SPB altera a vida das empresas
Empresários precisam se adaptar às novas regras do sistema financeiro

Ludmila Gusman
31/05/02

Desde o dia 22 de abril quando o novo Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB) entrou em vigor, comerciantes, profissionais liberais e industriais estão precisando se adaptar às mudanças. As novas regras têm por objetivo reduzir o custo das intermediações financeiras e o risco de crédito para as empresas doadoras de recursos no sistema. A partir de agora, todos os documentos que antes precisavam ser destinados à compensação serão liquidados em tempo real.

Os bancos querem desestimular o uso de cheques criando uma nova opção de transferência, a TED - Transferência Eletrônica de Documento. Através dela, será possível a transmissão on-line de quantias a partir de R$ 5 mil, desde que disponíveis na conta corrente do pagador. O mecanismo de transferência atual conhecido como DOC leva e continuará a levar um dia útil para ser compensado, de forma que o recebedor somente tem a informação do crédito no dia útil seguinte à sua emissão. Já a TED atualizará o saldo da conta do recebedor no mesmo dia. As novas regras prevêem também que depósitos em cheques e DOCs sejam considerados como saldo quando forem descontados pelo banco de origem.

Em termos práticos, se antes o comerciante, após o depósito, poderia autorizar os pagamentos, contando que o banco liberasse o dinheiro - mesmo que os cheques não tivessem compensado - agora o pagamento só estará disponível de acordo com o saldo real da conta. "Com relação à segurança, não se compara. Teremos o que há de melhor, a desvantagem para os empresários é com relação à taxa cobrada para esta transferência", alerta o gerente administrativo e financeiro da Arpel, Ari Garcia Rodrigues. Segundo ele, os empresários de Juiz e Fora estão procurando se inteirar das mudanças através de palestras. Dentre os assuntos abordados em uma dessas reuniões, ele conta que foi repassada a informação de que para realizar a TED as empresas teriam que pagar de R$ 9 a R$ 11 por cada transação. "A taxa cobrada é muito alta, podendo criar dificuldades para a empresa", diz.

Embora os bancos ainda estejam passando por testes de adaptação, o empresário deve ter em mente uma coisa: o controle do caixa da empresa deverá passar por uma modificação mais drástica, para evitar rombos com o pagamento de taxas ao banco. "Além de controlarmos o saldo, teremos que controlar o saldo disponível, para efetuar os pagamentos. Vamos precisar utilizar constantemente a internet, para verificar como está a conta", afirma Ari Rodrigues.

A gerente administrativa da Jaguar Pneus, Neliana de Oliveira Vigna Barros, acredita que as mudanças tendem a melhorar as instituições bancárias do país. "Os bancos, pelo pouco que me inteirei sobre o assunto, vão se tornar mais responsáveis pelo controle do dinheiro e isso trará pontos positivos para o país e para os empresários", diz.

Reflexos das mudanças para a sociedade
Ao cidadão comum as mudanças no Sistema Pagamento Brasileiro vão possibilitar a transferência de recursos de sua conta-corrente para conta de outra pessoa em banco diferente do seu ou em agência de qualquer localidade do país. Hoje o recurso depositado por cheque torna-se obrigatoriamente disponível ao destinatário no prazo de um a quatro dias úteis, podendo se estender a vinte dias úteis quando envolve agências localizadas em cidades mais distantes.

Como é

Como será

Confirmação das liquidações financeiras só no dia seguinte, após compensação de cheques

A confirmação das operações financeiras é imediata

Flexibilidade para realização de remessas após o expediente bancário

Após o expediente bancário não há mais possibilidade de movimentação financeira

Possibilidade de se fazer saques sobre depósitos

Saques sobre depósitos equivalerão a empréstimos

Erros de lançamento não têm impacto no caixa - há possibilidade de estorno no dia seguinte

Os erros terão impacto imediato no caixa e só poderão ser corrigidos por novo lançamento

Pouca sincronia entre a tesouraria e a área administrativa

Total sincronia entre tesouraria e administração

Fonte: http://www.bcb.gov.br

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