Quanto devo cobrar?
Saiba calcular o preço adequado para as peças artesanais

Colaboração:
*Renata Silva
05/03/04


O consultor do balcão Sebrae, Paulo Veríssimo, dá as principais dicas para elaborar os preços.

Ouça!

Fazer artesanato é muito bom. Corta, prega, costura, cola, pinta, ajeita daqui, ajeita de lá, até que fique pronto. Pronto, que nada! Quando tudo parece finalizado, os artesãos se deparam com uma grande dúvida: E agora? Que preço eu vou cobrar? A equipe do Portal ACESSA.com foi buscar a ajuda de especialistas e profissionais da área, para que você calcule um preço justo e adequado às suas peças artesanais.

Maria Veloso de Paula dando aula A artesã e instrutora, Marisa Veloso de Paula (foto ao lado), trabalha há mais de 40 anos com artesanato, e concorda que a maior dificuldade está em definir o preço final do produto. "Para mim é a pior parte, afinal é muito relativo. Não sei se calculo pelo tempo gasto ou pelo trabalho que tive na peça", desabafa.


Rose Salomão Já a assistente social da Casa da Menina Artesã, Rose Salomão (foto ao lado), diz que uns dos obstáculos existentes no curso de Formação Artesanal, oferecido pelo projeto, é a definição de preços. "Aqui no curso temos duas dificuldades: a técnica de vendas e a colocação de preços. É difícil encontrar um parâmetro, mas temos alguns métodos", revela.

Sugestões dos especialistas
O consultor do balcão Sebrae, Paulo Veríssimo, acredita que a definição de preços pode ser facilitada se alguns aspectos forem planejados. "Antes de produzir, o artesão deve verificar qual é o seu público alvo, quais são os seus gastos mensais e qual o tempo dispensado na mão-de-obra, pois não adianta produzir aleatoriamente", diz. Veríssimo ainda destaca a percepção do preço de mercado, que deve ser avaliado pelo produtor. "O mercado pode estar pagando mais em determinadas épocas, considerando a pessoalidade do produto."

Segundo o economista, doutorando da USP, Ricardo Freguglia, não existe uma fórmula mágica para os cálculos. Ele concorda com o consultor do Sebrae e diz que para se chegar ao preço final é preciso organização e planejamento.

Veja os pontos principais:

  • Público alvo
  • Custo de material
  • Custos fixos (aluguel, energia elétrica)
  • Custo da mão-de-obra
  • Valor de mercado
  • Concorrência
  • Freguglia diz que o primeiro passo é mensurar o custo que se tem para produzí-lo, isto é, tudo aquilo que é necessário para se produzir o bem. Uma dica interessante é saber o custo unitário para que se consiga calcular o custo total de produção. O segundo passo é incluir os custos fixos, como energia elétrica. Em seguida, inclua no preço de custo o preço do trabalho das pessoas envolvidas na produção artesanal. Dessa forma, tem-se o preço final do produto.

    Acompanhe o exemplo abaixo:

    Vamos tomar como base a produção de velas artesanais

    Custo de material
    Pontue tudo o que você vai gastar na peça:
  • Parafina
  • Pavio
  • Fôrma no formato desejado
    Gastos fixos
  • Luz
  • Transporte
  • Pró-labore (quanto você quer ganhar por mês)
    Valor de custo
  • Produção total por mês: 50 velas
    - Divida o total dos gastos fixos pelo número de peças.
    - Some o resultado ao gasto do material.
    - O resultado é o valor de custo de cada peça.


  • O que fazem as amigas artesãs

    Karla Ciuffo, instrutora de artesanato
    "Verifico o preço do mercado e procuro valorizar o trabalho feito. Se trabalho com o couro, que exige mais detalhes, coloco um preço maior."

    Rosângela Delgado Pires, professora de artes
    "Vou às ruas e procuro ser coerente com o mercado, mas infelizmente as pessoas ainda não dão o devido valor ao artesanato".

    Maria Tereza, instrutora de artesanto
    "Sempre peço a opinião de amigas para colocar o preço. Vejo também o tempo gasto no trabalho."

    Rose Salomão, assistente social
    Tentei criar uma fórmula para o fuxico. Peguei o valor de 1 hora trabalhada de uma costureira e acrescentei o preço do material".

    Onde buscar ajuda
    O balcão Sebrae disponibiliza atendimento no horário de 8h às 18h. Estão abertas também as inscrições para o curso "Aprender Empreender", exclusivo para artesãos. Outras informações 3239-5300, 3239-5313 ou bjfora@sebraemg.com.br.

    Renata Silva é estudante do 6º período de Comunicação da UFJF

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