Jussara Hadadd Jussara Hadadd 12/01/2012

Eu não consigo chegar lá. Alguém pode me ensinar?

MulherA participação da função sexual é muito importante na formação do psiquismo humano, mas há ainda hoje, principalmente entre os povos ocidentais, certo preconceito de culpabilidade, relacionado à atividade sexual feminina.

O corpo feminino ganha contornos de sensualidade e erotismo, além de ser um instrumento de prazer para a própria mulher, seja na relação sexual, seja na prática da masturbação que passou a ser denominada também de autoerotismo, algo até então inimaginável. A virgindade não é mais imposta como norma para todas as mulheres. A mulher na fase da menopausa ganha novas possibilidades para o exercício de sua sexualidade.

A imagem que se fazia da mulher era de alguém frágil que precisava ser decifrado, e o orgasmo algo a lhe ser oferecido. Hoje, na contramão da história, percebemos que tais problemas ainda habitam o ambiente do mundo masculino, sobretudo agora, sob a ótica do liberalismo que causa espanto, que desafia e propõe que os homens não têm mais nenhuma responsabilidade sobre o prazer da mulher. A bem da verdade, hoje, mais que antes, a partir da contemporaneidade, o senso machista maltrata por orgulho e desatino.

Na maioria das vezes, a mulher precisa muito mais de amor que de sexo e quase sempre se confunde na expressão de seu sentimento associando sexo a amor. Para a maioria dos homens, amar e fazer sexo são propostas distintas.

A mulher super erotizada, glúteos enormes e atrativos, seios a mostra, abdomens à prova, dizendo que nenhuma gravidez jamais passou por ali, tem beleza como vitrine e exposição de um corpo que antagonicamente deseja reconhecimento e prazer. Deseja se dar e se vender. Jamais se dar e jamais se vender.

Universalmente decretada, a ditadura da beleza vem na contramão do desejo sincero da mulher em ser feliz e resolvida sexualmente. Com muito mais foco na estética e menos foco no prazer, a dificuldade com o orgasmo feminino que antes se dava por conceitos de pudor, de vergonha, de moral ou falsa moral, hoje, em muitas mulheres, ela acontece a partir da preocupação com a estética apresentada e apreciada ou não pelo seu parceiro sexual.

Ainda neste contexto, ressaltamos a disputa entre as fêmeas da modernidade que, como feras, exibem seus corpos perfeitos para outras mulheres, com o objetivo de intimidar e eliminar a outra, da disputa por um macho.

Na região Sudeste, segundo algumas estatísticas, existe nove mulheres para cada homem e mesmo em padrão de alta contradição, quando tentam mostrar que não precisam se relacionar de nenhuma maneira com eles, os disputam sordidamente. O resultado é o de um sexo feito sob pressão. Manter uma máscara de super mulher, de a mais bela, de a mais perfeita de corpo pode custar muitos orgasmos. A mulher que entra neste jogo está sempre exausta e nunca se permite ser ou aparentar menos. Sua vaidade, que deveria libertá-la para uma vida sexual plena de prazer, a aprisiona, a exaure a esfria, endurece e a deixa muito distante da comunhão entre amor e sexo prazeroso.

A sexualidade humana e, mais ainda a feminina, não pode ser reduzida a uma questão meramente anatômica. Pequenos e grandes lábios, clitóris e vaginas são erotizados ou não desde a mais tenra infância, conduzindo a vida erótica feminina por diferentes caminhos. Nenhuma cirurgia ou correção estética seria capaz proporcionar à mulher, os orgasmos que ela não aprendeu a ter.

Diante dessas e tantas outras complexidades que circundam o mundo feminino e sua dificuldade com o sexo e o prazer, mesmo hoje em dia, onde ambos, para muitas não passam de simples tabu, nossa mensagem para as mulheres que ainda se perdem entre os conceitos que as privam de uma vida sexual gostosa e tranquila, jovem ou madura, esteticamente dentro ou fora dos padrões de beleza atual, é que busquem se conhecer.

Cada pessoa lida com limites próprios de necessidade de sexo. Cada pessoa tem seu limite de prazer. Descubra, contudo se o prazer no sexo para você, pode estar simplesmente em exibir suas formas perfeitas. De bem com esta realidade, que seja, não haverá mais conflitos.

Toda tranquilidade se dá, a partir do momento em que estamos resolvidos quanto ao que desejamos e aceitamos nossa condição.



Jussara Hadadd é filósofa e terapeuta sexual feminina
Saiba mais clicando aqui. 

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.