Videolocadoras investem em tecnologia para conviver com downloads de filmesDiscussão a respeito do impacto da internet sobre as lojas de locação de vídeo envolve banda larga e qualidade de imagem

Clecius Campos
Subeditor
6/9/2011
Foto de locadora de vídeo

As locadoras de vídeo de Juiz de Fora estão precisando conviver com a facilidade em sem conseguir um filme de graça, por meio de download pela internet. As lojas físicas têm investido em tecnologia blue-ray e na locação online para manter a clientela e sobreviver ao virtual.

O sócio de uma locadora localizada no bairro Granbery, Carlos Guedes, aposta na locação online com serviço de entrega e busca de títulos em domicílio, a fim de atender o cliente que prefere ficar em casa, sem que ele apele para o download do filme online. "Além disso, temos mais de 3.700 títulos e uma parte deles em blue-ray. Embora a procura por mídia desse tipo ainda seja pequena, é um diferencial em relação à internet."

O dono de outra locadora, Bruno Bernardo, também acredita na locação online como forma de manter os clientes. "A locação pela internet, com sistema de entrega e busca em domicílio, ajuda a atrair o público. Ligamos para os clientes antigos para chamá-los para locar e fazemos promoções. Trazer o blue-ray é outra forma de combater um pouco a pirataria." Na opinião de Guedes, embora a internet seja uma ameaça, a facilidade de download não tem interferido no desempenho de sua locadora. "Estamos mantendo a média de locação."

Para o proprietário de duas locadoras na cidade, Maxwell Gomes de Souza, a discussão a respeito do impacto da internet sobre as lojas de locação de vídeo é mais complexa. Ele acredita que, embora a facilidade do download seja tentadora, a disponibilidade de internet no Brasil ainda é muito pequena para ser uma ameaça imediata. "A inclusão digital ainda é lenta e a banda larga está longe de ser uma realidade. Para aqueles que preferem a qualidade, seria preciso uma boa conexão de internet, um bom computador e uma TV ótima para poder assistir a um filme com a qualidade de um DVD." Se a comparação for feita com o blue-ray, a desvantagem para os vídeos baixados da internet é ainda maior. "A internet e até a TV por assinatura oferecem apenas o HD [high definition - alta definição]. O full HD só é possível com um blue-ray e uma TV compatível."

Segundo Souza, antes da chegada mais forte dessa nova tecnologia de vídeo, foi identificada uma retração no movimento dentro da locadora. "Agora, as pessoas estão acompanhando o blue-ray. As grandes empresas de eletrodomésticos também investem em mídia física, com aparelhos de TV full HD e criando novas mídias. Essa movimentação é sinal de que há muito o que ser explorado para além do virtual."

O cliente tem pressa

No entanto, a locadora perde quando a intenção é ver um filme logo após ele chegar aos cinemas. "Hoje, há uma janela, cumprida por todas as produtoras, de dois a três meses para a chegada, na locadora, de um filme já lançado nos cinemas. Para a TV a cabo, sem considerar o pay-per-view, a janela é de seis meses. O cliente que quer ver o filme, não liga para a qualidade e sabe buscar pelo vídeo na internet, vai optar pelo download. Mas esse é apenas um tipo de consumidor, que está crescendo em número."

Para solucionar o atraso, Souza acredita na necessidade de parceria entre as produtoras de filmes e as locadoras, a fim de acelerar a chegada dos títulos às lojas físicas. "Em uma das últimas convenções de vídeo do Brasil, essa necessidade foi bem discutida. Os filmes precisam sair no cinema e também estarem disponíveis para locação simultaneamente. Assim, o cliente poderia escolher entre assistir na telona ou utilizar o home video."

Papel social da locadora

Souza lembra também que o papel social da locadora, como local de lazer, ainda é parte da identidade cultural da população. "As gerações X e Y que estão vindo por aí, certamente irão se afastar das lojas físicas, mas nós, das décadas de 80 e 90, que estamos acostumados a ver a caixinha do DVD, ler a sinopse, procurar por mais títulos nas prateleiras, discutir a escolha com a família, ainda mantemos a tradição das locadoras." Ele pensa que a locadora que acompanhar a tecnologia e os anseios do mercado sobreviverá à internet. "Quem tiver um bom produto, um bom atendimento e um espaço físico ideal, sem dúvida, continuará no mercado."

Falta propaganda prol locação

Souza pensa que alguns problemas podem ser identificados no mercado do home video, principalmente na questão da distribuição dos filmes para as locadoras. Além da lentidão, ele cita a falta de publicidade feita pelas produtoras em prol da locação de vídeos. "Quando sai um filme do Crepúsculo, as produtoras anunciam: 'Hoje nos cinemas. Não percam'. Quando o vídeo vai para a locadora, a propaganda para." Segundo ele, há uma explicação mercadológica para tal. "No cinema, a produtora ganha pela quantidade de exibições. Na locadora, não. A distribuidora vende o filme, por um preço alto, pois o empresário compra os direitos do filme, e só. Por isso há pouco interesse."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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