Tupi: escapar do rebaixamento é OBRIGAÇÃO!

Matheus BrumMatheus Brum 28/03/2017

Ao final deste último final de semana, o Tupi se livrou do rebaixamento para o Módulo II do Campeonato Mineiro. Nas redes sociais, festa da torcida carijó, que desde o início do torneio, ficava com o receio de que o descenso poderia acontecer.

Só que, na esteira da fuga do Módulo II, foi levantada a hipótese de que a equipe poderia se classificar para as semifinais. Matematicamente ainda há possibilidades.

Porém, deste então, tenho debatido com alguns amigos carijós: o momento é para isso tudo? Devemos esquecer o pífio começo de temporada por causa de uma remota possibilidade de classificação, que foi vendida como real antes do início do Estadual?

Respondo “não” para as duas perguntas! E, explico:

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Comemorar a escapada do descenso é dar um atestado de pequenez para o Tupi, que vai de encontro à sua história centenária e cheia de glórias. Vale lembrar que o “Fantasma do Mineirão” é a quinta maior força do Estado, em número de títulos, ficando atrás dos três grandes da capital (América, Atlético e Cruzeiro) e do Villa Nova, que já foi cinco vezes Campeão Mineiro e uma vez vencedor do Brasileirão da Série B. A última vez que o alvinegro chegou às semifinais do Campeonato Mineiro, foi em 2012, onde caiu para o Atlético-MG no mata-a-mata, em duas partidas duríssimas. Na sequência, os juiz-foranos foram 5º em 2013; 5º em 2014; 9º em 2015, e 9º em 2016. Atualmente, ocupa a 8ª colocação.

Nas temporadas 2015 e 2016, os resultados no Estadual foram ruins. Junta-se a isso, o péssimo planejamento. Nestas ocasiões, os treinadores Felipe Surian e Júnior Lopes, respectivamente, foram demitidos nas primeiras rodadas. A missão de salvar o time da degola coube a Leston Júnior e Ricardo Drubscky, respetivamente. Os dois tiveram êxito, mas, ambos no sufoco.

A sequência de dois estaduais ruins, custou a queda de Cloves Santos, que, desde 2008, estava à frente do futebol do clube. É inegável que ao seu comando, o Tupi viveu dias de glória. Boas campanhas no Mineiro, participações em Copas do Brasil, título do Campeonato Brasileiro da Série D em 2011, dois acessos à Série C, e um à Série B. Porém, como todos os modelos de gestão do mundo, eles se desgastam. Os motivos, felizmente, todos sabem.

O problema é que estes “anos dourados”, deixaram marcas em Santa Terezinha, como a péssima estrutura do CT, que, a trancos e barrancos vem melhorando, depois de muitas reclamações da imprensa e dos próprios atletas. Fora isso, uma relação cordial com o torcedor e os jornalistas nunca esteve em pauta na “Era Cloves”, assim como transparência, planejamento e ações de marketing. Apesar dos bons resultados em campo, nos bastidores, tudo era nebuloso.

O torcedor com sua paixão, não ligou para estes problemas, que agora assombram o clube como nunca antes. Primeiro é necessário ter em mente que gestão de futebol não é apenas o que praticado dentro das quatro linhas, e sim todo um conjunto de estratégias, que vai desde a contratação dos jogadores, à logística de treinos e viagens.

Atualmente, o Tupi está refém de um empresário, que coloca seus atletas no clube; não se sabe quanto a instituição deve de dívidas trabalhistas e da premiação do acesso à Série B em 2015, sendo a presidenta Myriam Fortuna cobrada publicamente por ex-jogadores; não fazemos a menor ideia de quanta grana é necessária para gerir o departamento de futebol e seus funcionários; valores de patrocínios? Isto é lenda para quem acompanha o dia-a-dia do carijó.

