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    Teste do vírus HIV deve ser estimulado, dizem especialistas

    Número de portadores de HIV em Juiz de Fora dobra em dois anos, mas situação ainda é estável

    Eduardo Maia
    Repórter
    29/03/2014
    Teste HIV

    A diferença entre o portador do vírus HIV e o paciente de Aids ainda pode ser um fator incompreendido entre muitos. Apesar do estímulo à realização do teste e ao tratamento por uso de medicamentos que inibem a proliferação do vírus, a resistência das pessoas se impõe como tabu. Em Juiz de Fora, o índice de portadores da doença dobrou em dois anos, na análise do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), instrumento utilizado pelo Ministério da Saúde. Dados da última amostra realizada em dezembro de 2013 mostram que 284 pessoas são portadoras do vírus, com a doença já em fase avançada. Em 2011, este número correspondia a 133.

    O percentual apresentou índices menores ano a ano, sendo 99 novos casos registrados em 2012 e 52 em 2013, mas a quantidade ainda é preocupante, segundo o coordenador do Programa de DSTs e Aids da Prefeitura de Juiz de Fora, Rodrigo Almeida. "A gente percebe uma queda da epidemia para os casos de Aids em Juiz de Fora. Para o Ministério da Saúde, esta é uma notificação tardia, o número de novos casos de HIV tem aumentado no município e também na região. A situação em Juiz de Fora está controlada, todo caso de Aids tem tratamento, mas é preciso trabalhar em cima da prevenção", diz.

    Rodrigo afirma que a facilidade da realização do exame tem levado às pessoas a buscarem o programa, o que impacta no número de registros. "Este aumento de casos existe porque as pessoas estão procurando mais os serviços de saúde. Com a implantação do novo centro, vamos ampliar todas as áreas que já são realizadas em Juiz de Fora. Vamos ampliar também o número de diagnósticos e melhorar ainda mais para a população."

    O portador do vírus e o paciente da Aids

    O médico infectologista e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Ronald Kleinsorge Roland, esclarece a diferença entre o portador do vírus e o paciente da Aids. Segundo ele, há pessoas contaminadas que podem ficar por um longo tempo sem apresentar sintomas da doença. "São portadores assintomáticos. Eles não sentem a presença do HIV, mas isso não significa que não estejam transmitindo. É preciso identificar essa pessoa, pois além de fazer prevenção de transmissão, pode evitar que ela adoeça, ao acompanhar o caso e escolher um momento oportuno de indicar o tratamento", ressalta.

    Segundo Roland, é grande o número de pessoas que procuram o tratamento quando a doença já se encontra num estágio avançado. "A Aids ocorre quando a pessoa adoece, geralmente a imunidade está muito baixa e ela começa a ter doenças que normalmente não teria. A solução é complexa. Há pessoas de risco, que tem a noção do risco, e já chegam muito doentes. Um diagnóstico tardio é muito comum em nossa região. Apesar de toda a riqueza econômica e do grande acesso à informação, é quase assustador. Tenho visto muitos casos de sífilis e vamos começar a ver HIV. Os dados que aparecem aqui são muito semelhantes ao que o ministério tem registrado em todo país", alerta.

    Um dos problemas é o fato da pessoa que se recusa a realizar o teste. "A pessoa não faz o teste quando tem uma relação sem preservativo. Quando ela entende que tem risco, acha que o parceiro é seguro, que pode usar a camisinha casualmente, ela não busca proteção", aponta o médico.

    Ronald recomenda aos médicos orientarem para a realização do teste, quando abordarem o paciente com suspeita de contaminação. "É um teste fácil de ser feito, seguro e barato. Se fizer 100 testes e descobrir um caso, é um lucro muito grande", conclui.

    Tratamento

    Em relação ao tratamento, até o ano passado havia diferenciação quanto aos portadores e pacientes. "A orientação técnica era de que a partir de determinado valor do CD4 [contagem de células do sistema imunológico], a gente indicava o tratamento para os pacientes. Se a pessoa não apresentasse queda na imunidade, não era necessário iniciar o tratamento. A partir deste ano, o Governo Federal orientou uma conduta para tratar todo mundo. Dependendo do valor das células de defesa, o portador poderia ficar anos sem receber tratamento, como ainda acontece com alguns pacientes. Isso precisa ser estudado, o Ministério tem excelentes orientações e isso teria um grande impacto na transmissão da doença", acredita.

    Mas, segundo o Ronald, ainda há pessoas que resistem à realização do tratamento. "Eu já tenho visto alguns pacientes que não teriam indicação e que estão voltando, mas também outros que não querem se tratar, por medo do coquetel. Por outro lado, a pessoa cria na cabeça que vai ter algum problema e isso nem sempre acontece. Ainda tem que ser muito trabalhado, vamos ter que individualizar, olhar cada caso. Há pacientes que não tem relações sexuais e que não aceitam o tratamento. O tema tem que evoluir, olhar a evolução, analisar que ocorrem sim alterações no número de células de defesa", afirma. 

    Faixas etárias

    Novos cenários têm se criado quanto à proliferação da doença, ao se analisar as faixas etárias. De acordo com o infectologista, é grande a vulnerabilidade entre o final da adolescência até os 26 anos. "São altamente vulneráveis e ainda dentro dessa população, uma população de homossexuais, com práticas menos seguras. Entretanto, a questão hoje não é mais existir grupos de risco, mas comportamentos com vulnerabilidade, uma exposição sem proteção, este é o ponto chave. Quando adquire confiança, deixa-se de usar o preservativo. As pessoas têm que fazer o exame, é a única maneira mais segura de se diagnosticar".

    Um novo "fenômeno", segundo o médico, é o crescimento de portadores de HIV entre pessoas com mais de 50 anos. "Pessoas que têm uma vida sexualmente ativa e que ao se separar, buscam um novo relacionamento ou insatisfeitas no casamento, buscam uma relação de menor segurança. Outro problema é que entre os idosos, a questão do preservativo é menos familiar. O jovem não usa porque não tem maturidade, mas a pessoa mais velha nunca usou. Tenho pacientes que o marido não tem HIV e não quer usar o preservativo, é uma briga muito grande", revela.

    Roland explica que outro problema durante a terceira idade é o aparecimento de doenças relacionadas à idade, simultaneamente ao vírus HIV. "Com o envelhecimento, há o aparecimento de doenças comuns à idade, mais avançada, e outras que aparecem relacionadas aos hábitos de vida prolongadamente equivocados - tabagismo, sedentarismo, sobrepeso. São pacientes bem controlados no HIV, com outras doenças que causam mais problemas, as vezes mais do que o próprio vírus."

    Em Juiz de Fora

    O programa de DST/Aids em Juiz de Fora conta com uma equipe multi profissional, formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais. Além da realização dos testes, o centro realiza a capacitação e o treinamento de unidades no município e nas cidades vizinhas. "Se a pessoa desconfia que esteja contaminada ou tenha relação sexual desprotegida, ela deve ir ao Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Teremos uma equipe para receber essa pessoa, realizar um diagnóstico do HIV ou das hepatites virais e demais DSTs para realizar um trabalho de encaminhamento também. É importante ressaltar que os menores de 16 anos devem estar acompanhados dos pais", lembra Rodrigo. Funcionando no PAM Marechal, o CTA será transferido para a avenida do Andradas, nº 500, no prédio da Vigilância Sanitária, antigo pronto-socorro.

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