Juiz de Fora - MG

"Eduardo e Aécio vão ter que marcar suas diferenças"

Presidente estadual do PSB, o deputado federal Júlio Delgado explica como vem sendo articuladas as ações do partido dentro do cenário eleitoral de 2014

Eduardo Maia
Repórter
12/05/2014
Júlio Delgado

Terceira personalidade política entrevistada pela ACESSA.com, o deputado federal Júlio Delgado (PSB) traça um panorama do seu partido dentro do cenário eleitoral de 2014. Além das articulações que vêm sendo estabelecidas nos cenários estadual e nacional, o presidente do PSB mineiro fala ainda sobre seu trabalho na Câmara dos Deputados e faz duras críticas à administração do prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira (PMDB).

ACESSA.com - O senhor ganha destaque na relatoria do caso André Vargas (PT). Como está sendo a condução dos trabalhos que levam ao processo de cassação do deputado?

O relatório do caso foi aprovado por 13 votos a 0 na Comissão de Ética da Câmara. A votação foi unânime. Agora ele vai para o deputado para que ele seja citado. Se ele se recusar a receber, a gente passa para a publicação no Diário Oficial da Câmara. Ele já foi citado duas vezes e na segunda-feira, será citado com data e hora marcada. Começa a contar o prazo para defesa de 10 dias. Estamos aguardando o deputado apresentar a sua defesa com relação aos fatos apresentados na representação. A tática escolhida pelo deputado é protelatória, ele quer estender o processo. Ele só vai fazer com que a sangria continue sobre ele, colaborado por companheiros do PT. E apesar da gente que dizer que ele saiu do PT, o PT não saiu dele.

ACESSA.com - E de que forma isso impacta a imagem do PT?

O processo está estendendo. Se passar a Copa do Mundo e chegar o período eleitoral, será prejudicial. É uma questão de avaliação dele. Se ele estender, ele só coloca o prazo para frente. Eu acredito que vai passar a Copa, o recesso parlamentar e vamos entrar no segundo semestre votando o caso da André Vargas.

ACESSA.com - Há mais pessoas envolvidas neste caso a partir das investigações da Polícia Federal?

Com relação a isso, tenho que me ater ao deputado André Vargas. Mas fui escolhido pelo meu partido para integrar a CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] da Petrobras e eu posso dizer que há mais nomes envolvidos.

ACESSA.com - Entrando na pauta eleitoral, vamos falar sobre a aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva. Até onde se pretende levar o pacto de não agressão com o candidato Aécio Neves (PSDB)?

Na semana passada, esse pacto de não agressão já apresentou problemas. Antes não existia uma possibilidade de segundo turno sem Dilma. Hoje isso não é tão certo. Eles vão ter que marcar suas diferenças logo no primeiro turno, para chegar ao segundo. As últimas três pesquisas mostraram uma queda da Dilma e a ascensão dos dois candidatos, o que demonstra um sinal positivo nesta expectativa de mudança. Apesar disso, todas elas mostraram que o grau de conhecimento do Eduardo ainda é pequeno. Mas ele apresenta um percentual de 11 a 12%, que deixa para nós uma expectativa para fugir da polarização PT - PSDB. Mostrar outras formas de traduzir o sentimento de uma parcela da sociedade brasileira que quer mudança.

ACESSA.com - O PSB pretende trabalhar a imagem de Marina e Eduardo de forma unificada?

Vamos trabalhar para demonstrar que há uma simbiose. A Marina pega pelo sentimento forte de sustentabilidade, enquanto o Eduardo pelo poder de diálogo. O mais forte dos dois é a capacidade sintetizarem e se somarem. São oriundos da luta, Eduardo é nordestino e Marina é nortista, mas que tem um apelo nos grandes centros pela mudança. Marina teve um bom desempenho nas capitais e isso faz com que a gente tenha muita expectativa.

ACESSA.com - Mas não há um risco da imagem de Marina se sobrepor à de Eduardo?

Acho que não. Marina tem uma personalidade forte, mas a personalidade de Eduardo é tanto quanto. Resta a questão de conhecer. O Eduardo foi um governador exitoso, o que prova e atesta o seu trabalho. Saiu com 89% de aprovação, índices maiores que o de Lula no país. O Brasil vai ver que ele está muito preparado para fazer junto com Marina as transformações que uma boa parcela da sociedade está rejeitando dessa classe política tradicional, essa dicotomia dos últimos 30 anos.

ACESSA.com - Os apoios fechados nos estados não vão na contramão dessa proposta?

É uma tendência, mas isso ainda não está fechado. O prazo final são as convenções estaduais, que devem ser realizadas até o dia 30 de junho. Vamos estar no auge da Copa do Mundo. Ainda vamos ver se as conversas vão evoluir ou não. Aqui em Minas, temos a tendência de continuar numa aliança que já existia. Participamos dos governos Anastasia e Aécio, não dá pra negar. Uma questão de coerência é um grupo que quer lançar uma nova candidatura e outro que quer manter essa aliança, até para beneficiar e facilitar as coligações proporcionais.

ACESSA.com - Há conflitos de integrantes da Rede para a formalização das redes nos estados?