Fora todas estas questões nebulosas, todo ano nos satisfazemos com o discurso de “somos a menor folha salarial”, “o empresariado de Juiz de Fora não ajuda”, etc. Agora, pergunto a você, torcedor Carijó. Se fosse empresário e algum representante do Tupi te ligasse, oferecendo um espaço publicitário, você aceitaria? Sabendo de todos os problemas internos?

Apesar de alguns me taxarem de ser contra o Tupi, deixo claro que estou pensando em como fazer o clube melhorar. Afinal, como disse em diversas oportunidades, sem a instituição, não haverá jornalismo esportivo na cidade, e Juiz de Fora perderia sua principal marca.

Contudo, me deixa atordoado o estado paralítico que se encontram os torcedores carijós. No ano passado tivemos uma eleição nefasta na história do alvinegro. Por pouco, não tivemos um interventor do Ministério Público no comando do “Fantasma do Mineirão”, enquanto não se resolviam os problemas judiciais. Cada chapa acusando a outra, em atitudes que fugiam da ética; torcedores brigando; falta de respeito nos grupos do Tupi nas redes sociais; Um constrangimento assombroso.

Há duas semanas nós, profissionais da imprensa, fomos convocados para uma coletiva de “apoio” ao time, que tinha uma partida decisiva contra o Democrata-GV. Apenas durante o encontro é que nos foi relatado que nenhuma instância do clube iria se posicionar sobre dívidas trabalhistas e atraso nas premiações. Pior, nos pediram apoio, mas liberaram apenas 1.000 ingressos para o confronto. Ou seja, a própria diretoria não acreditou naquilo que estava nos pedindo ajuda.

Divulgar as dívidas do clube é obrigação! É necessário que os jornalistas, os apaixonados e o mercado saiba como andam as finanças da instituição. É necessário transparência! Ao contrário do que foi dito nesta fatídica e vergonhosa coletiva, não é difícil divulgar os gastos do clube. Com força de vontade é possível mostrar que estamos lidando com um clube que preza pelo torcedor. Ao admitir que fica difícil divulgar os dados financeiros, abre-se brecha para pensar que nem mesmo a própria diretoria tem controle ou consciência de tudo que passa pelos cofres.

Não quero saber qual o jogador que ganha mais, o salário do roupeiro, ou quanto o patrocinador master paga. Quero números gerais, que nos mostrem como funciona a atual estrutura financeira, o quanto é gasto para pagamentos de dívidas, e de que forma o clube vai se planejar para cumprir as novas regras financeiras definidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

É preciso mais uma vez bater na tecla do Marketing, que continua defasado. As ações de ida às escolas são boas, mas ainda é pouco. É preciso massificar ainda mais estas atitudes. Trazer o público mirim ao estádio. Falta desenvolvimento nas plataformas digitais, que ainda continuam a desejar, principalmente o site do clube. A TV Carijó tem sido a única ação que de fato, nos coloca no mesmo patamar dos grandes clubes brasileiros. A Série B era a grande oportunidade de expandir a marca Tupi para todos os cantos do Brasil. Infelizmente, se perdeu uma excepcional chance.

Para piorar, o clube vive uma briga polícia. Pelas informações, o Conselho e a Diretoria não falam a mesma língua. Isto é reflexo do processo eleitoral. O atual presidente do Conselho Deliberativo, Juninho, ofereceu apoio primeiro a chapa formada por João Batista Delvaux e Eurico Moura. Com a recusa, migrou para o lado de Myriam e Boizinho. Segundo correntes internas, esta união foi fundamental para a vitória da atual presidenta. O problema é que esta parceria parece que está ruindo.

A temporada de 2017 começou mal. Não sabemos o quanto poderá ser gasto para a aquisição de jogadores para a Série C; Não sabemos quanto de dívidas o clube tem; Não sabemos como o clube vai fazer para quitar as dívidas e não sofrer retaliações da CBF; Não sabemos se o planejamento do elenco irá ficar nas mãos do atual empresário que “manda” no clube; Tudo é nebuloso e sem respostas, da mesma forma que se posicionaram na patética coletiva de duas semanas atrás.

