Quarta-feira, 7 de abril de 2010, atualizada às 19h

Automedicação agrava quadro de pacientes com sintomas de dengue

Daniele Gruppi
Repórter

É comum a população se automedicar aos primeiros sinais de dores no corpo ou de cabeça e também quando está com febre. Entretanto, estas manifestações do organismo são os primeiros sintomas da dengue, e, se a medicação tomada não for correta, o quadro da doença pode se agravar.

Segundo o pediatra, infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Mário Novaes, medicamentos derivados do ácido acetil salicílico, como AAS e aspirina, devem ser evitados. "Estes remédios podem causar sangramentos, já que a plaqueta do paciente está baixa e o medicamento reduz a coagulação do sangue."

O uso de antiinflamatórios deve ser restringido, pois estes também podem aumentar a tendência hemorrágica na dengue. Novaes afirma que toda medicação errada pode provocar complicações e até causar a morte. "Toda sintomatologia deve ter o acompanhamento de um profissional."

Somente o médico pode diagnosticar a doença provocada pela picada do mosquito Aedes aegypti, pois ela é, frequentemente, confundida com patologias, como amidalite, rash cutânea, doenças exantemáticas e até com sinusite. Por isso, a importância de se procurar um especialista. "Se a febre aparecer e se prolongar por mais de 72 horas sem que haja um foco real, pode-se pensar em dengue e ficar bem atento."

Para iniciar a abordagem da dengue, o recomendado é a ingestão de líquido. Em caso de febre, devem ser tomados analgésicos e antitérmicos, sendo o paracetamol o mais indicado. A dose indicada para criança é de uma gota por quilograma, no máximo 25 gotas, que é mesma quantidade indicada para o adulto. O paracetamol pode ser tomado de seis em seis horas.

Em caso de Febre Hemorrágica do Dengue (FHD), devem ser observados sinais de choque, como a queda de pressão. O período crítico ocorre durante a transição da fase febril para a sem febre, geralmente após o terceiro dia da doença. A pessoa deixa de ter febre e isso leva a uma falsa sensação de melhora, mas em seguida o quadro clínico do paciente piora. Em casos menos graves, quando os vômitos ameaçarem causar desidratação, a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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