Agências de turismo sentem reflexos da crise financeira Para atrair os turistas, muitas operadoras estão fixando o câmbio e também facilitando a forma de pagamento. Outra opção é oferecer pacotes nacionais


Daniele Gruppi
Repórter
31/10/2008

Agências de turismo em Juiz de Fora sentem os reflexos da crise financeira internacional nas vendas de pacotes turísticos. Os passeios, principalmente, para o exterior estão sendo adiados. Segundo a agente de turismo Marcela Berssan Oliveira, a especulação do mercado faz com que as pessoas fiquem com receio de viajar.

Antes da alta do dólar, um dos destinos internacionais mais procurados pelos juizforanos era Buenos Aires. Entretanto, o pacote para a capital da Argentina pode sair mais caro do que no primeiro semestre de 2008. O agente de viagem Frederico Cherem afirma que se em julho, época de férias e de baixa da moeda americana, eram fechados de cinco a dez pacotes para o local, no mês de outubro foram menos de cinco.

Cherem revela que o pacote turístico para Buenos Aires de sete dias, incluindo passagem aérea hospedagem, café da manhã, transfer e city tour, pode sair por U$ 900. Num câmbio de R$ 1,70, variação de julho, sairia por R$ 1.530. Com a cotação desta sexta-feira, dia 31 de outubro, em que o dólar turismo fechou em R$ 1,94, a viagem ficaria R$ 414 mais cara.

Quando a advogada Michele Mendonça decidiu viajar para Buenos Aires, a crise ainda não tinha estourado. "Quando comprei as passagens aéreas, o dólar estava em R$ 1,56." O câmbio começou a aumentar poucos dias antes dela embarcar. "A hospedagem foi paga em dólar. Não houve aumento no valor combinado, mas como o dólar subiu, em reais o custo da hospedagem ficou maior."

Foto de vários folders de viagem Michele conta que as compras ficaram mais limitadas. "Como o real se desvalorizou frente à moeda americana, as compras que todos diziam que valia a pena, não compensavam."

Para atrair os turistas, muitas operadoras estão fixando o câmbio e também facilitando a forma de pagamento, oferecendo bons descontos para quem pagar à vista. O setor está otimista. "Não acredito mais numa queda brusca do dólar. Entretanto, a moeda não deve voltar à cotação de R$ 1,70", afirma Marcela.

Outra opção das agências têm sido apostar nos pacotes nacionais. O nordeste é a região que atrai mais os turistas. A cidade que apresenta um custo mais acessível é Porto Seguro. Marcela afirma que um pacote de sete dias em dezembro pode sair por R$ 1.100 e em janeiro por R$ 800. O preço varia de acordo com o tipo de hospedagem que é oferecida.

Segundo Frederico, o juizforano gosta de litoral e, com a chegada do verão, a procura por cidades com praias é grande. O agente de viagem menciona também cidades no sul do país, como Camburiú e Florianópolis, em Santa Catarina.

Conselhos antes de fechar o pacote

As festas de final de ano podem ajudar a alavancar o turismo, paralisado neste último último mês. Marcela afirma que a procura por pacotes no réveillon aumenta 30%. Para quem está programando uma viagem na data, o conselho dos profissionais é planejar com antecedência.

Se a preferência for por destinos internacionais, Cherem recomenda acompanhar o câmbio, pois é o que pode pesar no orçamento. "Os pacotes são fechados com o câmbio do dia. Não temos como prever se haverá aumento ou queda."

Marcela diz que deixa o cliente livre para decidir. "Se a pessoa quiser fechar, pode ser melhor, porque se o dólar subir, ela já garantiu a viagem." Outra dica é viajar com dólar, pois é aceito em qualquer lugar e evita preocupação com a oscilação da moeda durante o passeio.

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