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    Jean Massumi
    De Juiz de Fora para a telinha da Globo


    Deborah Moratori
    10/04/03

    Desde que foi eliminado da terceira edição do Big Brother Brasil da Rede Globo, o massoterapeuta Jean Massumi chama atenção por onde passa. Autógrafos, abraços e fotos... Com certeza, a fama de "vilão" acabou junto com o programa.

    De passagem por Juiz de Fora, onde morou por oito anos, Jean esteve na redação do JF Service para conceder uma entrevista exclusiva para a nossa equipe. Falou de suas experiências, da estratégia que usou no Big Brother, do convite para posar nu, da amizade com o Harry... e mais: revelou que foi aluno do Colégio Jesuítas e estudante da UFJF, durante um ano, no curso de Farmácia e Bioquímica. Largou os estudos para abraçar a profissão do pai e ser massoterapeuta. Ele mal sabia que faria tanto sucesso! Para os internautas do Portal JF Service, o "novo artista" deixou um autógrafo de presente. Para imprimí-lo, clique aqui.

    Leia a entrevista e confira o que esse virginiano de fala mansa e sorriso cativante revelou para os seus fãs.

    JF Service - Você diz ter um temperamento explosivo herdado do sangue quente italiano da mãe e quando entrou na casa falou que o seu principal objetivo era não enlouquecer. Durante o jogo você manteve uma postura de observador consciente, não explodiu e nem enlouqueceu. Foi fácil viver confinado numa casa desconhecida com 13 pessoas estranhas que estavam todas disputando um único prêmio?

    Jean Massumi - Não foi fácil. O que acontece é que antes de ir pra casa, a gente fica confinado uma semana no hotel. Essa primeira semana, esse baque inicial pra mim contou bastante. Foi quando eu revi muitas questões da minha personalidade e uma das coisas que eu coloquei na cabeça é que jamais eu poderia ter um problema de relacionamento dentro da casa. Uma situação inóspita, hostil, em que você está longe da família, longe dos amigos, já é favorável a desentendimentos a uma queda na sua felicidade, na sua condição de paz espiritual. E se eu acrescentasse a isso um problema de relacionamento a situação de convivência poderia virar uma bomba relógio. Então eu pensei: "pelo menos eu tenho que me relacionar bem com as pessoas".


    JF Service - Você nasceu em Itapetininga, já morou em várias cidades, na Itália, e passou dois meses e meio no Big Brother Brasil 3. O que esses dois meses e meio têm de diferente das experiências anteriores?

    Jean Massumi - Nasci em Itapetininga, morei em Indaiatuba, morei em Passos, cidade em que o Dhomini nasceu, provavelmente a gente já se cruzou quando era criança. Ele estudou no mesmo colégio em que eu estudava, por três dias só mas estudou, eu lembro do pai dele que tinha uma máquina de sorvete italiano... Depois eu fui pra Porto Alegre, Juiz de Fora, São Paulo, Milão, voltei pra São Paulo... São muito diferentes a casa do Big Brother e os lugares em que morei. Embora o espírito do programa seja de competição, a gente tira muita coisa positiva de lá. Dos lugares em que eu morei eu também tiro muita coisa positiva. Na casa, parece que a situação é artificial, não que os relacionamentos não tenham sido reais, mas você olha lá pra dentro parece que você está num estúdio de televisão, parece uma realidade paralela em que você está vivendo por uns dias. Você congela sua vida ali e depois sai famoso. E esses lugares em que eu morei me ajudaram muito lá dentro da casa em termos de diversidade cultural. Porque lá a gente está convivendo com um monte de pessoas diferentes e se você não tem um ponto de vista aberto pra interpretar aquela diferença, você se choca, se você tem preconceitos, você vai se chocar, e morar fora te ajuda a quebrar esses preconceitos, amplia o seu campo de visão.


    JF Service - Antes de entrar na casa, você chegou a afirmar que não era só a estratégia que contava, mas o que você tinha para passar para o público era mais importante. No entanto, sua postura dentro da casa foi bastante discreta. Você acha que deu mais prioridade às estratégias e deixou de se mostrar para o público?

