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    Crack e êxtase são as drogas da vez Entorpecentes podem causar dependência física e psicológica, além de provocar delírios, desmaios, arritmia, parada cardíaca e overdose


    Clecius Campos
    Repórter
    18/4/2009

    De acordo com a psicóloga especialista em dependência química, Marina Ribeiro de Castro, as clínicas de reabilitação recebem a cada dia mais usuários de drogas procurando por tratamento. "Percebemos o aumento do uso do crack, que é facilmente encontrado, e do êxtase, por ser um alucinógeno comum nas raves, muito frequentadas por jovens." Segundo Marina, ambas são estimulantes e têm poder altamente viciante.

    Um dos fatores que podem ser considerados preponderante para o aumento do consumo de crack é o preço do produto. Uma pedra pequena, de meio a um grama pode custar R$ 5*. Pedras maiores, com três gramas, são encontradas a R$ 8*. Um grama de cocaína é comercializado a R$ 10*, o dobro do valor do crack.

    O Grupo Tático Operacional (GTO) de Tóxicos e Homicídios da Polícia Civil de Juiz de Fora realizou, no primeiro trimestre deste ano, 12 apreensões de drogas em várias regiões na cidade. Nas duas primeiras semanas de abril foram executadas quatro operações deste tipo. No último dia 16 de abril, o grupo prendeu três suspeitos de tráfico de drogas no bairro Olavo Costa.

    Crack e êxtase

    foto de crack O crack, conforme Marina, tem um efeito semelhante ao provocado por drogas injetáveis. A pedra é feita através da fervura da cocaína base e fumada em cachimbos. O entorpecente é mais procurado por usuários severos. "Parece que o uso de seringas está fora de moda entre os dependentes. O crack funciona como um substituto neste caso." O uso excessivo do produto pode causar desmaios, arritmia, parada cardíaca e overdose.

    O êxtase ou MDMA, comercializado nas raves, tem nome científico complicado (3,4 metilenodioximetanfetamina) e apelido atraente. Conhecido como bala, a droga é um poderoso alucinógeno, que pode causar delírios, aumento da temperatura corporal e até a morte. "Os efeitos dessa droga no corpo variam de pessoa para pessoa. Em alguns a bala pode não causar danos graves e em outros pode ser letal. Se misturada ao consumo de bebida alcoólica, pode provocar overdose", explica Marina.

    Maconha e álcool

    foto de apreensão de maconha Engana-se quem acredita que a maconha é uma droga branda. O alucinógeno pode ser responsável por doenças mentais irreversíveis. Marina afirma que em pessoas que apresentam predisposição, o produto pode agir como facilitador de surtos psicóticos. "Como não é fácil identificar uma predisposição à esquizofrenia, por exemplo, este efeito da droga só aparece depois que a patologia já se manifestou. Há casos de pacientes que precisam usar medicamentos para controlar doenças mentais causadas pelo uso de maconha."

    Segundo Marina, a bebida alcoólica é a maior inibidora de censura entre as drogas. Seu poder libertador permite que o usuário se sinta solto, desembaraçado e até sem limites. "Ilimitada, uma pessoa alcoolizada não vê impedimento algum para fazer qualquer coisa. No princípio, a droga é considerada estimulante, mas a dependência causa depressão."

    Dependência física e psicológica

    Marina acredita que as dependências físicas e psicológicas não podem ser separadas sistematicamente. Para ela, tanto as reações orgânicas, causadas pela síndrome de abstinência, quanto as psicológicas, causadas pela lembrança eufórica do uso da substância, devem ser tratadas simultaneamente. "O cérebro dá todas as ordens no nosso organismo. Dessa forma, tanto os problemas somáticos quanto os psicológicos são gerados nele. Uma dor muscular ou desconforto abdominal parece uma reação puramente física, quando na verdade pode estar relacionada ao despertar da mente para o uso da droga."

    A psicóloga diz que a maioria dos usuários percebem nas drogas um meio de catalisar emoções tolhidas no dia-a-dia. Os entorpecentes são substâncias capazes de potencializar sentimentos como alegria e tristeza. "As substâncias atuam diretamente no sistema límbico e cada pessoa tem uma reação diferente." Se constatada a necessidade de consumo de entorpecentes como estimulantes, fica diagnosticada a dependência psicológica.

    O tratamento

    O primeiro passo para o tratamento da dependência química deve ser tomado pelo próprio dependente. "Mais do que vontade, o usuário deve ter consciência de que precisa se tratar." De acordo com a psicóloga, a condição de raciocínio é necessária para que o dependente comece um tratamento. "A dependência pode nem se instalar em usuários que percebem a hora de parar."

    Para ela, uma das formas mais eficazes de tratamento é a realização de uma psicoterapia baseada em exercícios cognitivo-comportamentais. "O dependente vai se deparar com simulações de acontecimentos de risco ao longo do tratamento. É um processo de autoconhecimento de seus limites." A partir das experiências, o terapeuta dá orientações conforme a demanda do paciente.

    Além das situações de risco, quando o paciente precisa aprender a se esquivar, são trabalhados sentimentos essenciais despertados pela doença, como o medo, a vergonha, a culpa e o orgulho. "As emoções também são equilibradas através de exercícios."

    A família

    Para Marina, a colaboração da família em casos de dependência química pode ser positiva ou negativa. Segundo a psicóloga, a negação é o principal obstáculo no estágio de tratamento. "Muitos pais não querem acreditar que o filho esteja envolvido com drogas, já que consideram que esta esteja ligada à marginalidade. Isso dificulta o tratamento". Em outros casos, o desespero dos familiares também pode atrapalhar. "Por isso é sempre recomendado que a família procure tratamento terapêutico. Reuniões, exercícios, dinâmicas e até filmes podem ajudar a encarar a doença de forma diferente."

    Principais características de um dependente químico

    Marina declara que o isolamento é uma das principais características de pessoas que usam entorpecentes. Em jovens, é muito comum a permanência em quartos fechados e a desconfiança exacerbada. "Um adolescente que está sempre com um olhar desconfiado, apresentando irritabilidade e inquietabilidade pode estar envolvido com drogas. Ter sempre uma desculpa para sair e nunca levar amigos para casa também são comportamentos incomuns."

    No dia-a-dia, o rendimento na escola e no trabalho são visivelmente abalados. "Um aluno que passa a tirar notas baixas e um empregado que sempre chega atrasado e cansado na empresa podem ser usuários de drogas."

    * Os preços foram fornecidos em abril de 2009.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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