Por conta de tudo isto que citei e por acreditar na história centenária é que digo que a permanência no Módulo I é obrigação para o clube. Desde 2007, o Carijó está na elite do futebol estadual, de forma ininterrupta. Número de participações idênticas a Cruzeiro, Atlético-MG e Villa Nova.

E que é necessário pensar em formas de colocar alvinegro em condições de buscar à classificação, e não o descenso. Tupi brigar para não cair no Mineiro é o mesmo que times grandes do futebol brasileiro lutando contra o rebaixamento na Série A: patético.

Por fim, não peço para o torcedor não sonhar com uma possível ida às semifinais. Afinal, esta é a graça do futebol. Meu pedido é para que não esqueçamos os problemas internos que vivemos, e muito menos as cobranças que precisam ser feitas. Se voltarmos a ficar anestesiados com os resultados praticados dentro de campo, retornaremos a “Era Cloves Santos”. Um período em que todos os problemas eram colocados para debaixo do tapete, em que jornalistas eram maltratados por criticarem (inclusive com o dirigente ligando para editores-chefes pedindo a cabeça dos críticos), e que o torcedor não tinha vez. O preço desta “época de ouro”, nós estamos pagando agora.

Tupi: escapar do rebaixamento é OBRIGAÇÃO!

Matheus BrumMatheus Brum 28/03/2017

Ao final deste último final de semana, o Tupi se livrou do rebaixamento para o Módulo II do Campeonato Mineiro. Nas redes sociais, festa da torcida carijó, que desde o início do torneio, ficava com o receio de que o descenso poderia acontecer.

Só que, na esteira da fuga do Módulo II, foi levantada a hipótese de que a equipe poderia se classificar para as semifinais. Matematicamente ainda há possibilidades.

Porém, deste então, tenho debatido com alguns amigos carijós: o momento é para isso tudo? Devemos esquecer o pífio começo de temporada por causa de uma remota possibilidade de classificação, que foi vendida como real antes do início do Estadual?

Respondo “não” para as duas perguntas! E, explico:

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Comemorar a escapada do descenso é dar um atestado de pequenez para o Tupi, que vai de encontro à sua história centenária e cheia de glórias. Vale lembrar que o “Fantasma do Mineirão” é a quinta maior força do Estado, em número de títulos, ficando atrás dos três grandes da capital (América, Atlético e Cruzeiro) e do Villa Nova, que já foi cinco vezes Campeão Mineiro e uma vez vencedor do Brasileirão da Série B. A última vez que o alvinegro chegou às semifinais do Campeonato Mineiro, foi em 2012, onde caiu para o Atlético-MG no mata-a-mata, em duas partidas duríssimas. Na sequência, os juiz-foranos foram 5º em 2013; 5º em 2014; 9º em 2015, e 9º em 2016. Atualmente, ocupa a 8ª colocação.

Nas temporadas 2015 e 2016, os resultados no Estadual foram ruins. Junta-se a isso, o péssimo planejamento. Nestas ocasiões, os treinadores Felipe Surian e Júnior Lopes, respectivamente, foram demitidos nas primeiras rodadas. A missão de salvar o time da degola coube a Leston Júnior e Ricardo Drubscky, respetivamente. Os dois tiveram êxito, mas, ambos no sufoco.

A sequência de dois estaduais ruins, custou a queda de Cloves Santos, que, desde 2008, estava à frente do futebol do clube. É inegável que ao seu comando, o Tupi viveu dias de glória. Boas campanhas no Mineiro, participações em Copas do Brasil, título do Campeonato Brasileiro da Série D em 2011, dois acessos à Série C, e um à Série B. Porém, como todos os modelos de gestão do mundo, eles se desgastam. Os motivos, felizmente, todos sabem.

