Juiz de Fora - MG

Terça-feira, 22 de setembro de 2015, atualizada às 09h15

Vereador Castelar é preso em flagrante por ameaçar de morte deputado Noraldino

O vereador Wanderson Castelar (PT), 51, foi preso em flagrante na noite da última segunda-feira, 21 de setembro, na Câmara Municipal de Juiz de Fora, após ameaçar de morte o deputado estadual e ex-vereador da cidade, Noraldino Junior (PSC), 39. A Polícia Militar (PM) foi acionada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Mattos (PSDB).

Segundo o boletim de ocorrências, Noraldino fazia uma visita à Casa Legislativa e, quando iria cumprimentar Rodrigo Mattos, foi surpreendido por Castelar, que o agarrou pelo braço, o ameaçou de morte, de agressões físicas e ainda proferiu palavras de baixo calão. As ameaças teriam sido testemunhadas pelos vereadores Ana Rossignoli (PDT), Chico Evangelista (PROS), José Emanuel (PSC), Léo de Oliveira (PMN) e Oliveira Tresse (PSC), além de uma funcionária da casa, segundo o documento.

Por outro lado, Castelar alega que, ao notar a presença de Noraldino na Câmara, foi em sua direção, o agarrou pelo braço e questionou as ações do grupo político do deputado contra ele, mas negou a ameaça de morte. O petista disse aos policiais que foi Noraldino que o chamou para a briga na sala dos vereadores, e que, após isso, teria agido de forma áspera, mas contida, sem maiores desdobramentos.

Enquanto voltava para seu gabinete, Castelar disse ter sido provocado por um homem de 57 anos, que é irmão do vereador José Emanuel, e questionou quem seria aquela pessoa e que cargo ele ocupara na Casa Legislativa. Mas, segundo o homem, Castelar foi em sua direção, o ameaçou de agressão e usou palavras de baixo calão contra ele. O fato foi presenciado pelos vereadores Antônio Aguiar (PMDB), Dr. Fiorilo (PDT) e Dr. José Laerte (PSDB). Castelar foi preso em flagrante por ameaça e, após uma longa negociação entre policiais e advogados, foi conduzido à delegacia no carro do legislativo. Ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado. A cópia do boletim de ocorrência será encaminhada à Câmara e à Assembléia Legislativa. O caso poderá ser investigado pela Comissão de Ética e do Decoro Parlamentar, presidida por Fiorilo, em Juiz de Fora.

Histórico

Essa não é a primeira vez que Castelar foi detido durante o mandato 2013-2016. Em março de 2014, o petista foi conduzido à delegacia por supostamente agredir um policial após uma ordem de parada. Relembre o caso.

Já em relação ao conflito envolvendo o parlamentar estadual e o vereador, a rixa vem desde as eleições para deputado estadual de 2014, quando os dois concorreram e apenas Noraldino se elegeu. O problema se agravou durante a eleição para a Mesa Diretora, em dezembro de 2014. Castelar foi repudiado por um grupo articulado por José Emanuel, que herdou a vaga de Noraldino, já que o PT determinou que o partido apoiasse a vereadora Ana Rossignoli para presidente da casa, preservando assim a oposição à candidatura de Rodrigo e Castelar não apoiou, justificando que discordava de posicionamentos anteriores da vereadora.

Após Emanuel assumir, durante várias reuniões, ele e Castelar trocaram farpas, principalmente com o petista acusando o sindicalista de ser funcionário do deputado na Câmara. Em julho, o PSC chegou a protocolar uma denúncia contra o petista por quebra de decoro parlamentar após Castelar chamar Noraldino de "trapaceiro" em Plenário, mas o caso não chegou a ser apreciado.

Notas

Em suas respectivas redes sociais, os políticos se defenderam. A assessoria de Noraldino disse que "testemunhas relatam que o deputado foi agredido pelo vereador Wanderson Castelar, que o agarrou pelo braço e começou a gritar e proferir ameaças. No início os presentes acreditaram tratar-se de uma brincadeira, dado o tom surreal da agressão gratuita. Entretanto, esta primeira impressão logo passou, e as pessoas tentaram conter o agressor. Se tratava de mais um dos conhecidos surtos do famigerado vereador, que tem em seu histórico outros casos de agressão. A Polícia Militar foi chamada pelo policial que presta serviço à Câmara. O sargento responsável alegou que não haveria possibilidade de fazer o boletim de ocorrência na delegacia, e estão todos até agora no prédio, onde as testemunhas estão sendo ouvidas. O vereador chamou seu advogado, e estão os dois tentando argumentar para que não seja dada voz de prisão. No entanto, a cena revoltou os presentes, e esperamos que o fato de vereador não signifique nenhum privilégio ao cidadão, já que a lei é igual para todos".

Em nota, o petista se disse tranquilo em relação ao caso e questionou a presença do deputado na cidade. "O vereador promete questionar a atuação da Polícia Militar, agindo ao arrepio da lei e da Constituição Federal, que assegura imunidade a parlamentares em todos os níveis, e levar denúncia à Assembleia Legislativa, pedindo a abertura de processo por quebra de decoro contra o deputado. "Além da conduta inadequada, o deputado deve explicar e provar porque estava em Juiz de Fora, quando devia estar na Assembleia, trabalhando pelo povo que paga seu salário, Se estava de licença médica, devia estar no médico ou em casa se tratando, não na Câmara criando confusão", provoca Castelar. Quanto ao testemunhos dos vereadores, Castelar não acredita que eles tenham endossado a versão mentirosa do deputado. "Salvo aqueles que pertencem ao seu grupo político, os demais vão reproduzir aquilo que, de fato, viram. Estou tranquilo em relação a isso".

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