Terça-feira, 9 de outubro de 2012, atualizada às 18h

Médicos de planos de saúde paralisam atividades entre os dias 10 e 18 deste mês

Nathália Carvalho
Repórter
Sociedade de Medicina

Médicos que atendem por meio de planos de saúde em todo o Brasil prometem realizar paralisações durante o mês de outubro, como forma de reivindicar melhores honorários. Juiz de Fora irá seguir a tendência de Minas Gerais e os trabalhos ficarão parados entre os dias 10 e 18 de outubro. Em outras regiões do Brasil, o movimento ocorre até o dia 25. A adesão ou não ao movimento depende da escolha pessoal de cada profissional.

De acordo com a Associação Médica de Minas Gerais, um dos objetivos da suspensão é alertar a população para "a forma desrespeitosa com que os médicos e usuários estão sendo tratados por várias empresas de planos de saúde". Em nota, o órgão informou que as operadoras interferem no trabalho profissional do médico, criando obstáculos para a realização de atividades como solicitação de exames e internações. Além disso, dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) demonstram um descompasso no crescimento do lucro das operadoras e do repasse aos médicos. A receita das operadoras teria crescido 192% entre 2003 e 2011, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%, sendo que cálculos da categoria demostram que o reajuste foi de 50%.

Outra informação repassada é que, durante esse período, os médicos não irão realizar as consultas e outros procedimentos eletivos pelos planos de saúde, seguindo orientação do Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Porém, os casos de urgência e emergência serão todos atendidos normalmente. Já aqueles pacientes que estiverem previamente agendados devem entrar em contato para remarcar a consulta. A orientação é que cada usuário veja a situação com seu médico, isoladamente, até pelo fato da adesão não ser obrigatória.

Adesão na cidade

Segundo o presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Juiz de Fora, Elídio Lana, a cidade está bem dividida quanta à adesão ao movimento. "A grande preocupação dos médicos está em lesar o seu paciente com esse movimento, o que acaba preocupando a classe. Não sabemos dizer como será a adesão em Juiz de Fora, mas existe alguns convictos que a realização do protesto é o único jeito de lutar pelos direitos que necessitamos", explica.

Para Lana, a falta de negociação das empresas com os médicos causa a indignação, o que acaba gerando um clima desagradável entre médico e paciente. "A tabela de preços está congelada e não há interesse em reajuste por parte das empresas. Apesar de algumas atualizações, os convênios não absorvem e quem fica em uma situação delicada somos nós. A nossa relação com o paciente é extremamente importante e muitos médicos estão na dúvida sobre como proceder por conta disso", contou.

Na manhã do primeiro dia de movimento, nesta quarta-feira, 10 de outubro, haverá uma manifestação organizada pelo Sindicato dos Médicos da Zona da Mata e região na sede da Sociedade de Medicina. Lana acredita que, a partir desse encontro, será possível prever quantos estarão envolvidos nas paralisações na cidade.

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