O problema é que estes “anos dourados”, deixaram marcas em Santa Terezinha, como a péssima estrutura do CT, que, a trancos e barrancos vem melhorando, depois de muitas reclamações da imprensa e dos próprios atletas. Fora isso, uma relação cordial com o torcedor e os jornalistas nunca esteve em pauta na “Era Cloves”, assim como transparência, planejamento e ações de marketing. Apesar dos bons resultados em campo, nos bastidores, tudo era nebuloso.

O torcedor com sua paixão, não ligou para estes problemas, que agora assombram o clube como nunca antes. Primeiro é necessário ter em mente que gestão de futebol não é apenas o que praticado dentro das quatro linhas, e sim todo um conjunto de estratégias, que vai desde a contratação dos jogadores, à logística de treinos e viagens.

Atualmente, o Tupi está refém de um empresário, que coloca seus atletas no clube; não se sabe quanto a instituição deve de dívidas trabalhistas e da premiação do acesso à Série B em 2015, sendo a presidenta Myriam Fortuna cobrada publicamente por ex-jogadores; não fazemos a menor ideia de quanta grana é necessária para gerir o departamento de futebol e seus funcionários; valores de patrocínios? Isto é lenda para quem acompanha o dia-a-dia do carijó.

Fora todas estas questões nebulosas, todo ano nos satisfazemos com o discurso de “somos a menor folha salarial”, “o empresariado de Juiz de Fora não ajuda”, etc. Agora, pergunto a você, torcedor Carijó. Se fosse empresário e algum representante do Tupi te ligasse, oferecendo um espaço publicitário, você aceitaria? Sabendo de todos os problemas internos?

Apesar de alguns me taxarem de ser contra o Tupi, deixo claro que estou pensando em como fazer o clube melhorar. Afinal, como disse em diversas oportunidades, sem a instituição, não haverá jornalismo esportivo na cidade, e Juiz de Fora perderia sua principal marca.

Contudo, me deixa atordoado o estado paralítico que se encontram os torcedores carijós. No ano passado tivemos uma eleição nefasta na história do alvinegro. Por pouco, não tivemos um interventor do Ministério Público no comando do “Fantasma do Mineirão”, enquanto não se resolviam os problemas judiciais. Cada chapa acusando a outra, em atitudes que fugiam da ética; torcedores brigando; falta de respeito nos grupos do Tupi nas redes sociais; Um constrangimento assombroso.

Há duas semanas nós, profissionais da imprensa, fomos convocados para uma coletiva de “apoio” ao time, que tinha uma partida decisiva contra o Democrata-GV. Apenas durante o encontro é que nos foi relatado que nenhuma instância do clube iria se posicionar sobre dívidas trabalhistas e atraso nas premiações. Pior, nos pediram apoio, mas liberaram apenas 1.000 ingressos para o confronto. Ou seja, a própria diretoria não acreditou naquilo que estava nos pedindo ajuda.

Divulgar as dívidas do clube é obrigação! É necessário que os jornalistas, os apaixonados e o mercado saiba como andam as finanças da instituição. É necessário transparência! Ao contrário do que foi dito nesta fatídica e vergonhosa coletiva, não é difícil divulgar os gastos do clube. Com força de vontade é possível mostrar que estamos lidando com um clube que preza pelo torcedor. Ao admitir que fica difícil divulgar os dados financeiros, abre-se brecha para pensar que nem mesmo a própria diretoria tem controle ou consciência de tudo que passa pelos cofres.

Não quero saber qual o jogador que ganha mais, o salário do roupeiro, ou quanto o patrocinador master paga. Quero números gerais, que nos mostrem como funciona a atual estrutura financeira, o quanto é gasto para pagamentos de dívidas, e de que forma o clube vai se planejar para cumprir as novas regras financeiras definidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

É preciso mais uma vez bater na tecla do Marketing, que continua defasado. As ações de ida às escolas são boas, mas ainda é pouco. É preciso massificar ainda mais estas atitudes. Trazer o público mirim ao estádio. Falta desenvolvimento nas plataformas digitais, que ainda continuam a desejar, principalmente o site do clube. A TV Carijó tem sido a única ação que de fato, nos coloca no mesmo patamar dos grandes clubes brasileiros. A Série B era a grande oportunidade de expandir a marca Tupi para todos os cantos do Brasil. Infelizmente, se perdeu uma excepcional chance.

