Sueli Costa
Compositora fala das influências, de Juiz de Fora e da MPB

Ana Luisa Damasceno
20/01/04

Ouça trechos de três canções da compositora Sueli Costa. Clique nas imagens ao lado para ouvi-las!

Ouça! Ouça! Ouça!

Qual compositor não gostaria de ter suas músicas gravadas por grandes nomes da MPB, como Elis Regina, Nara Leão, Fagner e Nana Caymmi, entre outros? Sueli Costa pode se orgulhar disso. A compositora carioca, que cresceu em Juiz de Fora, tem vários sucessos gravados e o nome escrito na história da Música Popular Brasileira.

A mãe era professora de piano e influenciou profundamente a musicalidade de Sueli. "A música era uma linguagem dentro da nossa casa, além de subsistência. Minha mãe foi o primeiro músico profissional que eu conheci".

Depois, aos 17 anos, Sueli compõe a primeira canção, "Balãozinho". Mesmo sentindo que a vontade de viver de música era muito forte, a compositora arriscou uma faculdade e cursou cinco anos de Direito. Quando estava perto de se formar, fez as malas e se mudou para o Rio de Janeiro. Aí começa a sua carreira. Sueli compõe e canta. Só para citar um exemplo: João Bosco e Aldir Blanc (foto ao lado) produziram um de seus discos.

Suas músicas foram gravadas, nas décadas de 70 e 80, por grandes nomes da MPB. Sueli afirma que esse período foi importante para a música brasileira. "Sou da turma que apareceu nos anos 70. Foi um momento maravilhoso na música brasileira, quando apareceu a MPB, feita pelos filhos da bossa nova. A música virou um negócio rentável, assim como aconteceu com o Futebol..."

Só que agora o esquema para a música brasileira é outro. Ela conta que várias cantoras não tiveram seus contratos renovados nos últimos tempos. Sueli Costa, que também é cantora, gravou um disco independente. "Vendi em vários países: Suécia, Finlândia... Aqui no Brasil algumas lojas se interessaram e venderam bem o CD. Acho que valeu, valeu mesmo".

A arte e o dom para compôr
Para Sueli Costa o processo de composição não é uma rotina. "As canções não marcam hora. Às vezes, você fica gestando uma música, num bar, caminhando na Lagoa, no supermercado, no trânsito, no tanque e na cozinha. A música tá lá, fica te cercando, e, um dia, ela aparece. Às vezes, ela está tão perto que se aparecer alguma encomenda, ela sai correndo". Um dos seus maiores sucessos, "Vinte anos blue", nasceu durante uma viagem a Juiz de Fora, dentro do ônibus. Sueli conta que a música é uma presença constante em sua vida, algo em que sempre pensa.

O último trabalho como cantora foi "Minha arte", disco independente de 2000. Sueli também foi homenageada por Lucinha Lins, que gravou um disco só com suas composições, em "Canção Brasileira". "Esse CD foi uma linda homenagem que eu recebi em vida. Participei das gravações e o arranjador, Gilson Peranzzeta, fez questão de respeitar as minhas harmonias".

Quando é perguntada por que sua obra é essencialmente feminina, a resposta é firme. "Não acho que tenham influenciado a minha música, 'o lado feminino'. Você já ouviu 'Jura Secreta' com o Fagner? "A gravação dele está bem longe do universo feminino, bem representado na gravação da Simone". Sueli prefere que sua arte seja para todas - e para todos.

Saudades de Juiz de Fora
Mesmo vindo sempre a Juiz de Fora, Sueli Costa não esconde a saudade que sente da cidade. As visitas se espaçaram um pouco, depois que a mãe morreu, há um ano. "Quando vou aí a coisa dói demais". Mesmo assim a compositora não descarta uma volta à cidade, para ficar. "Sei que vai chegar uma hora que eu vou ter que dizer que nem Tim Maia: eu quero sossego".

O maior problema, segundo ela, é não ter mais a vista da Lagoa Rodrigo de Freitas todos os dias.

Veja a discografia de Sueli Costa


Sueli Costa - 1975

Sueli Costa - 1977

Vida de Artista - 1978

Louça Fina - 1980

Íntimo - 1984

Minha Arte - 2000

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