Cal Coimbra Cal Coimbra 19/4/2010

O grito e o apego no desenvolvimento
da comunicação saudável

bebê gritandoO apego é o elo afetivo e social desenvolvido nas relações entre as pessoas e os animais, e o grito, uma forma de comunicação essencial entre eles. Com essa expressão vocal, podem, ao expressar suas emoções, imprimir emoções no outro.

Diversas experiências em espécies animais apontam que o grito não é um ruído. Eles criam um mundo de sons como orientação para o desenvolvimento dos mais jovens, no qual estão presentes as expressões das emoções e também a representação sensorial.

Os filhotes aprendem diferentes significações do grito e utilizam-nas no processo de comunicação e socialização. Esse tipo de comportamento nos animais confirma a semiotização do mundo muito antes da palavra humana. Por exemplo, um grito de alarme é intenso e rico em altas frequências.

Curioso é que antes mesmo de nascer, de aparecer o primeiro grito, o bebê conhece melhor a mãe do que ela o conhece. E quando o grito se manifesta, chega como um sinal claro para explicar a proximidade entre ela e seu bebê. É uma referência para informar o apego entre eles.

A comunicação precisa ser desenvolvida e compartilhada com o apego ao longo das relações. As formas de estabelecê-la devem ser pelo tato, pelo som, pelo olhar, pelo odor, pela respiração diferenciada, pelo sentimento. Se uma ou mais dessas funções faltar, pode-se fortalecer a que estiver mais intensa nesse processo. Se o bebê nasce com a audição deficiente, certamente outras funções estarão presentes e poderão ser desenvolvidas com mais intensidade. Precisamos ficar atentos em relação aos bebês que não estão conseguindo estabelecer esse vínculo materno cedo. Aconselho os pais à avaliação psicológica.

Nos humanos, o grito dos lactentes destaca-se como uma das modalidades interativas mais frequentes, especialmente no recém-nascido. É o próprio bebê que indica suas necessidades através dessa expressão vocal, como um sinal de alerta diante da dor, do desconforto, ou mesmo da necessidade de se comunicar com o adulto. E, individualmente, cada um deles apresenta diferentes manifestações na duração e na frequência de seus gritos, que a mãe é levada a interpretá-los para poder respondê-los de maneira adequada, facilitando, assim, a possibilidade de contato saudável entre ela e o filho.

O grito de fome é o básico, mais frequente e mais típico. Normalmente ele é ouvido como um grito seguido de inspiração. O grito de raiva ou de cólera é uma variação do grito de fome, provocando, em geral, rapidamente a exasperação do ouvinte. O grito de dor compreende um primeiro grito cheio seguido de um silêncio e depois novamente uma inspiração, inaugurando uma série de gritos expiratórios de duração variável. O grito de frustração é ouvido como um grito seguido de um longo assobio inspiratório, claramente diferente do grito de dor ou de fome. Quando escutamos aquele gritinho estridente do bebê, muito agudo, pode contar que ele está pedindo alguma coisa. Quando o bebê está feliz, observamos o grito modulado, cantarolado, melódico.

O e-leitor interessado neste assunto pode lançar mão de obras de autores como Mazet, Stoleru, Soulé, entre outros especialistas no assunto.



Cal Coimbra
é psicóloga e doutora em Fonoaudiologia
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