    Jean Massumi - Eu tive uma dificuldade muito grande de mostrar o meu lado pessoal. Depois que a gente entra na casa, a nossa cabeça muda muito. A estratégia lá dentro é feita a cada semana. Se você tem o seu lado pessoal enfraquecido, demonstrar tristeza, que você está pra baixo, as pessoas podem até usar isso contra você. Então eu procurei manter uma paz de espírito total para não interferir na minha forma de jogar. E quando eu comecei a jogar, a única coisa que me atrapalhou foram as relações pessoais, as afinidades, porque você vai poupando as pessoas com quem você tem maior afinidade, porque elas são fundamentais naquela situação. Imagina você estar lá e os seus amigos vão saindo e não sobra ninguém pra você conviver. Aí fica mais difícil. Então as afinidades me atrapalharam um pouco a jogar. Depois eu deixei claro que eu estava jogando mesmo.


    JF Service - Você acha que de alguma forma, a maneira com que a Globo conduziu o programa e a própria edição de Big Brother Brasil 3 atrapalhou a sua estratégia a partir do momento que deixaram bem claro para o público que você estava jogando e ao montar uma espécie de historinha do bem (Dhomini) contra o mal (Jean)? O próprio Bial, ao vivo, citou "A arte da guerra", seu livro preferido, como manual de instrução e guia de conduta dentro da casa...

    Jean Massumi - Pelo contrário. Algumas pessoas até vem falar, eu ainda não vi todas as fitas, falaram que tinha historinha que eu era o diabinho e tinha o Emílio como raposinha, o Harry... Isso aí está dentro do contexto do jogo, das nossas armações, mas eu não acho que isso tenha me prejudicado. A questão da popularidade é você saber jogar para fora e infelizmente eu tive uma dificuldade muito grande de fazer isso, jogar para o público. Eu preferi jogar lá dentro. O Dhomini, não. Ele jogou pra fora, para o público. Lá dentro ele quase não jogou, pelo menos não com uma estratégia bem específica e aí ele colheu os frutos e eu não, mas eu não me arrependo de ter feito isso e também não acho que a edição da Globo tenha sido decisiva, mas a minha dificuldade de jogar com a opinião pública, sim.


    JF Service - Esse foi o seu maior erro, o motivo principal pelo qual você não ganhou?

    Jean Massumi - Na verdade não foi um erro, porque não é uma questão de você poder escolher entre errar e acertar. É uma questão de você poder demonstrar e não poder demonstrar. E a minha personalidade não permite que eu seja um showman. Não acho que tenha sido um erro. Pode ter sido uma insuficiência tática, técnica, sei lá, se fosse igual a jogo de futebol. Não que tenha sido um erro.


    JF Service - Como você analisa a postura do vencedor do programa?

    Jean Massumi - Esse prêmio foi dado pra quem merecia. O Dhomini foi o cara que jogou pra ganhar mesmo. As pessoas falam que a Elane merecia mais. Aí eu pergunto (quem que merece 500 mil reais? Quem é que precisa de 500 mil pra viver?) Se todo mundo precisasse de 500 mil reais... Aquilo ali não é um prêmio filantrópico. A essência do jogo é você entrar lá, jogar, demonstrar a sua opinião, a sua personalidade e conquistar a opinião pública. Alguns usam as dificuldades como um artifício pra tentar comover, eu acho que isso não é uma boa, por isso eu apreciei muito o jogo do Dhomini. Ele não partiu pra esse lado e ele também é uma pessoa que precisa do dinheiro, mas jamais ele demonstrou isso. Ele foi por um outro caminho, o caminho do jogo mesmo, de jogar com o público. Eu admiro muito isso nele.


    JF Service - Você quase chegou lá, valeu à pena ficar esse tempo todo na casa sem ter saído com os R$ 500 mil?

