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    Terça-feira, 24 de dezembro de 2019, atualizada às 9h40

    Saiba dos perigos ao adquirir um "gatonet"     

    Jorge Júnior
    Editor

    Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mais de 600 tipos de produtos que pirateiam o sinal de TV por assinatura são vendidos no Brasil. Apesar do preço parecer vantajoso, a "gatonet" pode custar R$ 10 mil em multa, dar até seis anos de cadeia e prejudicar a saúde do consumidor. Além disso, serviços piratas disponíveis na internet podem comprometer dados pessoais dos usuários e expô-los a criminosos.

    A Anatel alerta que os equipamentos usados para piratear o sinal da TV paga podem causar danos que vão desde choques elétricos até explosões. A agência cita, ainda, "o risco de contato com campos eletromagnéticos acima dos limites recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS); a intoxicação com material tóxico e a instabilidade no serviço como pontos negativos para o consumidor. Além disso, esse aparelhos causam interferências em serviços regulamentados, como conexões móveis de celular, e até atrapalhar no controle de tráfego aéreo, sem contar a baixa qualidade do serviço e ausência de garantias ao consumidor".

    Outro risco, segundo o órgão, é que esses produtos clandestinos estão expostos a riscos e pode ter informações comprometidas. "Criminosos podem acessar, pelo Wi-Fi, dispositivos conectados a ela, como celulares e computadores".

    Interferência no sinal da internet

    O supervisor técnico da ACESSA.com, Paulo Cerqueira explica que como os aparelhos são conectados à internet, os usuários podem sofrer instabilidades na conexão. “A caixa transmissora faz uma espécie de 'cache', ou seja, mesmo que o aparelho não esteja em uso, ele está fazendo 'upload'. Na maioria dos casos, o “gatonet” é conectado ao roteador por uma rede sem fio. Porém, ele também pode funcionar como repetidor, criando uma segunda rede que conecta a outros dispositivos.

    No caso de instabilidade, é preciso ficar atento a alguns cenários:

    O aparelho pode estar longe do roteador, atrás de barreiras físicas ou com sinal ruim;

    A conexão do aparelho com o roteador pode sofrer interferências de outros roteadores no entorno;

    No caso em que o aparelho também funciona como repetidor, pode estar na mesma frequência do roteador ao qual se conecta causando a interferência;

    Quando o gatonet funciona como repetidor e só possui uma antena, a perda de performance dos dispositivos conectados a ele será notável;

    Brasil registra queda de 8,43% no serviço de TV por assinatura

    Em agosto de 2019, o Brasil somou 16.346.446 domicílios com acesso ao serviço de TV por assinatura. Houve uma perda de 1.505.120 contratos (-8,43%), em comparação ao mesmo mês do ano passado (agosto de 2018), de acordo com dados da Anatel.

    Quase a metade dos domicílios recebeu o serviço de TV paga pelo grupo Claro (NET), que registrou  8.071.921 contratos (49,38% do mercado). Em segundo lugar ficou a Sky, com 4.890.307 contratos (29,9 %), seguida pela Oi, com 1.555.956 contratos (9,51%), e pela Vivo, com 1.408.520 contratos (8,61% do mercado).

    Todas prestadoras apresentaram queda no número de clientes (em agosto de 2019 em relação ao mesmo mês do ano passado). A Claro (NET) teve redução de 9,23% (menos 820.627 clientes) e a Sky diminuiu 6,18% (menos 322.085 clientes).

    Entre os estados, São Paulo teve o maior número de clientes, com 6.073.510 contratos, enquanto Roraima tinha o menor número de assinaturas, com 15.762 contratos de TV paga no mês de agosto.

    Mais de 4 milhões de pessoas acessam TV pirata

    Conforme a Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), a pirataria provoca a perda de R$ 8,7 bilhões por ano. A associação estima que 4,2 milhões de pessoas acessem TV por assinatura sem pagar no Brasil.

    A Agência Nacional do Cinema (Ancine) aponta que os sites de 'streaming' e os boxes são os dois maiores focos de pirataria atuais, mas não há dados de quantas estão em funcionamento no país. Em 2018, a Receita Federal apreendeu 30 mil caixas.

    Estes dispositivos podem funcionar de duas formas: pela quebra da criptografia que os canais usam para proteger o conteúdo ou pela gravação e transmissão de um assinante regular dos canais. Na prática, para as operadoras, a caixa é só mais um terminal na rede.

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