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    Marilza Limas Wilson
    Escritora juizforana, residente na Suíça, lança livro de mistério e terror, com pitadas de paranormalidade e drama

    Chico Brinati
    Repórter
    13/09/05

    Nascida no bairro Fábrica, "no seio de uma família simples, mas com pretensões", filha de um mecânico com uma dona de casa, a juizforana Marilza Limas Wilson, hoje, é uma escritora de renome internacional. Autora do livro "Com quem está falando Marie Louise?" (um thriller de mistério e terror, com pitadas de paranormalidade e drama), ela respondeu às perguntas da equipe da ACESSA.com por email, diretamente da Suíça. Conheça um pouco sobre essa juizforana:

    ACESSA.com - Marilza, você é juizforana e saiu daqui para viver na Europa. Como era sua vida em Juiz de Fora? Tem alguma lembrança boa da cidade natal?
    M. L. Wilson - Várias. Algumas ficaram realmente na memória. Do casamento da irmã mais velha, a tia e primas me passando de colo em colo, chamando-me por um apelido adocicado de criança. Deveria ter uns dois anos na época. Recordo-me ainda da minha mãe estufada como um bolo fofo, corrigindo-me a leitura que fazia em voz alta dos anúncios comerciais do bonde que ia para a fábrica. Ela dizia aos passageiros sentados ao lado: "ela só tem cinco anos, mas já sabe ler". Certa vez, eu quebrei um galho de rosa do pé do jardim do Museu Mariano Procópio, para levar a uma professora do Grupo Antônio Carlos. Na ocasião já morávamos no Bonfim. O jardineiro aborrecido seguiu-me até a escola e se queixou, naturalmente. A diretora ouviu a reclamação displicente, enquanto, a professora que recebeu a rosa fez um escândalo danado, mandou até chamar a minha mãe.

    ACESSA.com - Por que você foi para a Suíça?
    M. L. Wilson - Sempre quis morar na Europa, a cultura, a independência me atraía. Principalmente a cultura italiana me despertava enorme interesse. O Brasil era um país que estabelecia limites às mulheres, após viver nele um determinado tempo, a necessidade de se estender além, aparecia. A Europa vive em eterno movimento, é o centro dos acontecimentos. Quando cheguei na Suíça em 1977, encontrei o país das maravilhas. Pegava-se num jornal hoje, e dizia: "amanhã eu vou começar a trabalhar". Indiferente ao país de origem, tudo se arranjava imediatamente, sem problemas. Quando íamos embora da firma, o patrão ficava zangado conosco, em razão de não ter outro para colocar no lugar. Observando ainda, que nessa ocasião o povo suíço ainda gostava de nós. Éramos recebidos de braços abertos. Hoje em dia, por causa do tipo de brasileiros que invadiram a Suíça, a situação mudou.

    ACESSA.com - Como a literatura entrou na sua vida?
    M. L. Wilson - Eu li um livro, que acredito que quase ninguém leu. Parece incrível, tinha apenas nove anos. Nessa idade, já fazia perguntas a respeito da morte. Freqüentava enterros, velava os mortos da vizinhança a noite inteira e passeava pelos cemitérios. Um dos meus preferidos era aquele da entrada e saída da cidade. Conhecia quase todas histórias de assombrações contadas no interior. Na Suíça, os defuntos não são cuidados em casa, em Juiz de Fora, antigamente, sim. Criava-se um laço profundo em relação ao morto. Desenvolvi uma imensa curiosidade a respeito. Certo dia, sentada no jardim do Museu Mariano Procópio, (eu gostava de passear lá) refletia profundamente a respeito do sofrimento e da morte, quando olhei ao lado e encontrei um livro no banco. Chamava-se "A Dor Suprema de Victor Hugo". Uma obra de difícil leitura para a criança que eu era. Embora não seja dada a crendices, o achado constitui um mistério até hoje. Como fora parar justamente ali, no momento em que meu cérebro bombardeava-me com perguntas? Certamente eu compreendi pouco a respeito do tema na ocasião. Contudo, se abriu uma porta mostrando-me uma palavra desconhecida: reencarnação. Assim a literatura entrou na minha vida.

