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    Recife, 2 de junho de 2020


    Bárbara Fonseca 1/07/2020

    Momento em que o mundo desaba para alguém que tem algo em comum comigo, com todas nós que somos mães. Não deve ser fácil ser mãe e perder um filho aos cinco anos de idade. Miguel foi com a mãe para o trabalho e não voltou vivo para casa.

    Mas por que coisas como essa acontecem?

    A pandemia do coronavírus trouxe desafios jamais imaginados para muitas pessoas. Segundo o IBGE, são mais de 67 milhões de mulheres mães brasileiras. Muitas das quais voltarão a trabalhar em meio a retomada das atividades econômicas. Assim como a Mirtes Renata, terão que encontrar um jeito de manter os filhos a salvo, fora da escola ou da creche, com algum parente, amigo, vizinho... É quando, num piscar de olhos, tudo pode acontecer.

    Tudo parece se encaixar na proposta de normalizar o funcionamento dos setores econômicos, uma onda que flui suave e uma coisa puxa a outra. Mas é na vida de mulheres e crianças que ocorre o maior tropeço.

    Essa semana uma amiga me escreveu sobre isso. Angustiada pela injustiça de planejar tudo e não ser levada em conta no planejamento social. "Ninguém pensa nas mães", ela diz. "Com quem o filho vai ficar para eu trabalhar o dia inteiro, se a escola de ensino integral está fechada?"

    A Mirtes levou para o trabalho. A fulana vai deixar com a avó, grupo de risco para covid-19, a cicrana vai deixar a filha de dez anos olhando o filho mais novo, de cinco.

    Há dois anos atrás, em 2018, 45% dos lares brasileiros eram chefiados por mulheres, de acordo com pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Um aumento expressivo, já que em 1995 o número era 25%. No entanto, o que não aumentou foi a consideração desse percentual de famílias para o planejamento educacional, econômico e social realizado pelo poder público. Trocando em miúdos, as mulheres não são levadas em conta.

    A condições escolares não preveem distanciamento social, nem nas escolas particulares, muito menos na rede pública que enfrenta problemas estruturais como falta de telhados, cadeiras e mesas. Como o coronavírus será controlado nesses ambientes? O que dizer da educação infantil? Sabemos que o toque é parte do desenvolvimento das crianças. Os desafios são muitos e são difíceis, entendemos que o momentos requer paciência e generosidade para testar soluções.

    O que vem à mente nesse momento é que se as mulheres são as responsáveis pela manutenção do lar economicamente, o que vai acontecer com os seus filhos? Vão ficar com a patroa que não tem paciência e vão despacha-las pelo elevador à sua própria sorte?

    Vivemos um momento político instável em que as demandas das mulheres estão em segundo plano. Precisamos fazer com que a sociedade perceba a importância das demandas feministas, do contrário, não haverá continuidade sem tragédias protagonizadas por crianças inocentes.

    Ser mãe é conviver com a invisibilidade das suas demandas. A mágica acontece quando a mulher continua a fazer tudo o que sempre fez, mas agora com um filho à tira colo. Mas, saibam, a verdade não é essa.

    É preciso falar, se fazer ouvir, é preciso solidariedade com todas aquelas mulheres em situações vulneráveis e também com seus filhos. Ser mãe é conhecer o tamanho do amor materno, sua importância na vida de uma mãe. Solidariedade para com a Mirtes Renata e para com todas que, como ela, estão a pensar em como proteger seus filhos queridos e amados.

    Bárbara Fonseca é mãe do Vitor, de um ano. É jornalista inquieta e questionadora, que publica seus pensamentos em blogs e redes sociais, enquanto divide o tempo entre a maternidade e uma nova graduação em Nutrição.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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