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    Campanha Setembro Amarelo mobiliza população para o prevenção do suicídio em JF

    Segundo dados da PM, foram registrados 72 casos de suicídio na cidade em 2014, já no ano passado o número subiu para 88. Em 2016, foram contabilizados 31 ocorrências até 12 de agosto

    Angeliza Lopes
    Repórter
    10/09/2016
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    O suicídio é um assunto tabu na sociedade e tratado com silêncio, até mesmo, pela própria mídia. Mas, deixar de falar sobre isso não impede que o número de vítimas suba a cada ano. De acordo com dados levantados pela Polícia Militar (PM), através do boletim de ocorrência, em 2014 foram registrados 72 casos de autoextermínio consumado em Juiz de Fora, já no ano passado foram 88. Até 12 de agosto de 2016 foram contabilizadas 31 ocorrências de suicídio na cidade. Para esclarecer sobre o assunto, acontece no mês o movimento Setembro Amarelo, com maior mobilização neste sábado, 10, que é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

    Trazido para o país em 2014 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a ação, que tem como slogan "Falar é a Melhor Solução", vem ganhando mais adeptos com o objetivo de chamar a atenção para o fato que o suicídio existe e pode ser prevenido. O autoextermínio tem se tornado problema de saúde pública, mas com campanhas é possível inverter esta situação, pois de 10 casos 9 poderiam ser evitados, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

    Segundo a voluntária do CVV Adriana Rizzo, o papel da imprensa é fundamental no processo da quebra do tabu de não falar sobre o assunto. “Não precisamos noticiar os suicídios em si, mas que existe a prevenção. Como fazer isto? Divulgando sobre o fato, que é triste e delicado, mas pode ser discutido. Se alguém pensa sobre isto, pode e deve procurar ajuda de amigos, colegas, psicólogos, psiquiatras ou do CVV. Acreditamos que falar ainda é a melhor solução”, destaca.

    O professor de psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), André Stroppa, destaca que geralmente a pessoa com tendências de autoextermínio comenta com alguém acerca do seu propósito ou pede ajuda. “Isso é o mais comum. Se for ouvida e ajudada você reduz muito o risco do suicídio. É importante ficar atento ao familiar que apresente sintomas de depressão. Familiares idosos, vivendo só, principalmente do sexo masculino. Familiares depressivos em situação de adversidade como desemprego ou dissolução conjugal, são fatores que funcionam como agravantes, trazendo maior risco de suicídio”.

    O principal fator apontado pelo psiquiatra, que pode levar o indivíduo a este ato extremo, é a depressão grave. Mas, o uso de álcool ou outras substâncias como a cocaína, aumentam o risco de suicídio na depressão, em razão da impulsividade e diminuição da capacidade de decisão, causadas pela intoxicação do momento. “Existem estudos que apontam um maior risco entre homens que mulheres, maior entre idosos, pessoas vivendo só, em situação de desemprego, dificuldades econômicas, sem laços afetivos ou suporte familiar, dependência do álcool e outras substâncias. O conjunto dessas situações aumenta o risco”, destaca Stroppa.

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    Também membro do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da UFJF, André Stroppa diz que existem pesquisas que mostram que o envolvimento religioso da pessoa reduz significativamente o risco de suicídio. Em razão da crença, que desestimula o autoextermínio e em razão do suporte dado pela comunidade religiosa nos momentos de importante dificuldade e adoecimento. “Os grupos de apoio, mesmo por telefone, também são de grande ajuda. Eles acabam encaminhando para um atendimento pessoal, em seguida”.

    Na correria e estresses do dia a dia as pessoas estão mais propensas a passar maior parte do tempo  sozinhas, e este modelo de vida pode ser uma agravante para casos de depressão e até mesmo pensamentos suicidas. O professor estudioso em psiquiatria relata que as relações interpessoais se tornaram mais individualistas, competitivas e distantes. “Nas grandes cidades é frequente que você não conheça o seu vizinho, a sensação é de estar só e isso não é uma vocação natural do ser humano. As relações amorosas se tornaram, muitas vezes, eventuais ou furtivas, com muito pouco investimento na outra pessoa. Prevalecem uma sensação de vazio, de ausência do afeto e da solidariedade em todos os setores da vida contemporânea”, complementa Sttropa.

