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    Amanda Beloti Amanda Beloti 16/09/2015

    Condromalácia: causas, sintomas e tratamento

    Olá leitores! Hoje nossa coluna vai explicar o que é a condromalácia patelar, também conhecida como "síndrome da dor patelo-femoral". Mas, primeiro, para um melhor entendimento, vamos ver como é formada uma articulação saudável do joelho.


    Visão lateral (joelho direito)


    Visão frontal (joelho esquerdo)

    A patela é um osso com formato triangular, localizado na frente do joelho. Possui no ângulo superior a inserção da musculatura anterior da coxa (quadríceps) e no ângulo inferior a origem do ligamento/tendão patelar. Tem como funções a facilitação do movimento de flexão (dobrar) e extensão (esticar) do joelho (funcionando como uma espécie de "polia natural") e a proteção das estruturas internas. Sua face interna é revestida por uma cartilagem, que tem como função permitir o deslizamento da patela sobre o fêmur, durante o movimento do joelho.


    Essa é a imagem de um modelo de joelho no qual movemos a patela de lado para expor à tróclea e a região posterior da patela - onde está a cartilagem

    A patela possui conexões com praticamente todas as estruturas articulares do joelho e, quando as forças exercidas sobre ela não são bem equilibradas, podem ser geradas sobrecargas nesta cartilagem.


    Qualquer deslocamento da patela pode alterar seu alinhamento e desgastar precocemente a cartilagem que existe em sua parte posterior

    Outro fator que pode influenciar a sobrecarga na cartilagem é o alinhamento do membro inferior. Quando a pessoa tem alguma deformidade como, por exemplo, joelho valgo, torção do osso da tíbia (torção tibial) ou contratura/fraqueza do quadríceps, a patela fica mal alinhada e a cartilagem atrás dela também fica mal posicionada, sofrendo constante desgaste e futura lesão. O alinhamento dos pés também influencia de forma ascendente a posição da patela: uma pronação excessiva do pé durante a marcha (o pé "desabar pra dentro") muda a forma como o quadríceps "puxa" a patela, gerando um encaixe errado no fêmur.


    Joelho valgo x Joelho normal

    Possíveis torções na tíbia. Notem como a patela muda de posição, o que faz com que o seu alinhamento mude e o desgaste da cartilagem atrás dela seja maior


    O tipo de "pisada" também influencia no alinhamento patelar

    A Condromalácia Patelar é um "amolecimento" anormal da cartilagem da patela, que pode evoluir para a quebra na sua integridade (várias rachaduras):

    Visão da parte de trás da patela – da sua cartilagem – seguida da visão dela "deitada sobre alguma superfície". Existem 4 graus, que determinam a gravidade da doença

    Existem várias causas, sendo a mais comum o trauma crônico, por fricção entre a patela e o fêmur. Quando flexionamos (dobramos) o joelho, a patela se encontra, inicialmente, "flutuante" na articulação e começa a se encaixar na "tróclea do fêmur" (uma fossa feita para isto), mas conforme a flexão aumenta, o contato ósseo acaba aumentando e a pressão incidente na patela cresce, proporcionalmente. Se a patela está posicionada incorretamente, a pessoa acaba tendo um choque ósseo, o que pode resultar no aparecimento de lesões na cartilagem. O uso inadequado de aparelhos de ginástica, exercícios em step, agachamentos ou leg press, bem como a prática inadequada de esportes, com força excessiva aplicada na patela, são alguns fatores desencadeantes da lesão.

    Atinge em média 15 a 33% da população adulta e 21 a 45% dos adolescentes. O diagnóstico é clínico e pode ser comprovado por uma Ressonância Nuclear Magnética (RNM). Como vimos na imagem acima, a condromalácia pode ser classificada em quatro níveis distintos, de acordo com o acometimento da cartilagem, daí a necessidade de um tratamento o mais breve possível para que a cartilagem não fique inteiramente desgastada, culminando em sua perda total.