    ACESSA.com - Quais são as suas influências literárias?
    M. L. Wilson - É difícil responder. Meu conceito sobre literatura é um emaranhado de influências. Gosto de uma infinidade de autores, clássicos ou modernos. Desconheço o preconceito, seja de época ou nacionalidade, inclusive gênero. Alguns certamente contribuíram, ainda irão colaborar fornecendo parcelas de sua genialidade no meu modo de criar, sentir a literatura, enraizando-a no perfil do meu ideal. A obra máxima de D.H. Lawrence, "Mulheres Apaixonadas", desempenhou uma espécie de chave de ouro, influência decisiva. Talvez, dado ao fato de ter sido lido cedo por mim. A linguagem saborosamente bem delineada, romanesca e eloqüente, entusiasmou-me. Numa época de intelectuais, Birkin foi meu primeiro inconformista. A necessidade de novas dimensões de sentimentos encontrada nele, incentivou-me a buscar o incomum, emprestando-me bastante liberdade na arte de ser. Lawrence, paralelo a diversos autores, comprova que grandes romances jamais precisam necessariamente desenvolver seus enredos em grandes cidades. Concedo, também, uma atenção especial à literatura russa. É uma das minhas preferidas. Alguns títulos são tão sugestivos (Almas Mortas, Os Demônios, O Idiota), é difícil resistir à tentação. Dostoiévski mostrou-me o inferno. A paixão, o desespero dos seus personagens pode levar-nos ao êxtase. Na literatura da língua inglesa, começo com Shakespeare. Escritores da categoria de Henry James ocupam um espaço de destaque nas minhas estantes. Examino freqüentemente suas obras. Tenho afinidade com Edgar Allan Pöe. Sentimos o mesmo interesse mórbido, um fascínio especial pela morte e o mundo sobrenatural. Existe ainda a maravilhosa literatura francesa. Enfim, o universo esta repleto de gente criativa, precisa-se realmente ser forte. Do contrario cairemos nas suas influências. Contudo, é certo que seguirei o meu próprio estilo. Não desejo compromissos com gêneros, sequer monumentos. Apenas aquele de escrever cada vez melhor, se possível. Afinal, a prática faz o mestre.

    ACESSA.com - Você escreveu um livro que os críticos chamam de "470 páginas que incomodam", pelo alto grau de perversidade, suspense...
    M. L. Wilson - Penso que meus amigos críticos assustaram-se demais. Não esperavam, certamente, que uma mulher pudesse escrever um livro de tamanha ação e suspense, ainda por cima brasileira e mineira. Mesmo na América do Norte, este gênero pulsante de thriller costuma ser exclusividade masculina. O homem geralmente apavora-se ao perceber a criminalidade e violência que certas mulheres podem desenvolver, mesmo sendo apenas mental. A perversidade em Marie Louise não é espontânea e animal, mas calculada, fruto de um caráter humano degenerado, cuja cobiça desconhece limites. Nada perdoa, sequer os inocentes. É a intenção primeira do livro, apontar a decadência dos valores morais atuais, não apenas masculino, igualmente feminino. Marie Louise incomoda sim.

    ACESSA.com - Esse tipo de literatura é escasso entre os autores brasileiros, são poucas as obras nesse estilo. A quê você atribui isso?
    M. L. Wilson - Pessoalmente nunca soube da existência de uma obra neste estilo, mas gostaria de conhecer alguma. Temos notado no nosso site, que o brasileiro sequer se atreve a tentar escrever o livro de mercado. É medo naturalmente, ainda orgulho e falta de informações. Verificamos na internet, não encontramos cursos no Brasil e sites que orientassem a escrever livros do gênero de Best-Seller internacional. Programamos um para poder ajudar, faríamos um exame geral de várias obras importantes, esclarecendo estruturas e métodos usados, começando por cima. Autores como Thomas Harris, Umberto Eco, David Seltzer, Mario Puzo etc. Recebemos uma quantidade enorme de e-mails de novos escritores, a maioria com nível de instrução superior e boas idéias. Contudo, despreparados totalmente, tivemos que descer ao nível humilde de "Um Morto ao Telefone", de John LeCarre, o pior livro que ele escreveu. O problema primeiro chama-se orgulho e vaidade. Muita gente acredita que diplomas fazem um autor, certamente ajuda. Mas fosse o caso, todo professor de literatura seria um escritor. Desse modo, nos vimos confrontados com a famosa frase de Vince Lombardi: "Todos possuem a vontade de vencer, mas poucos possuem a vontade de se preparar para vencer".