    Jean Massumi - Sem sombra de dúvida valeu à pena. Ficar famoso é estranho, você entra na casa, já no hotel, parece que você passa pra outra dimensão, você vive uma realidade paralela. Então quando você sai da casa, você está famoso e você não fez nada por aquilo. Você não fez curso de ator, não virou um cantor de rock mundial que faz turnê por aí e, mesmo assim, você sai famoso. E você estava vivendo em uma casa como se você estivesse na sua, dentro daquelas condições adversas, é claro, e no dia que você sai, você está famoso por causa disso. É estranho. "O que eu fiz pra merecer isso?" Eu estava lá jogando, de bobeira... Mas é gostoso e fora isso tem o lado do reconhecimento, aparecem algumas oportunidades de trabalho, então pra mim eu não tenho do que me arrepender de nada...


    JF Service - E daqui pra frente? As propostas novas surgiram? Quais são seus planos? Vai casar, vai posar pra alguma revista feminina?

    JF Service - Eu falei que casaria se eu ganhasse, isso está lá gravado... Inicialmente eu vou me concentrar na minha profissão. Já pintaram algumas ofertas, mas se aparecerem propostas diferentes, de aparecer numa festa, se não for atrapalhar a minha profissão eu vou com o maior prazer. Estão surgindo uns convites, eu nunca tinha pensado nisso, mas eu topo sem dúvida. Só não vou deixar a massoterapia de lado pra depois não ter aquela sensação de tempo perdido. A minha namorada está cuidando do meu telefone lá em São Paulo. Ela me ligou ontem dizendo que recebi uma proposta pra posar para uma revista, mas ela já dispensou de cara. Depois essa mesma pessoa ligou de novo, dizendo que era meu amigo, ele está entrando em contato, mas é lógico que eu não vou aceitar, se eles quiserem me pagar um milhão e meio aí eu posso pensar...


    JF Service - Você sempre foi colocado como o estrategista, o jogador e você mesmo fez questão de deixar isso claro. Isso não atrapalhou um pouco o seu relacionamento com os outros participantes do programa?

    Jean Massumi - As pessoas perceberam que eu estava jogando e eu deixei isso bem claro. Não existia nenhuma rusga, nenhuma questão pessoal, tudo era em função do jogo, um jogo premia uma pessoa só. Então, por mais que eu fosse seu amigo, dentro da casa chega uma hora em que você vai me mandar pro paredão pra você não ir ou eu vou te mandar pro paredão pra eu não ir. Isso faz parte do jogo, é inevitável. E as pessoas lá dentro perceberam isso. Inclusive, a pessoa que mais tinha motivos pra ficar com algum tipo de ressentimento em relação a mim era o Dhomini e a gente já conversou depois da casa, agora a gente tem uma amizade legal. Ele é uma pessoa muito boa, uma pessoa super amável, a gente se encontra direto. Não ficou nenhum tipo de ressentimento com ninguém. A gente está fora da casa e agora é só pensar em amizade. Lá dentro não dava pela questão do jogo.


    JF Service - Ficou alguma mágoa, algum ressentimento em relação a algum dos participantes?

    Jean Massumi - Não ficou mágoa de ninguém. Essa foi a vantagem de adotar a postura que eu adotei. Se você fala que é meu amigo, você está lá na casa comigo, e eu coloco você no paredão, se você interpretar só por esse lado, sem perceber que tudo não passa de um jogo, vai ficar um clima ruim. "Pô, o cara é meu amigo e me mandou pro paredão". Por isso eu deixei bem claro desde o começo "Eu estou jogando mesmo e amizade começa depois que acabar o programa". Lá dentro era impossível porque havia um prêmio em jogo e um prêmio individual. Pra mim não ficou mágoa de ninguém, eu tive um belíssimo relacionamento com todos depois que saímos da casa. O próprio Dhomini ainda dentro da casa falou que não tinha nenhum ressentimento e foi sincero. Quando a gente se encontrou pela primeira vez depois que a gente saiu da casa, a gente se abraçou, a gente pediu desculpas um para o outro, foi até meio comovente e ali não tinha câmera, não tinha nada, ninguém estava atuando. Ele estava demonstrando o que ele estava sentindo mesmo o que mostra que eu também consegui passar que eu estava jogando e que não era nada pessoal.


    JF Service - Com qual participante você mais se identificou? Parece que dentro da casa surgiu uma amizade entre você o Harry...

