Bello
O traço preciso do humor

Flávia Machado
18/02/02

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Apesar de ser de 98, a charge
continua atual, retratando
a epidemia de dengue no país

A indecisão de Itamar Franco
também continua em debate

Depois do carnaval, a Copa
do Mundo

Trajes afegãos e americanos
em tempos de guerra
O que talvez os jornalistas tenham medo de escrever nos jornais, os chargistas tiram de letra. É dengue para cá, FHC para lá, eleições e ... Tudo é motivo para um desenho bem-humorado, escrachado e inteligente. O cenário político é o preferido. José Bello da Silva Jr, mais conhecido como o chargista Bello, concorda. Com quase 15 mil charges publicadas desde que começou a trabalhar, ele diz que os políticos são um prato cheio. E nem precisa dizer porque.


Autodidata, Bello começou a desenhar caricaturas quando fazia cursinho pré-vestibular. “Passava a aula inteira desenhando”, confessa. Queria estudar Arquitetura, mas como ainda não tinha este curso na UFJF e ele não queria deixar sua mãe sozinha, optou pela Engenharia.


Numa bela semana de Engenharia - uma espécie de mostra de talentos - Bello participou e foi convidado para trabalhar no Diário Mercantil, em 81. Ainda cursando Engenharia, com oito anos de curso e sem se formar, ele resolveu largar a faculdade e se dedicar ao desenho.




De lá para cá, passou por alguns jornais, que assim como o Diário Mercantil, também fecharam. Atualmente, suas charges são publicadas diariamente no jornal local Tribuna de Minas. Além disso, também trabalha bolando logotipos e desenhando cartilhas ilustradas. Enfim, como ele mesmo afirma: “para quem desenha sempre tem emprego.”

Inspiração é o que não falta, diz Bello. Para isso, ele já acorda vendo televisão e antenado com as notícias. Quando bate um ‘insite’, ele senta e faz o desenho, nuns poucos rabiscos que não levam nem 15 minutos para tomarem forma. Quando a inspiração não vem, ele participa da reunião de pauta do jornal para saber o que está rolando de importante.

Nos traços precisos, Bello diz que já se inspirou em Ziraldo, mas que hoje tem suas características próprias, ao mesmo tempo que gosta de variar nos desenhos, não definindo um estilo. Para retratar alguém, ele diz que o mais importante é conhecer o jeito da pessoa. “Às vezes, desenho alguém e não fica tão parecido, pois a caricatura não é a fidelidade da pessoa. Depois é que noto que faltava um tique no traço”, brinca.

Glossário:

    Caricatura: desenho exagerado de pessoas
    Charge: sátira com fatos atuais
    Cartoon: desenho animado ou cartaz, sem contexto

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