dos skatista, envolve gerar um bem-estar, inclusão social e preservação do meio ambiente. "Nossa intenção não é o lucro, mas o bem-estar social", comenta.

    *Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

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