    Jean Massumi - Sem dúvida eu me identifiquei bastante com o Harry e se bobear ele aparece por aqui. Ele mora em Teresópolis e ele me falou "quando você for pra Juiz de Fora, você me dá um toque". Quem sabe ele não aparece por aqui por esses dias? A fama de Juiz de Fora já está conhecida no Brasil inteiro. Em relação às amizades, tem também o Álan, o Emílio e a Juliana. A única que ficou meio receosa foi a Elane. Depois que ela saiu da casa, ela ficou um pouco distante. Eu até cheguei a conversar com a família dela pra explicar que eu estava jogando e eles não poderiam interpretar a minhas atitudes como traição. Eu a considero demais, acho que ela precisa muito desse dinheiro, mas não é por isso que eu vou admirar a postura dela no jogo.


    JF Service - Qual foi a experiência que mais marcou dentro da casa?

    Jean Massumi - O carnaval foi uma das experiências que mais me marcaram. Foi uma experiência que eu não vou esquecer jamais. Vou contar essa história para os meus netos e bisnetos se eu viver até lá. Eu e a Vivi saímos da casa, entramos em um carro fechado, nós não víamos nada que estava do lado de fora, não podíamos conversar com o cinegrafista e então a gente chega lá. E a gente estava na casa há um mês e meio, sem ver ninguém e, de repente a gente vê uma multidão... Aí a gente foi pro camarote, eu vi umas pessoas acenando e pensei "Será que é pra mim?". Aí eu acenei e as pessoas me respondiam. Eu mostrei pra Vivi e falei "Faz pra você ver, é verdade" e aí a galera toda dando tchau. E quando a gente foi pro carro, não dá nem pra contar. Quando você entra na avenida as pessoas começam a tirar foto e foi tão rápido e eu com medo de demorar muito e quando acabou eu pensei "Já acabou?". Foi uma coisa inenarrável...


    JF Service - O que mudou na sua vida depois de ter vivido a experiência de um BBB3? Dá pra andar na rua tranqüilo?

    Jean Massumi - Mudou tudo. "O que era minha vida?". Minha vida era: eu saía de casa, ia trabalhar, de casa pro trabalho, do trabalho às vezes ia jantar fora. Essa era a minha vida que até agora não consegui recuperar. Não consegui trabalhar, não consegui ir pra São Paulo, desde que eu saí da casa, eu estou no Rio e eu vim pra cá porque a minha mãe me seqüestrou. E eu saí da casa onde eu estava lá jogando e agora eu fiquei famoso. Ontem eu estava andando pelo Calçadão, as pessoas olhavam assustadas, ninguém chegava perto, achei até que a minha popularidade estava em baixa. Até que parou uma menina e aí, de repente, juntou uma multidão e eu fiquei mais de meia hora dando autógrafo. As pessoas vem falar comigo como se eu fosse amigo íntimo, é engraçado. Nesse jogo nós não somos atores, alguns atuaram lá, mas não são profissionais, a gente vive lá a vida comum que todo mundo vive e as pessoas têm acesso a isso e escutam a gente falando dos nossos problemas, aflições, decepções, alegrias e têm a impressão de nos conhecerem há muito tempo. E vêm falar comigo, na maior intimidade, aí a gente conversa... Os participantes do Big Brother, pelo fato de não terem uma aura de celebridade que um ator tem, são pessoas comuns, reais, vivendo a vida delas como todo mundo. Então as pessoas se identificam, "Pô, esse cara é igual a mim". O assédio é até maior por causa disso.


    JF Service - O que você tirou de mais positivo da vivência do Big Brother Brasil?

    Jean Massumi - Todos os problemas entre as pessoas se devem à falta de comunicação e a uma má interpretação. Se você consegue superar isso, se você consegue enxergar o outro lado da moeda, se você se colocar no lugar do outro sempre, eu acredito que 98% dos problemas entre as pessoas conseguem ser resolvidos. Isso foi muito importante pra mim. A gente sabe disso, mas nunca coloca em prática e lá você tem que colocar em prática até por uma questão do próprio jogo.


    Imprima também o autógrafo do Jean!

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    Fotos retiradas do site do Big Brother Brasil
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