"Mindfulness" (III) – "Armadilhas da Mente"

André Salles Andre Salles
16/02/2017

Observamos duas possíveis aplicações de Mindfulness na Psicologia:

1. A observação de "como a mente cria sofrimento" e suas vinculações com os ideais e com o corpo físico do ser humano;

2. Práticas ou intervenções psicológicas direcionadas ao desenvolvimento desta observação para alívio (modulação) do sofrimento causado pelo entretecimento mental pobre e cíclico vinculado à atenção e às "emoções".

Exemplos de "entretecimento mental pobre e cíclico" vinculado à atenção quando estamos no piloto automático - "uma das características do modo principal de atuar de nossas mentes".  Mark Willians & Danny Penman chamou isto de "modo atuante" ou "armadilhas da mente", diferente de uma "escolha consciente" que pode ser desenvolvida pela "Meditação Mindfulness". Vejamos como eles mostram este entretecimento "pobre" afirmando que podemos enriquecer (modular) nossa qualidade de vida:

  • Não permanecer concentrado no que está acontecendo no momento;
  • Andar rápido para chegar ao destino, sem prestar atenção ao que experimenta no caminho;
  • Ter a impressão de estar "funcionando no piloto automático", sem muita consciência do que está fazendo;
  • Fazer as coisas depressa sem prestar atenção nelas;
  • Ficar tão focado no objetivo que quer alcançar que perde contato com o que está fazendo agora para chegar lá;
  • Preocupar-se muito com o passado ou o futuro.

Existem várias abordagens em Psicologia, porém vamos indicar uma para mostrar o vínculo que se estabelece entre Mindfulness e Psicologia. Apenas para sua compreensão, a "totalidade" do ser pode ser dividida em três dimensões: 1. O corpo físico; 2. Os ideais (aquilo que o ser humano percebe como verdade) e 3. As impressões que recebemos do mundo exterior e que vivem dentro em nós (traços psicológicos). Esta última a denominamos dimensão psicológica e pode ser "modulada". É dentro desta dimensão psicológica que encontramos alguns elementos ou "forças" estudadas pela Psicologia: a atenção, os pensamentos, o julgar, os sentimentos, os desejos, amor, ódio, simpatias, antipatias, "Emoções", etc. Em Mindfulness e Psicologia é o "treinamento da atenção" e dos pensamentos, de modo específico, o nosso foco.

A terminologia "Sati", vem do Budismo. Pela ocidentalização foi traduzida para o Inglês como Mindfulness e, para o Português como "Atenção Plena". Assim Mindfulness entrou no mundo da ciência e se transformou em uma ferramenta (um instrumento de aplicação). Este instrumento é hoje mensurável, utilizando algumas das tecnologias de imagens mais avançadas do mundo. Portanto, verificamos que Mindfulness entrou no mundo científico e se liga à Psicologia como Ciência. Seu foco incide no entretecimento psicológico, mais precisamente naquilo que chamamos de "atenção" (aspecto cognitivo) e o relacionamento deste com as impressões que ficaram cunhadas em nosso ser psicológico e que estão gerando algum tipo de sofrimento por meio de um "entretecimento pobre" ("armadilhas da mente"). Em linguagem simples, com Mindfulness "somos capazes de mudar nossas perspectivas e observar a vida sob uma luz diferente". (Mark Willians & Danny Penman; Atenção Plena; como encontrar a paz em um mundo frenético; Editora Sextante).

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