Alterações no comportamento são maneiras de comunicação Se o seu cãozinho late muito, pula muito, por exemplo, é porque está querendo atenção. Se isso é grave ou não, há como o dono perceber

Marinella Souza
*Colaboração
24/09/2008

Belinha (foto abaixo, à esquerda) é uma poodle de dez meses que tem um comportamento dócil e tranqüilo, mas bastou a campainha tocar que ela corre para ver quem está chegando. Segundo Janice Gerônimo, que trabalha na casa dos donos de Belinha, essa a única hora em que ela late. "Ela é uma cachorra muito meiga e apegada às pessoas", define.

Campainha e interfone também alteram o comportamento da dócil Fiore (foto abaixo, à direita), uma cocker spaniel de cinco anos, sendo três sob os cuidados da baba dog Maria Carvalho. Segundo Maria, essa é uma raça "latidora" por excelência, mas Fiore só exagera mesmo quando ouve os sons da campainha.

O comportamento de Belinha e Fiore é típico de animais que se sentem donos da casa, segundo o veterinário Edney Reis. "O animal só entende duas linguagens: ou ele manda ou ele obedece. O que acontece é que, muitas vezes, são os cães que determinam a hora de receber carinho, por exemplo".

Reis explica que reações como latidos e choramingos são a forma que o animal encontra para se comunicar e isso deve ser sempre observado. Saber se o seu cãozinho está exagerando na dose ou não depende de você. "Essas alterações no comportamento só passam a ser problema quando incomoda ao dono ou às pessoas que convivem com o animal. Se você tem cinco vizinhos e três reclamam do seu cachorro é porque algo está errado".

Foto de
 uma cadela poodle preta Se você já está cansado de ouvir as pessoas reclamarem do seu cachorrinho ou se ele já está atrapalhando a rotina da sua família por causa de latidos fora de hora, ou porque ele está lambendo as mãos e pés das pessoas, saiba que tem solução. Em primeiro lugar, é preciso entender que todos esses comportamentos são maneiras que ele encontrou de chamar atenção e pedir carinho e obtê-lo na hora em que deseja.

Reis garante que o animal pode mudar, ainda que esteja velho, mas é preciso que mudem o dono e todo o ambiente em que o cãozinho está. "O cachorro muda com um mês e muda com 22 anos, mas o dono tem que mudar também. O cão aceitou ser domesticado porque no seu habitat ele tem uma escala hierárquica de liderança e o líder é 'Deus', é inquestionável. O líder eleito pelo cachorro pode resolver todos os problemas do animal".

Foto de uma
cadela cocker spainel marrom e branca Segundo ele, em casos extremos, o uso de drogas é aconselhável, mas, na maioria das vezes, apenas a mudança no comportamento do dono já é válida. O cão tem que entender quem manda na casa, tem que ser tratado como animal, não como membro da família.

Maria revela que Fiore é tratada com todo cuidado e carinho, mas é tratada como um cão. "A dona dela detesta essas coisas de roupinha, lacinho, subir no sofá, na cama". Talvez por isso a cadelinha seja tão comportada e obediente.

Saiba o significado de cada comportamento, segundo Edney Reis
  • Latir demais - sinal de que tem alguma coisa errada na vizinhança, com ele ou na relação com o dono
  • Abanar o rabo - sinal de prazer. "Não é possível pensar em felicidade para cachorro, embora isso já seja aceito pelo senso comum"
  • Lamber mãos e pés - ao contrário do que se pensa, não é submissão, é uma forma de agrado, de pedir atenção. "O cão não demonstra submissão ativamente"
  • Pular - comportamento compulsivo para chamar a atenção
  • Rosnar - sinal de que o animal está se sentindo desafiado. "Ele conhece três formas de desafio: olho no olho, vocalização e agressão física"
  • Parar de comer - só é doença quando o cão emagrece. "Normalmente ele pára de comer a ração porque está se alimentando de outras coisas como pão e biscoitos"

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF

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