Debate reaberto Projeto de Transporte Ferroviário de passageiros gera polêmica na Câmara



Renata Cristina
30/11/2006
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Audiência na Câmara Municipal de Juiz de Fora Depois de oito anos da desativação do Xangai, trem que fez seu último trajeto no trecho Benfica - Matias Barbosa, é reaberto o debate do transporte ferroviário de passageiros na região. Em audiência pública na manhã de hoje, 30 de novembro, na Câmara Municipal de Juiz de Fora, representantes da Assembléia Legislativa de Minas e autoridades dos municípios vizinhos colocaram em xeque a viabilidade de um projeto que daria vida aos trens turísticos e de passageiros, no trecho entre as localidades de Matias Barbosa, Juiz de Fora, Ewbank da Câmara, Santos Dumont e Barbacena.

O argumento, já discutido por diversos setores, foi levantado pelo presidente da OSCIP Amigos do Trem, Paulo Henrique do Nascimento (foto abaixo, à direita), que há três anos luta pela reativação do trem de passageiros na região. Um estudo de viabilidade técnica e sócio-econômica está sendo concluído por um grupo de pesquisadores das Universidades Federais de Viçosa e Juiz de Fora. "Vamos conseguir provar que o trem pode se auto-sustentar e, ainda, gerar emprego e renda para a população", analisa.

Audiência Pública na Câmara Levando em conta as justificativas para a desativação do Xangai, como o prejuízo mensal em torno de R$ 40 mil, é que o levantamento da comunidade acadêmica entra como peça-chave nesta questão. De acordo com Nascimento, o estudo será liberado na próxima semana pelas Universidades envolvidas e o passo seguinte será o encaminhamento para o Ministério dos Transportes. A expectativa é de que as negociações avancem no início de 2007.

O vice-presidente da Comissão de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo da Assembléia Legislativa, o deputado estadual Carlos Gomes (PT), enfatizou a importância cultural do trem para a região. "Com este projeto podemos incentivar o entretenimento, principalmente na área do turismo", observa. Segundo o vice-presidente da comissão, a iniciativa corresponde a uma tendência nacional de integrar projetos turísticos aos trens de passageiros, como é o caso do passeio que liga Mariana a Ouro Preto (MG).

Audiência Pública na Câmara Outro defensor da proposta é o deputado estadual Biel Rocha (PT) que sugere a união de forças políticas para colocar o projeto em prática. "Observamos o empenho da Assembléia e das prefeituras para dar força a esta iniciativa. Devemos marcar uma audiência, nos próximos dias, com o Ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia e interessados", planeja.

Para o presidente da Câmara de Vereadores de Juiz de Fora, Vicente de Paula Oliveira (PTB), a proposta é viável e contemplaria questões econômicas e sociais. "Seria mais uma opção de lazer na cidade, além de contar com outros aspectos, como o desenvolvimento regional. Compartilhando da mesma idéia, o secretário de cultura de Matias Barbosa, Roney Alves reconhece, ainda, a valorização do patrimônio público ferroviário. "Temos que manter esse patrimônio vivo em nosso meio", pondera.

Obstáculos

O projeto prevê pelo menos dois horários de ida e dois de volta, o que é garantido pela legislação, segundo Paulo Henrique. Ele explica que essas quatro passagens a MRS Logística, que opera a linha, tem obrigação de liberar. Mas isso significaria uma readequação de horários. Outra questão importante é que a MRS poderia até vir a ser parceira, mas não poderia operar o trem de passageiros, sendo este outro impedimento da legislação.

Audiência Pública na Câmara O engenheiro e ex-ferroviário Luiz Antônio Fazza (foto ao lado) acredita que entre os obstáculos, está a marcação de horários. "Pode ser que a MRS ofereça horários incompatíveis para a prática do turismo, como por exemplo, a uma da manhã", aponta. Outro empecilho visto pelo ferroviário está na associação entre trem turístico e de passageiros. "Devemos separar essas idéias. O trem turístico deve agregar atrativos para a população e visitantes, com carros caracterizados e diversidade nos roteiros. No caso do trem de passageiros outros fatores deveriam ser colocados, como a segurança", analisa.

Ainda assim, o projeto custaria aos cofres públicos cerca de R$ 1, 5 milhão, para a reforma de vagões e adequação da estrutura.

A assessoria da MRS Logística foi procurada pela equipe de reportagem do portal ACESSA.com, mas até o fechamento desta edição, não divulgou nenhum pronunciamento sobre o assunto.

Conclusões

Embora haja muitas questões em torno do assunto, ficou acordado entre os defensores que será formada uma Frente Parlamentar Mista, composta de representantes do legislativo e executivo, para dar força política ao movimento dos Amigos do Trem. Será marcada também uma reunião com o Ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia e elaborado um cronograma de ação.

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