Violinista Luís Otávio Santos
do Solistas de Câmara à La Petite Bande

Nascido em Juiz de Fora e, morando há 12 anos na Europa, o violinista Luís Otávio Santos se divide entre a atuação na La Petite Bande (Holanda), as aulas na Itália e na Bélgica e a coordenação artística do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e de Música Antiga.


Emilene Campos
16/07/2001

Ele vem ao Brasil duas vezes por ano. Para as comemorações do Natal e Reveillon e na época do festival. Em Juiz de Fora desde o início de julho, Luís Otávio cuida dos preparativos da décima segunda edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, cujas apresentações extrapolam os limites de Juiz de Fora, abrangendo as cidades históricas de Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João del Rei e Diamantina.

Em entrevista exclusiva ao JFService, Luís Otávio Santos falou sobre a predileção por música barroca, sua experiência internacional e música contemporânea.

Do Pró-Música Antiqua ao Solistas de Câmara
Desde criança, Luís Otávio é um apaixonado por música antiga e instrumentos de época. Seus pais, a diretora-presidente do Pró-Música Maria Isabel de Sousa Santos e vice-presidente da instituição Júlio César Santos, foram (e ainda são) seus grandes incentivadores. Os irmãos, que também são músicos, também participaram do processo. "Meus irmãos atuavam na banda Pró-Música Antiqua que tinha como repertório música medieval e renascentista", relembra.

Foi assim que ele teve os primeiros contatos com instrumentos como a rabeca (antecessor do violino) e o cravo (do piano). A princípio, ele aprendeu a tocar instrumentos tradicionais, como o piano, aos 6 anos, e violino, aos 8. Mas com o aprofundamento dos estudos de música antiga, sentiu a necessidade de aperfeiçoar-se, utilizando instrumentos de época.

Na época, meados da década de 80, a grande dificuldade era encontrar tais equipamentos no Brasil. O que foi amenizado com a repercussão em todo o país do Festival de Música Colonial. O número crescente de pessoas interessadas no gênero acabou abrindo um novo nicho de mercado. "Agora é mais fácil encontrar o instrumento de época e até profissionais que façam a adaptação", comemora.

Pelos trilhos da Europa
Além de integrar a orquestra La Petite Bande, o músico de 28 anos é professor do Conservatório Real de Bruxelas, na Bélgica, e do Scuola di Musica di Fiesole (Itália). As pequenas distâncias entre os países europeus permitem que Luís Otávio exerça todas estas atividades e ainda dedique tempo à organização do festival e às turnês mundiais com a La Petite Bande. Como membro da orquestra, ele já se apresentou em países como China, Japão, México, Colômbia, Argentina. É nestas ocasiões que o músico descobre novos grupos, novos solistas, que podem integrar a programação do festival.

Rotina de estudos moderada
Para aperfeiçoar seus estudos no violino barroco, Luís Otávio chegou a dedicar mais de dez horas diárias à música. Hoje, a rotina é mais moderada, já que as atividades como integrante da La Petite Bande e professor em escolas da Bélgica e Itália o colocam em constante aperfeiçoamento.

A experiência internacional
A oportunidade de ir para a Holanda veio aos 17 anos. Um professor holandês convidou o grupo de música barroca Solistas de Câmara, fundado por ele, para estudar no Conservatório Real de Haia, na Holanda. Foi no conservatório que o músico conheceu o violinista Sigiswald Kuijken, o mestre do violino barroco e fundador da La Petite Bande, que participa da décima segunda edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

Também faziam parte dos Solistas de Câmara os músicos João Guilherme Figueiredo e Pedro Curi. Segundo Luís Otávio, a dificuldade inicial foi adaptar-se à rotina e ao comportamento do povo holandês. Mas a expectativa do desenvolvimento pessoal e profissional foi mais forte e os ajudou a superá-la. Para o violinista, a experiência acabou sendo mais rica do que ele esperava. Por ser uma referência internacional em música antiga, o Conservatório Real de Haia reunia estudantes de várias nacionalidades. Com isso, Luís Otávio teve a chance de aprender inglês, alemão, espanhol, italiano, francês e um conhecer um pouco da cultura destes países.

Formação acadêmica 100% européia
A formação acadêmica do Luís Otávio é cem por cento européia. Após seis anos de estudos no Conservatório de Haia e a atuação durante três anos como Orquestra Barroca do Conservatório, Luís Otávio recebeu a graduação máxima da instituição, o "Solist Diploma", o que equivale no Brasil a um mestrado no curso de música.

Caetano, Gil, Titãs e internet
Com tantos instrumentos e referências musicais de época, muita gente pode pensar que Luís Otávio não curte música contemporânea. "Estou aberto à música do nosso tempo, não me fecho", relata. O que ele abomina são as simplificações comerciais, a cultura do videoclipe, onde a música é o que menos importa. As canções de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Titãs são grandes aliadas quando ele quer matar saudade do Brasil. A internet é outra "ponte" que ele lança mão. "Navego muito em sites de jornais brasileiros para saber o que está acontecendo por aqui", conta.

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.