Em alguns estados, mais fortes que outros, principalmente aqueles que são estados síntese dentro do processo eleitoral, como Minas e São Paulo. Em outros isso vai acontecer dentro da normalidade. Todos nós temos consciência que é fundamental para o processo nacional ter um bom desempenho no sudeste. Em função disso, temos que fazer o arranjo em cima dessa articulação.

ACESSA.com - Sobre a pré-candidatura de Apolo Heringer ao Governo Minas, lançada por Marina Silva, o PSB está unificado em torno deste nome?

A candidatura do Apolo que foi apresentada pela Marina, mas que ela ainda não veio defender, é uma candidatura que pode prosperar, mas está restrita a um segmento da Rede que conseguiu vir para o PSB. Grande parte do PSB, que democraticamente eles vão ter que ouvir também, pensa em fazer parte dessa aliança em Minas ou até uma nova candidatura que não seja o Apolo, que seja dos quadros do PSB.

ACESSA.com - No caso de manter o apoio ao candidato do PSDB, como seria? De quem será o palanque presidencial?

A intenção é fazer com que a nossa chapa proporcional de deputados estaduais e federais para garantir um palanque para o Eduardo e a Marina. Em 2010, acharam que a Marina teria que ter em Minas um candidato a governador pelo PV. Ela teve 20% dos votos em Minas e o candidato a governador teve 1%. Não foi necessário um palanque de governador para Marina tivesse uma votação expressiva. O palanque, por ser do PSDB, é do Aécio. Assim como o palanque do PSB em Pernambuco será do Eduardo Campos. É muito difícil um contexto de agenda, que coincida de estarem no mesmo estado ou na mesma cidade. A gente tem ainda que conversar para ver como vamos proceder.

ACESSA.com - Houve um tipo de acordo para estabelecer esses palanques em Minas e Pernambuco?

Houve uma simetria. Participamos dos governos Aécio e Anastasia. Não foi nos dado cargos agora para poder fazer isso. Em Pernambuco, o PSDB foi chamado para integrar o governo. Não foi fechado um acordo desse tipo. E estabelecer uma relação de reciprocidade é perfeitamente normal. Mas isso ainda não está cravado e consolidado ainda.

 

ACESSA.com - Uma questão levantada nos últimos dias pela imprensa foi um trecho do manifesto de fundação do PSB que trata sobre a igualdade em relação à propriedade. O partido pretende alterar o trecho para se adequar às novas diretrizes?



ACESSA.com - Como o senhor avalia a administração do prefeito Bruno Siqueira (PMDB)?

Depois que passa o período da lua de mel, vem os problemas e começa a passar o período de tolerância. O povo de Juiz de Fora tem que mostrar a sua insatisfação, com relação à falta de experiência, falta de pulso, muita conversa e pouca ação, um descaso tremendo com a área da saúde. A população não pode pagar pelo desconhecimento administrativo de boa parcela da equipe que está na prefeitura.

Eu não entro no campo da ordem ética e moral, mas algumas pessoas que rondam a prefeitura que podem manchar a administração de uma vez por todas. É preciso ficar atento a quem está rodando a prefeitura com interesses que não são éticos e republicanos. Eu acho que a gente tem que começar a demonstrar a nossa preocupação.

Apoiamos uma candidata que hoje tem um membro na administração, o Flávio Cheker, e eu digo claramente que nós temos a diferenciação de fazer isso. O PSB não será a opção de candidatura da atual gestão, que tem demonstrado em suas ações quais serão os candidatos que apoiarão em 2014.

Independente disso, tenho feito meus esforços para continuar ajudando a cidade, na área de saúde, cultural, infraestrutura. Nós estamos encontrando grandes dificuldades, que a atual gestão não queira ser ajudada em alguns setores que precisaria estar mais bem assessorada.

ACESSA.com - Na sua opinião, quais os setores mais críticos?

O setor de saúde é um caos total, abandono, descaso. Falta gente para fazer projeto, falta de pulso nas decisões, que são colocadas e retiradas por chantagem de quem quer que seja. Isso não é próprio de quem quer conduzir uma cidade do porte de Juiz de Fora. Estamos perdendo espaço no cenário mineiro, no cenário nacional. Estamos perdendo oportunidades de empresas que poderiam investir aqui. A cidade não pode ficar sendo reduzida à construção de pontes, para atenuar o problema da linha férrea. Fazer mais uma ponte e demorar dois anos. Tem que ter um prefeito que vai na frente e puxa. Isso é pulso. O problema não são as pontes, mas a linha férrea. A cidade precisa chamar a responsabilidade.

ACESSA.com - O PSB estaria disposto a disputar a prefeitura em 2016?

O PSB é sempre uma opção. Tem demonstrado claramente que ao ser uma opção real para 2014, a gente pode deixar claro que talvez seja um não mineiro, mas um pernambucano que possa fazer, pelas relações que tem um projeto que possa fazer muito mais por Minas Gerais. Juiz de Fora estará neste contexto, é um projeto nosso de fazer melhor. E só virar as costas para essa política arcaica, superada, de 30 anos, tirar essa velhice e colocar o novo.

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