Qual a fórmula de um relacionamento duradouro?
O sexólogo Octávio Viscardi fala de relações amorosas

Flávia Machado
junho/2001

"Complicado caracterizar uma relação a dois. Mais complicado ainda dizer o que faz um relacionamento dar certo." Essa é a opinião do sexólogo, Octávio Viscardi Filho, que afirma não ter uma receita de sucesso para uma união dar certo. Ele acredita que dois aspectos influenciam muito para uma relação ser bem sucedida: saber aceitar as diferenças e entender que toda relação baseia-se num processo de construção, que não se consegue da noite para o dia. No entanto, isso não quer dizer que um namoro dependa somente destes aspectos. “Pelo contrário, relacionamento é um misto de amor, sexo, companheirismo, amizade e diversos outros fatores”, resume.

Diferenças: elas existem

Os aspectos mais importantes citados pelo sexólogo são, digamos, a base para um relacionamento interessante. Saber lidar com as diferenças tanto do outro como de si mesmo é uma maneira de entender melhor o próprio relacionamento e pensar como ele pode melhorar ou o que está errado.

Octávio Viscardi acredita que, hoje em dia, as pessoas não refletem sobre as possíveis causas do rompimento de um namoro. Assim, elas começam outro, sem realmente ter “superado” o antigo. “A sociedade moderna tem características que afetam até mesmo o modo de se relacionar com as pessoas. Muitos casais não têm tempo para eles mesmos, para conversar sobre a relação. O trabalho, os filhos, a correria do dia-a-dia... tudo é motivo para a falta de tempo”, constata.

A sociedade assume papéis importantes

Na busca de um parceiro, o objeto do desejo, masculino ou feminino, é dado por uma imagem mais ou menos construída, ou seja, por um ideal de beleza que existe na cabeça das pessoas. A partir daí, explica Octávio (foto ao lado), o outro passa a ser visto como um produto de consumo. “As questões culturais às vezes também influenciam negativamente nas relações.”

Ele esclarece que antigamente, as pessoas casavam-se com a idéia de que era para sempre e que a união eterna era uma forma estabelecida para agir em sociedade. O amor não era o fator determinante, e sim todo o contexto da época. “Neste ponto acredito que haja um aspecto positivo na vida moderna: as pessoas têm mais liberdade nos relacionamentos, o que não significa que ele seja tratado como uma coisa volúvel".

O mito do príncipe encantado

O segundo aspecto apontado pelo sexólogo fala sobre o processo de construção de uma relação, o que faz o mito do príncipe encantado ir por água abaixo. “Não existe ninguém que saiba logo de cara num namoro que aquela é a pessoa ideal”, enfatiza Octávio. “Um relacionamento se faz com tempo, dedicação e conversa, sejam elas prazerosas, interessantes ou duras.”

O sexólogo acrescenta ainda que quem fica esperando príncipe encantado talvez possa estar agindo na defensiva, ou seja, essa é uma forma de defesa quando a pessoa enfrenta dificuldades em encontrar alguém. “Esta dificuldade, muitas vezes, não está no outro, mas sim, em si próprio.” Ele diz que, em diversos casos, inconscientemente, a opção por ficar só está no medo de se revelar, de se entregar e de sofrer. “Relacionar-se com alguém não quer dizer perda de liberdade. Muitas pessoas não são livres porque estão sós”, pondera.

No mais, aconselha Octávio: “Não dá para ficar se anulando e se defendendo por medo do que pode acontecer. Viver é a escolha.”

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