    Centro de Valorização da Vida

    Um dos propagadores da campanha Setembro Amarelo é o Centro de Valorização da Vida (CVV). Fundado há 54 anos, o grupo é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal. Presta serviço voluntário e gratuito em todo o país de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo.

    Segundo a voluntária Adriana, os contatos são feitos pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 72 postos de atendimento) ou pelo site via chat, VoIP (Skype) e e-mail. Os voluntários são treinados e estão disponíveis para conversar, ouvir tudo que a pessoa tem a dizer com sigilo.

    Ela avalia que a situação do suicídio no Brasil é preocupante, pois tem crescido nos últimos anos, principalmente, entre jovens. “Temos procurado estar próximos e presentes para esta faixa etária, para que possam conversar, dividir o que sentem e assim permitir que tenham possibilidade de enxergar novos caminhos a seguir, que não seja tirar suas vidas”, destaca.

    Rede de apoio em Juiz de Fora

    Em Juiz de Fora, uma rede de apoio para valorização da vida também foi criada pela Fundação Espírita Allan Kardec (Feak), com equipes que fazem atendimentos por telefone e presenciais. O SOS Preces é o trabalho mais antigo, que tem como objetivo prestar assistência emocional, espiritual e de oração às pessoas que, sozinhas não conseguem resolver ou suavizar os seus problemas. Os outros dois atendimentos presenciais são o Atendimento Fraterno e o Grupo de Valorização da Vida (GVV). Todos possuem estrutura de sigilo, para preservar a dor, sentimentos e desafios das pessoas que procuram a fundação.

    O presidente da Feak, Armando Falconi Filho, lembra que projeto SOS teve como inspiração o CVV. “No meu período de formação, fui voluntário do CVV e pensei em trazer o modelo para Juiz de Fora. No início foi difícil, pois uma linha telefônica custava o valor de um carro. Conseguimos um telefone emprestado, que depois foi adquirida pela fundação”, relata Falconi. O serviço é oferecido diariamente, no período de 8h às 24h, pelo telefone 3236-1122. São 310 plantonistas que atendem cerca de 200 pessoas por dia, sendo que 10% deste número são pessoas com pensamentos de autodestruição.

    fotoOutro serviço é o GVV, que existe há 12 anos. O grupo faz reuniões reservadas duas vezes por mês, na segunda e quarta terça-feira do mês, das 18h30 às 19h30. Falconi explica que o apoio e orientação espiritual são para pessoas que já pensaram ou estejam pensando em autodestruição e aqueles que querem aprender a valorizar mais a vida. “A metodologia usada é: o que você viu aqui, ouviu, falou, deixe aqui. Pedimos para que não seja comentado fora daquele ambiente o que se passa lá dentro, para manter a privacidade. Algumas pessoas acabam abrindo o coração, falando coisas que não são para tornar público”, diz, lembrando que a equipe do GVV atende cerca de 50 pessoas por mês. Os participantes não são obrigados a falar e não é necessário inscrição.

    Já o Atendimento Fraterno é organizado por 31 plantonistas que atendem entre 200 a 300 pessoas por mês. Este formato é um auxílio olho no olho, uma conversa amiga, com o objetivo de orientar e esclarecer o indivíduo sobre algum problema que o mesmo vem enfrentando. A pessoa pode agendar a visita para as segundas e terças-feiras de 14h às 16h, quarta-feira de 19h30 às 21h, sexta-feira de 19h30 às 21h e sábado de 17h às 19H, pelo telefone 3236-1122. As duas assistências presenciais acontecem na sede da Feak, que é na rua Itamar Soares de Oliveira, 200, Cascatinha.

    O presidente da Fundação afirma que os atendimentos são abertos a qualquer pessoa e não possuem conexão política e religiosa, mas de religiosidade, que é a importância da oração, hábitos salutares, leituras edificantes, buscar ser útil a sociedade para criar boas sintonias e ser útil a si mesmo. “Não discutimos religião. Não existe trabalho de proselitismo no espiritismo, que quer dizer propaganda religiosa. Focamos na solução dos problemas enfrentados pelas pessoas, levando-as a sair da crise”.

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