Para piorar, o clube vive uma briga polícia. Pelas informações, o Conselho e a Diretoria não falam a mesma língua. Isto é reflexo do processo eleitoral. O atual presidente do Conselho Deliberativo, Juninho, ofereceu apoio primeiro a chapa formada por João Batista Delvaux e Eurico Moura. Com a recusa, migrou para o lado de Myriam e Boizinho. Segundo correntes internas, esta união foi fundamental para a vitória da atual presidenta. O problema é que esta parceria parece que está ruindo.

A temporada de 2017 começou mal. Não sabemos o quanto poderá ser gasto para a aquisição de jogadores para a Série C; Não sabemos quanto de dívidas o clube tem; Não sabemos como o clube vai fazer para quitar as dívidas e não sofrer retaliações da CBF; Não sabemos se o planejamento do elenco irá ficar nas mãos do atual empresário que “manda” no clube; Tudo é nebuloso e sem respostas, da mesma forma que se posicionaram na patética coletiva de duas semanas atrás.

Por conta de tudo isto que citei e por acreditar na história centenária é que digo que a permanência no Módulo I é obrigação para o clube. Desde 2007, o Carijó está na elite do futebol estadual, de forma ininterrupta. Número de participações idênticas a Cruzeiro, Atlético-MG e Villa Nova.

E que é necessário pensar em formas de colocar alvinegro em condições de buscar à classificação, e não o descenso. Tupi brigar para não cair no Mineiro é o mesmo que times grandes do futebol brasileiro lutando contra o rebaixamento na Série A: patético.

Por fim, não peço para o torcedor não sonhar com uma possível ida às semifinais. Afinal, esta é a graça do futebol. Meu pedido é para que não esqueçamos os problemas internos que vivemos, e muito menos as cobranças que precisam ser feitas. Se voltarmos a ficar anestesiados com os resultados praticados dentro de campo, retornaremos a “Era Cloves Santos”. Um período em que todos os problemas eram colocados para debaixo do tapete, em que jornalistas eram maltratados por criticarem (inclusive com o dirigente ligando para editores-chefes pedindo a cabeça dos críticos), e que o torcedor não tinha vez. O preço desta “época de ouro”, nós estamos pagando agora.

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Tupi: escapar do rebaixamento é OBRIGAÇÃO!

Matheus BrumMatheus Brum 28/03/2017

Ao final deste último final de semana, o Tupi se livrou do rebaixamento para o Módulo II do Campeonato Mineiro. Nas redes sociais, festa da torcida carijó, que desde o início do torneio, ficava com o receio de que o descenso poderia acontecer.

Só que, na esteira da fuga do Módulo II, foi levantada a hipótese de que a equipe poderia se classificar para as semifinais. Matematicamente ainda há possibilidades.

Porém, deste então, tenho debatido com alguns amigos carijós: o momento é para isso tudo? Devemos esquecer o pífio começo de temporada por causa de uma remota possibilidade de classificação, que foi vendida como real antes do início do Estadual?

Respondo “não” para as duas perguntas! E, explico:

[BANNER RETANGULO]

Comemorar a escapada do descenso é dar um atestado de pequenez para o Tupi, que vai de encontro à sua história centenária e cheia de glórias. Vale lembrar que o “Fantasma do Mineirão” é a quinta maior força do Estado, em número de títulos, ficando atrás dos três grandes da capital (América, Atlético e Cruzeiro) e do Villa Nova, que já foi cinco vezes Campeão Mineiro e uma vez vencedor do Brasileirão da Série B. A última vez que o alvinegro chegou às semifinais do Campeonato Mineiro, foi em 2012, onde caiu para o Atlético-MG no mata-a-mata, em duas partidas duríssimas. Na sequência, os juiz-foranos foram 5º em 2013; 5º em 2014; 9º em 2015, e 9º em 2016. Atualmente, ocupa a 8ª colocação.

