Vacinas contra Covid-19 evitam óbitos e avanço da variante Delta, aponta pesquisa

Desde o último sábado, 25, às pessoas com menos de 30 anos passaram a ser contempladas pelo plano municipal de imunização

da Redação - 30/07/2021

As vacinas contra a Covid-19, além de reduzirem o número de casos graves e de óbitos, são capazes de evitar o aumento da proliferação da variante Delta. A análise é feita por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a partir do avanço da imunização no município. Com a antecipação do calendário de vacinação, pessoas abaixo dos 30 anos, grupo que abrange a maioria dos estudantes da UFJF, precisam ficar atentas às datas para o recebimento da primeira dose dos imunizantes. Além disso, os profissionais da Instituição – professores, técnico-administrativos em Educação (TAEs) e funcionários terceirizados -, que já receberam a primeira dose, devem acompanhar a data prevista no cartão de vacinação para o recebimento da segunda dose.

Desde o último sábado, 25, às pessoas com menos de 30 anos passaram a ser contempladas pelo plano municipal de imunização. De acordo com os dados fornecidos pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) até o final de julho, indivíduos de até 24 anos serão vacinados. Além disso, a expectativa é de  aplicar pelo menos uma dose dos imunizantes nas pessoas com idade igual ou maior a 18 anos, até o dia 18 de agosto.

Confira o cronograma de vacinação

Para o coordenador da iniciativa extensionista “Juntos contra a Covid-19”, Thiago Nascimento, o início da vacinação na faixa entre 30 e 18 anos já é muito significativo por se tratar do avanço do processo de imunização na população em geral. “Particularizando para o nosso universo, que é a UFJF, associado à segunda dose para os profissionais da educação, digamos que traz esperança para um público que sofreu muito com a pandemia. Ainda que tenhamos conseguido criar alternativas de continuidade ao processo ensino-aprendizagem como, por exemplo, o Ensino Remoto Emergencial (ERE), é certo que houve impacto no processo de formação de nossos estudantes. Assim, o cenário de imunização de nossa comunidade já nos permite planejar um retorno futuro tão logo tenhamos condições sanitárias e epidemiológicas adequadas.”

Nascimento também acredita que a vacinação não deva ser considerada fator condicionante para o retorno das  ações universitárias, mas certamente sinaliza um importante passo, dentro de um conjunto de fatores que incluem adequações de infraestrutura, manutenção do uso de Equipamentos de Proteção Individual  (EPIs) e etiqueta respiratória, e treinamento de toda população acadêmica frente às novas rotinas previstas no protocolo de retomada das atividades.

“É importante ressaltar que a cobertura vacinal em Juiz de Fora está na faixa de 25% de toda população. Ainda que seja uma posição de destaque frente à realidade nacional e estadual, está muito aquém ainda da cobertura necessária para entrarmos em um estágio de controle da pandemia. Por isso a necessidade da manutenção de medidas de regramento sanitário”, explica Nascimento.

Por que devo me vacinar?

De acordo com o infectologista do Hospital Universitário (HU/Ebserh/UFJF), Rodrigo Souza, “o principal motivo de se vacinar uma pessoa contra a Covid-19 é evitar que ela morra. Depois disso, temos outros benefícios secundários, como, por exemplo, evitar internações e casos de debilidade. Além disso, outra razão de se imunizar a população é para que não adquiram, de forma alguma, a doença”.

O médico aponta que todos os imunizantes disponíveis no Brasil atualmente são altamente eficazes para que sejam evitados os óbitos, as internações e os casos de debilidade causados pela doença. “A grande variação entre as vacinas é a possibilidade de o paciente adquirir o vírus e apresentar sintomas de forma leve ou não. Para aquisição da Covid-19 de forma amena, existe uma variação entre os imunobiológicos distribuídos, sendo que algumas podem ser mais eficazes que as outras. No entanto, para evitar a ação de forma grave e as mortes, todas elas têm eficácia semelhante.”

Segunda dose

Segundo Souza, dados preliminares mostraram que, para haver uma imunização completa relacionada a algumas variantes, especialmente a delta, são necessárias duas doses. Com apenas uma, a eficácia dos imunobiológicos diminui muito. “É importante destacar que a imunização só estará completa após a segunda dose, exceto no caso da vacina produzida pela Janssen, que é dose única. Muitas pessoas apresentam efeitos colaterais na primeira dose, depois não procuram receber a vacinação da segunda e isso não pode acontecer. Todo mundo deve receber as duas. Só assim vamos conseguir controlar a doença”, destaca Souza.

Os ensaios da maioria das vacinas foram realizados com a imunização em duas doses. Assim, a eficácia divulgada foi determinada a partir dos testes com duas aplicações. Além de aumentar a proteção, a segunda dose ajuda a prolongar esse efeito. “Em termos imunológicos, a primeira dose vai estimular que o nosso sistema de defesa comece a produzir os anticorpos. No entanto, uma dose não é suficiente. O reforço, portanto, fará com que a produção de anticorpos seja maior e nos deixe imune por mais tempo”, complementa Nascimento.

As pessoas que não tomaram a segunda dose, para os imunizantes que requerem duas aplicações, se encontram em uma situação de vulnerabilidade. Assim, segundo Nascimento, quem tomou apenas uma dose da vacina corre mais risco de se infectar, se comparado às pessoas que completam o esquema vacinal. “Com mais vírus circulando, aumenta a chance de surgir novas variantes. É possível que tenhamos casos graves e óbitos em indivíduos com esquemas vacinais incompletos, ainda que haja poucos dados sobre essa relação”, finaliza.

Documentação

Para o recebimento do imunizante, o cidadão deve apresentar os documentos de identificação com foto, originais e cópias (CPF e Identidade), o cadastro da Prefeitura impresso e o comprovante de residência. Além disso, é obrigatório que tenham realizado o pré-cadastro on-line no site da Prefeitura de Juiz de Fora.

Para o recebimento da segunda dose, é obrigatório levar o cartão de vacinação entregue no dia do recebimento da primeira. O cartão é um documento que deve ser guardado pela população, pois contém as informações fundamentais sobre a vacina aplicada, a data da aplicação e quem foi o aplicador. As pessoas que tomaram a vacina da Influenza nos últimos 14 dias devem aguardar o intervalo preconizado entre as duas antes de receberem a aplicação dos imunizantes contra a Covid-19.

Já as grávidas, além da documentação exigida, precisam levar o cartão do pré-natal e a carteira da gestante. As puérperas devem apresentar um documento que comprove o parto nos últimos 45 dias, como a certidão de nascimento do bebê ou atestado de alta hospitalar. Por fim, as lactantes em até seis meses de pós-parto, por sua vez, precisam levar um atestado médico que mostre que amamentam e um documento que comprove que o seu parto ocorreu nos últimos seis meses, como a certidão de nascimento do bebê.

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