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    Segunda-feira, dia 07 de janeiro de 2008, atualizada às 16h30

    Farmácias devem ser mais rígidas para vender remédios emagrecedores


    Thiago Werneck
    Repórter

    Está mais difícil comprar e emitir receitas de remédios para emagrecer, a partir desse mês de janeiro. A principal mudança acontece em relação a receita e a redução da quantidade de medicamento que podem ser vendidos. A alteração acontece de acordo com norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de setembro de 2007 que passa a valer em janeiro.

    Esses remédios chamados de anorexígenos agora possuem uma receita especial, diferenciada de todos os outros tipos de medicamento. Antes, eles eram receitados com um papel azul com a indicação de letra B, assim como os tarjas pretas. A partir de agora a classificação deles muda para B-1. O motivo é restringir o número de médicos que podem receitar esse tipo de remédio.

    "Hoje, ortopedistas, dermatologistas e outros especialistas dão a receita remédio de emagrecer. Com a nova regra acredito que só os endocrinologistas vão poder receitá-los. Isso deve diminuir o exagero no consumo", avalia o farmacêutico Luiz Otávio. Na farmácia em que ele trabalha, são vendidos cerca de 60 unidades desse tipo de medicamento por mês.

    Outra regra que fica mais dura é a quantidade que pode ser vendida. A ordem nas farmácias é vender o remédio em dosagem reduzida, que dure apenas por 30 dias e não mais 60, como acontecia antes e ainda é normal para os medicamentos tarjas pretas. "Acredito que as vendas vão reduzir, porque a gente vê muitos médicos que não são especialistas da área receitando quantidades grandes desse tipo de remédio", acredita Luiz.

    Em Juiz de Fora, os médicos ainda não têm o papel azul com indicação de B-1 para repassar a receita. Luiz diz que no caso de sua farmácia essa situação já foi resolvida. "Conversamos com a responsável pelas farmácias, da vigilância sanitária da prefeitura, e ela autorizou as vendas sem a nova receita até meados do fim de abril para que os médicos possam se adequar, senão ninguém conseguiria mais comprar o remédio".

    Os médicos que receitarem um desses medicamentos vão ser notificados de que devem adquirir e utilizar o novo modelo de receita. É nessa parte que entra a terceira mudança da nova norma: todos os meses as farmácias vão enviar para vigilância sanitária um relatório das vendas dos remédios anorexígenos. Vão ser repassados o nome e CRM do médico, a quantidade receitada e a data em que o médico fez o pedido.

    O objetivo é diminuir a venda indiscriminada de remédios emagrecedores. Para Luiz, a nova norma vai dar resultado. "A gente vê muita coisa que não está correta nas receitas dos médicos, mas não podemos orientar que ninguém conteste a autoridade de quem assinou a receita. Com essa norma essa situação deve melhorar", conclui.

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