    ACESSA.com - O que te levou a escrever "Marie Louise"?
    M. L. Wilson - Faço parte de um grupo de autores que se reúne faz anos na Suíça. Quase todos moram na Europa, principalmente nos países alemães. No início ignoramos a questão, mas depois começamos a nos preocupar e a debater sobre a obscuridade dos brasileiros no mercado de livros mundial. Resolvemos, então, seguir uma linha de "produção" de Best-Seller. Houve muita gente audaciosa, que via no ramo internacional um futuro promissor, propondo até que escrevêssemos o gigante de mercado, aquele livro que arrecada 25 milhões de dólares pelos direitos de ser filmado na América. Respirando fundo, começamos a trabalhar nas obras.

    ACESSA.com - Qual foi a sua inspiração? Foi baseada em alguma situação de sua vida?
    M. L. Wilson - Alguns anos atrás, surpreendi a Christina Onassis saindo de uma joalheria em Paris, na Praça Vendôme com a pequena Athina Onassis na época. Ao ficar decidido definitivamente que escreveríamos o livro de mercado, estava sem a menor idéia sobre o tema abordar. Na mesma semana encontrei uma foto da menina numa revista alemã, quando era criança e perguntei-me: o que teria acontecido se ela tivesse perdido também o pai, rica como era? Assim nasceu Marie Louise, que dela tem apenas a riqueza.

    ACESSA.com - Ele foi escrito originalmente em qual língua? Num site de vendas pela Internet está como literatura estrangeira...
    M. L. Wilson - Provavelmente esta havendo um mal-entendido, dado ao nome supostamente estrangeiro, mas Wilson é internacional (no livro ela assina M. L. Wilson). Ele foi escrito em português. Todos nós já tentamos escrever em alemão, idioma que nos facilitaria a lançar um livro aqui. Conhecemos editores, temos amizades nos jornais, a dinâmica de trabalho é completamente outra, no Brasil tudo é difícil.

    ACESSA.com - É o seu primeiro livro? Está planejando escrever outro? M. L. Wilson - Marie Louise foi o primeiro a ser lançado, numa tiragem independente por ser o mais simples. Mas tenho outros dois escritos que precisam de uma adaptação na Inglaterra. Na Suíça falta o palco de ação necessário para o enredo. Estou na dependência de encontrar uma editora para Marie Louise no Brasil, para poder passar uma temporada na Inglaterra. À distância é impossível ficar cuidando dele, dificulta muito o processo de divulgação e livraria.

    ACESSA.com - Fale um pouco do livro.
    M. L. Wilson - Marie Louise foi escrito na categoria de policial de horror e suspense, o tema tem prioridade no cinema atual americano. O sucesso de "O Exorcista" e "A Profecia" abriu várias portas. A Suíça como um país montanhoso oferecia o cenário ideal para a estrutura do livro, algo indispensável numa categoria de mercado que todos propõem escrever. Lembrando ainda que, quem trabalha e depende do emprego para sobreviver, é importante não precisar se mover do lugar onde mora. Esse é um dos maiores problemas encontrado por meus amigos nas suas obras, e nas minhas duas primeiras. Assim, trabalhei simplesmente na mesma idéia de Stephen King, ele deveria ter tido pouco recurso financeiro ao escrever "O Iluminado". Contudo, ele criou uma estrutura simples no livro, que poderá facilitar a primeira obra de vários autores. Marie Louise é sim, superior. Mas deve-se ao fato de seu sistema ter servido de modelo para o meu, auxiliando-me. No momento, vários amigos pretendem usar Marie Louise como exemplo. Entretanto, devem considerar que o molde vem do Iluminado.

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