Jussara Hadadd Jussara Hadadd 12/3/2010

Desejaria todo dia, a mesma mulher

mulherEscrevemos sobre infidelidade no artigo passado e a repercussão foi imensa. Muitos protestos e muito apoio vindos tanto de homens, quanto de mulheres de todas as idades e condição civil. O mais interessante é que os protestos e apoio vieram de ambos os lados, proporcionalmente. Que bacana.

O que observamos e que não nos causou espanto, foi a manifestação de algumas mulheres sobre a necessidade premente que muitos homens, obedecendo a um convencionalismo arcaico, têm de exercer seu poder buscando a novidade em outros corpos e conquistando a qualquer preço uma presa mais tenra e que nem de longe, conheça ou conteste suas fraquezas. Ficou fácil depois da pílula azul não é? Mas isso não é problema só dos mais maduros não, muitos casais jovens sofrem os efeitos da volúpia desenfreada.

O que é de chamar a atenção mesmo, é que muitas mulheres já estão jogando neste time. Os reflexos da conquista do poder feminino a partir da revolução que traçou igualdade de direitos entre elas e eles se estendem aos assuntos da alcova. Muitas mulheres já admitem a traição não só como forma de vingança, o que justificava a atitude até bem pouco tempo, mas como alívio para a vida morna, chata e solitária que dividem com seus parceiros fixos. Precisaram de muita provocação, vocês hão de convir.

Não só os homens têm necessidade de sonhar, de fantasiar e de trair. É certo que ainda hoje, eles são mais audaciosos e não temem partir para o ataque, entretanto muitas mulheres já estão “fechando os olhos” em nome de um sexo de melhor qualidade com o parceiro com quem, não importa motivo, é obrigada a compartilhar. As mulheres da atualidade já têm a capacidade de fantasiar que estão com outro homem na cama. Recurso que usam com inteligência adiando ao máximo se atirarem nos braços de qualquer um. Olham para seus parceiros e enxergam Richard Gere, Rodrigo Santoro, o professor da academia ou aquele deus que chegou por e-mail. Fantasiam que estão recebendo carícias, ou sendo “possuídas” ou penetradas por alguém, às vezes até sem rosto, mas bem melhor e capaz sexualmente que o seu parceiro. Fantasiam que tudo está acontecendo do jeitinho que ela gosta – as mulheres já sabem bem do que gostam de sentir na cama - e não tem coragem ou liberdade para pedir. Ou do jeitinho que ela já está cansada de pedir e ele finge não ouvir supondo não valer a pena atendê-la.

A verdade é que elas estão traindo mesmo. É possível que sempre tenham traído, mas era em menor proporção e tinha todo um contexto envolvido. Sentiam culpa e ficavam emocionalmente abaladas. Hoje estão buscando friamente em amantes reais ou imaginários as emoções que não conseguem sentir em uma relação que ainda não pode acabar, seja pelos filhos ou por qualquer outro tipo de dependência.

Não são somente os homens que têm necessidade de alguém novo. De uma cabecinha leve e sem preocupações. De um traseiro mais firme, de um tronco mais fininho e delineado, de coxas mais saradas e peitos turbinados. As mulheres também desejam alguém mais bem cuidado, com barriga tanquinho, peitoral malhado e braços capazes de muitas e intermináveis flexões. Elas também desejam homens com a bundinha durinha que indica virilidade, capacidade de boa ereção e controle ejaculatório. Querem homens equilibrados e dispostos a um sexo com mais de vinte e três minutos. Quem disse que é fácil para as mulheres, desejarem sempre o mesmo homem? E o que agrava isto, é que eles, me perdoem os mais cuidadosos e caprichosos, não se dispõem a ficarem atraentes para elas. Já na fase do namoro, se entregam às tentações do chopinho, da comida gordurosa, da vida sedentária e sem graça que os torna incompetentes sexualmente.

O que é de se notar e comentar aqui nesta oportunidade é que este tipo de homem, não busca melhorar sua performance para agradar sua parceira. Ele busca autoafirmação fora da relação, com mulheres que por extrema carência afetiva, financeira ou sexual (pode até ser as do time que traem também) “pegam” qualquer homem e tratam como um corte de filé mignon – um homem pra chamar de seu, mesmo que seja eu. É um troca, troca sem limites. Ninguém quer se dar ao trabalho de nada. Vamos tocando em frente que atrás vem gente.

Acontece o contrário também, sejamos justos. Tem muita mulher com a feminilidade balançada por aí. Contudo, algumas pesquisas apontam que as mulheres envolvidas em relacionamentos estáveis (estou falando das fêmeas), se cuidam muito mais que seus parceiros. Investem no corpo e na beleza do rosto e estão sempre cheirosas e macias. Buscam acessórios para apimentar a relação, planejam momentos para fortalecer o casal, lutam para que seus homens se cuidem e até passam por chatas neste caso. _ Não beba tanto benzinho. Não coma tanta gordura, faça um exercício físico, procure não se estressar tanto... Perde seu tempo, porque a mulher da rua não exige nada disso.

O que ocorre normalmente, é que no caso dos homens, a atenção ao convencionalismo que rege as regras do machismo, os cega para a possibilidade de enxergar na mulher amada, uma conquista a ser mantida. Ele precisa provar para os amigos, para o pai que o ensinou a ser cafajeste, para os filhos que ele quer ensinar a serem cafajestes, para a sociedade e para ele mesmo que sabe que “não está com mais nada no balaio”, que é um garanhão. A satisfação da parceira não o satisfaz mais. Ele precisa provar, mesmo que se enganando, que tem o poder de caçar e dominar uma nova presa. Sofre e faz sofrer. Perdoa senhor, ele não sabe o que faz.

Salvo essas observações, o que temos a fazer aqui é dizer em nome das mulheres um muito obrigada. Obrigada à mídia, à internet, à indústria cinematográfica e pornográfica e a tudo que gera, igualmente para elas, imagens de altíssima qualidade que as inspiram às fantasias tornando-as capazes de levar até onde for possível uma relação que para elas também, não é fácil suportar. Obrigada aos amantes de plantão, lindos, bem cuidados, amorosos, viris e românticos. Obrigada ao comportamento masculino que suscita o revide e desperta a curiosidade para uma sexualidade mais bem vivida. Tudo na medida certa, tudo na medida de cada uma.

As mulheres ainda sofrem muito de indignação, de ciúmes e de abandono, mas não sofrem mais por injustiça. Os direitos realmente estão bem iguais.

Sintetizando, deixamos aqui, um dito popular para reflexão dos insatisfeitos e insatisfeitas que se acham merecedores de novas aventuras, de novas sensações e emoções e partem para o ataque envoltos em seu manto de egoísmo e egocentrismo, sem se preocuparem com o sofrimento alheio. Pessoal, até para trair, é necessário uma dose de responsabilidade com o outro, de amor ao próximo. É necessário no mínimo, que se faça direitinho. Incompetência tem limite.

Meninos e meninas la vai:

“Chumbo trocado não dói”. Contudo é bom fazer um cursinho de tiro ao alvo antes, porque como disse no artigo anterior, o tiro pode acertar o próprio pé.

Não sou tão moralista assim, não é mesmo? Na verdade, nem sou moralista. Tenho meu ponto de vista, mas não é o que conta aqui. Opine, mostre o seu.

Obrigada!

 


Jussara Hadadd é filósofa e terapeuta sexual feminina
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