Nas temporadas 2015 e 2016, os resultados no Estadual foram ruins. Junta-se a isso, o péssimo planejamento. Nestas ocasiões, os treinadores Felipe Surian e Júnior Lopes, respectivamente, foram demitidos nas primeiras rodadas. A missão de salvar o time da degola coube a Leston Júnior e Ricardo Drubscky, respetivamente. Os dois tiveram êxito, mas, ambos no sufoco.

A sequência de dois estaduais ruins, custou a queda de Cloves Santos, que, desde 2008, estava à frente do futebol do clube. É inegável que ao seu comando, o Tupi viveu dias de glória. Boas campanhas no Mineiro, participações em Copas do Brasil, título do Campeonato Brasileiro da Série D em 2011, dois acessos à Série C, e um à Série B. Porém, como todos os modelos de gestão do mundo, eles se desgastam. Os motivos, felizmente, todos sabem.

O problema é que estes “anos dourados”, deixaram marcas em Santa Terezinha, como a péssima estrutura do CT, que, a trancos e barrancos vem melhorando, depois de muitas reclamações da imprensa e dos próprios atletas. Fora isso, uma relação cordial com o torcedor e os jornalistas nunca esteve em pauta na “Era Cloves”, assim como transparência, planejamento e ações de marketing. Apesar dos bons resultados em campo, nos bastidores, tudo era nebuloso.

O torcedor com sua paixão, não ligou para estes problemas, que agora assombram o clube como nunca antes. Primeiro é necessário ter em mente que gestão de futebol não é apenas o que praticado dentro das quatro linhas, e sim todo um conjunto de estratégias, que vai desde a contratação dos jogadores, à logística de treinos e viagens.

Atualmente, o Tupi está refém de um empresário, que coloca seus atletas no clube; não se sabe quanto a instituição deve de dívidas trabalhistas e da premiação do acesso à Série B em 2015, sendo a presidenta Myriam Fortuna cobrada publicamente por ex-jogadores; não fazemos a menor ideia de quanta grana é necessária para gerir o departamento de futebol e seus funcionários; valores de patrocínios? Isto é lenda para quem acompanha o dia-a-dia do carijó.

Fora todas estas questões nebulosas, todo ano nos satisfazemos com o discurso de “somos a menor folha salarial”, “o empresariado de Juiz de Fora não ajuda”, etc. Agora, pergunto a você, torcedor Carijó. Se fosse empresário e algum representante do Tupi te ligasse, oferecendo um espaço publicitário, você aceitaria? Sabendo de todos os problemas internos?

Apesar de alguns me taxarem de ser contra o Tupi, deixo claro que estou pensando em como fazer o clube melhorar. Afinal, como disse em diversas oportunidades, sem a instituição, não haverá jornalismo esportivo na cidade, e Juiz de Fora perderia sua principal marca.

Contudo, me deixa atordoado o estado paralítico que se encontram os torcedores carijós. No ano passado tivemos uma eleição nefasta na história do alvinegro. Por pouco, não tivemos um interventor do Ministério Público no comando do “Fantasma do Mineirão”, enquanto não se resolviam os problemas judiciais. Cada chapa acusando a outra, em atitudes que fugiam da ética; torcedores brigando; falta de respeito nos grupos do Tupi nas redes sociais; Um constrangimento assombroso.

Há duas semanas nós, profissionais da imprensa, fomos convocados para uma coletiva de “apoio” ao time, que tinha uma partida decisiva contra o Democrata-GV. Apenas durante o encontro é que nos foi relatado que nenhuma instância do clube iria se posicionar sobre dívidas trabalhistas e atraso nas premiações. Pior, nos pediram apoio, mas liberaram apenas 1.000 ingressos para o confronto. Ou seja, a própria diretoria não acreditou naquilo que estava nos pedindo ajuda.