    - Grau I: amolecimento da cartilagem e edemas
    - Grau II: fragmentação de cartilagem ou fissuras
    - Grau III: há rachaduras maiores na superfície
    - Grau IV: há exposição do osso abaixo da cartilagem

    Os sintomas mais comuns são:

    • dor relacionada à esforços ou longos períodos sentado
    • dor constante no meio do joelho, atrás ou ao redor da patela
    • dificuldade para descer e subir escadas
    • inchaço por baixo da rótula do joelho
    • crepitaçōes (barulhos internos) – algumas vezes audíveis
    • aumento da sensibilidade em dias frios
    • sensaçōes de fraqueza / falseios do joelho

    A condromalácia é, a princípio, reversível. Ou seja, se você tem condromalácia grau I e se mantiver protegido dos estresses que se impõe na cartilagem, ela pode voltar à normalidade. Porém, se você tiver um grau de degeneração maior que I, a regeneração da cartilagem ocorre numa pequena parte das pessoas somente. Isto ocorre porque não há circulação sanguínea na cartilagem, para que possa haver processo de cicatrização. A cartilagem é um tecido que não se regenera. Por isso, o ideal é identificar o problema o quanto antes e, acima de tudo, prevenir.

    Para que o tratamento seja eficaz, os sintomas de dor devem ser cuidadosamente analisados. A ideia básica é analisar o causador da quebra da harmonia desta articulação para que o tratamento seja focado na CAUSA e não exclusivamente nas suas consequências.

    Para isso a fisioterapia e os exercícios físicos bem orientados são fundamentais. O fisioterapeuta atuará no controle da dor e do processo inflamatório utilizando técnicas como, por exemplo, a eletroterapia, bandagens funcionais, crioterapia (uso de gelo) e terapia manual, dentre outras. O fisioterapeuta também identificará e corrigirá possíveis alterações biomecânicas em pelve, joelho e tornozelo, relacionadas a um desequilíbrio muscular e corrigir o tipo de pisada do paciente lesionado, que pode ser o causador ou o agravante da lesão.


    Exemplo de bandagem funcional
    a direção das fitas é aplicada de acordo com a necessidade individual, não existe um modelo único. Por isto, não tente aplicar sozinho, pode ser extremamente prejudicial.

    Como a cartilagem tem pouca irrigação sanguínea, os processos cicatriciais não conseguem recuperar o tecido lesionado. Por isto, o paciente deve saber que o seu tratamento busca estabilizar a lesão e não curá-la por completo, porque isto não será mais possível. Mas, controlando o avanço da lesão, os sintomas podem ser minimizados até o nível de não incomodar nem limitar mais o paciente.

    Os médicos podem também iniciar a administração de medicações chamadas CONDROPROTETORES (que vão proteger a cartilagem AINDA não danificada – eles não tem ação sobre o pedaço da cartilagem já machucada).

    O médico pode optar, por exemplo, pelo HIALURONATO DE SÓDIO, que é aplicado diretamente na articulação, através de infiltrações sequenciais, tendo como objetivo melhorar a lubrificação e nutrição intra-articular, fortalecer a camada de ácido hialurônico anti-choque que reveste a cartilagem (um mecanismo natural que nosso corpo já tem), e estimular as membranas sinoviais a produzir mais líquido pra nutrir a cartilagem. Tudo isto permitirá um movimento da patela com menos atrito.


    Aplicação do hialuronato de sódio dentro da articulação, pelo médico.

    Além disso, os medicamentos para controle da dor podem ser utilizados, mas dependem DA ORIENTAÇÃO MÉDICA. O EXCESSO DE MEDICAÇÃO, OU SEU USO ERRADO PODE CAUSAR DANOS IRREVERSÍVEIS AO ORGANISMO. Por isso, nunca se medique sozinho. Procure sempre orientação médica. As medicações aqui citadas são apenas para exemplificar os possíveis tratamentos.

    Em casos de lesões mais graves, com atrito intenso ou desvios graves na posição da patela, pode ser necessária uma artroscopia (cirurgia da articulação) para regularizar as causas da degeneração.


    Cirurgia de artroscopia do joelho

    Por esta razão leitor, a melhor conduta é sempre a prevenção da lesão, que pode ser feita de forma simples: atividade física regular acompanhada por um profissional, procurar um médico e um fisioterapeuta ao menor sinal de dor e estar sempre atento aos sinais que o nosso corpo nos dá todos os dias.

    Até a próxima e obrigada pela leitura!


    Amanda Beloti é fisioterapeuta graduada em 2009 pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cursa Especialização em Fisioterapia Traumato-Ortopédica pela mesma instituição. Instrutora Internacional de Pilates pela Pilates Plus (autorizada pela Associação Norte-Americana de Pilates). Sócia-proprietária do Consultório de Fisioterapia e Pilates STUDIO A. Saiba mais.

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