Divulgar as dívidas do clube é obrigação! É necessário que os jornalistas, os apaixonados e o mercado saiba como andam as finanças da instituição. É necessário transparência! Ao contrário do que foi dito nesta fatídica e vergonhosa coletiva, não é difícil divulgar os gastos do clube. Com força de vontade é possível mostrar que estamos lidando com um clube que preza pelo torcedor. Ao admitir que fica difícil divulgar os dados financeiros, abre-se brecha para pensar que nem mesmo a própria diretoria tem controle ou consciência de tudo que passa pelos cofres.

Não quero saber qual o jogador que ganha mais, o salário do roupeiro, ou quanto o patrocinador master paga. Quero números gerais, que nos mostrem como funciona a atual estrutura financeira, o quanto é gasto para pagamentos de dívidas, e de que forma o clube vai se planejar para cumprir as novas regras financeiras definidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

É preciso mais uma vez bater na tecla do Marketing, que continua defasado. As ações de ida às escolas são boas, mas ainda é pouco. É preciso massificar ainda mais estas atitudes. Trazer o público mirim ao estádio. Falta desenvolvimento nas plataformas digitais, que ainda continuam a desejar, principalmente o site do clube. A TV Carijó tem sido a única ação que de fato, nos coloca no mesmo patamar dos grandes clubes brasileiros. A Série B era a grande oportunidade de expandir a marca Tupi para todos os cantos do Brasil. Infelizmente, se perdeu uma excepcional chance.

Para piorar, o clube vive uma briga polícia. Pelas informações, o Conselho e a Diretoria não falam a mesma língua. Isto é reflexo do processo eleitoral. O atual presidente do Conselho Deliberativo, Juninho, ofereceu apoio primeiro a chapa formada por João Batista Delvaux e Eurico Moura. Com a recusa, migrou para o lado de Myriam e Boizinho. Segundo correntes internas, esta união foi fundamental para a vitória da atual presidenta. O problema é que esta parceria parece que está ruindo.

A temporada de 2017 começou mal. Não sabemos o quanto poderá ser gasto para a aquisição de jogadores para a Série C; Não sabemos quanto de dívidas o clube tem; Não sabemos como o clube vai fazer para quitar as dívidas e não sofrer retaliações da CBF; Não sabemos se o planejamento do elenco irá ficar nas mãos do atual empresário que “manda” no clube; Tudo é nebuloso e sem respostas, da mesma forma que se posicionaram na patética coletiva de duas semanas atrás.

Por conta de tudo isto que citei e por acreditar na história centenária é que digo que a permanência no Módulo I é obrigação para o clube. Desde 2007, o Carijó está na elite do futebol estadual, de forma ininterrupta. Número de participações idênticas a Cruzeiro, Atlético-MG e Villa Nova.

E que é necessário pensar em formas de colocar alvinegro em condições de buscar à classificação, e não o descenso. Tupi brigar para não cair no Mineiro é o mesmo que times grandes do futebol brasileiro lutando contra o rebaixamento na Série A: patético.

Por fim, não peço para o torcedor não sonhar com uma possível ida às semifinais. Afinal, esta é a graça do futebol. Meu pedido é para que não esqueçamos os problemas internos que vivemos, e muito menos as cobranças que precisam ser feitas. Se voltarmos a ficar anestesiados com os resultados praticados dentro de campo, retornaremos a “Era Cloves Santos”. Um período em que todos os problemas eram colocados para debaixo do tapete, em que jornalistas eram maltratados por criticarem (inclusive com o dirigente ligando para editores-chefes pedindo a cabeça dos críticos), e que o torcedor não tinha vez. O preço desta “época de ouro”, nós estamos pagando agora.