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    Profissionais perfeccionistas


    Até que ponto ser perfeccionista contribui para a carreira e quando começa a atrapalhar o desempenho profissional

    A psicóloga e consultora em RH, Aline Salles Rocha, fala sobre pessoas que têm como caracaterística o perfeccionismo. Ouça, clicando no ícone ao lado

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vai ouvir psicóloga e consultora em RH, Aline Salles Rocha, fala sobre pessoas que têm 
como caracaterística o perfeccionismo

    Sílvia Zoche
    Repórter
    29/09/2006

    A advogada Adriana Torquato em entrevista à ACESSA.com 
falando os pontos positivos enegativos de ser perfeccionista No trabalho, algumas pessoas elogiam você não só por desejar que tudo saia perfeito, mas também por fazer de tudo para que isso aconteça. Seu impulso é analisar os fatos nos mínimos detalhes. Em compensação, outras acreditam que, apesar do serviço ter sido bem executado, o tempo usado para isso foi em demasia.

    Não bastasse isso, você mesmo sente que esta "mania" de perfeição, às vezes, chega no limite. A advogada Adriana Torquato (foto ao lado) conta que notou esta característica aos poucos. "A gente não percebe assim, logo de cara".

    Tanto na vida pessoal, quanto no trabalho e nos estudos, ela tem uma preocupação de deixar tudo em seu devido lugar, uma ação que vai além da organização e da disciplina. "Sou perfeccionista e sei que chego a ser chata", ri.

    Como trabalha com muito processos, a forma de deixar tudo à mão, é etiquetando para identificar os materiais que guarda. "Sou a rainha da pasta", comenta. Gosta de tudo em seus devidos lugares e não gosta de ver algo fora do lugar que deixou. "Quem é perfeccionista sofre com as pessoas que não são assim também. Acho que meu futuro marido vai sofrer comigo, porque ele não é como eu. Aliás, acho que eu vou sofrer mais (risos)".

    Para Adriana, esta característica para sua vida é mais positiva do que negativa. "Sou respeitada, porque sou atenta. As pessoas lembram de mim, porque eu faço as coisas para que tudo saia correto. Além disso, sou detalhista, disciplinada e faço planejamento para que tudo saia da forma que pensei", diz.

    Adriana dá um exemplo de seu planejamento profissional. Por dez anos, ela trabalhou, respectivamente, em rádio e televisão. Um dia, resolveu prestar concurso público, sem ter estudado, e por pouco não passou. "Planejei a minha vida para estudar para concurso. Fiz os cálculos e trabalhei por três anos para juntar dinheiro e poder me dedicar aos estudos nestes dois anos e passar para o cargo que eu quero. Tenho certeza que vou conseguir".

    O chefe do departamento de Marketing da prefeitura de Juiz de Fora e jornalista, João Márcio Coelho Jr., fala sobre ser perfeccionista, disciplinado e organizado O chefe do departamento de Marketing da prefeitura de Juiz de Fora e jornalista, João Márcio Coelho Jr. (foto ao lado), se considera perfeccionista, tanto na profissão quanto na vida pessoal. "Visto a carapuça", assumiu.

    Ele é responsável pela revisão dos textos publicitários da PJF e preza pelos resultado da forma que planejou, nos mínimos detalhes. "Batendo o olho no texto vejo se tem dois, três espaços". O subscrito da letra "o" do 1o, é uma exigência de João Márcio. "Se uma peça publicitária chega pra mim sem o subscrito, tem que refazer. Sou conservador e perfeccionista. É mais trabalhoso? Sim. Mas é o correto", afirma. Profissionalmente, ele aprendeu a ser flexível. "Já vi peças publicitárias sem o subscrito e percebi que se eu for lutar toda vez contra isso, será uma luta inglória. Tive que me adaptar".

    Aliado ao perfeccionimo, a disciplina e a organização fazem parte da rotina do jornalista. Ele sabe onde deixou exatamente cada objeto. "Se não lembro, faço um caminho mental". O cuidado com os detalhes resulta em um trabalho harmônico, mesmo que gaste um pouco mais de tempo. Isto não significa que João Márcio se prenda a tarefas em detalhes que não chegam a lugar nenhum. "Conheço meu limite". Quando vê que está se exagerando, se pergunta qual a necessidade daquela ação. Se a resposta for "nenhuma", ele volta atrás.

    A advogada Adriana já se viu em uma situação que extrapolou. "Isso faz alguns anos. Estava com pressa, saindo de casa. Quando olhei a almofada no sofá, toda 'murchinha', voltei só pra arrumar". Até que um dia se deu conta e passa a controlar alguns impulsos. As únicas coisas negativas que Adriana vê em uma pessoa perfeccionista é que muitas pessoas não são assim. "Isso pode gerar conflito e isto te frustra. A outra coisa é que a 'pressa é inimiga da perfeição'. E perfeccionista é mais devagar, porque olha tudo nos mínimos detalhes".

    Palavra de especialista

    Foto da psicóloga e consultora em Recursos Humanos, Aline Salles Rocha, em entrevista à ACESSA.com, falando sobre o perfeccionismo não ser uma qualidade tão positiva como as pessoas imaginam A psicóloga e consultora em Recursos Humanos, Aline Salles Rocha lembra que há pessoas que acreditam que ser perfeccionista é uma qualidade vista com bons olhos por todos. "Os profissionais que fazem seleção de pessoal não vêem com bons olhos esta característica, porque não dá para saber a dimensão do perfeccionismo. Mas nem por isso a pessoa será eliminada". Isso porque há pessoas que se dizem perfeccionistas e, na verdade, possuem um transtorno.

    Quem perde muito tempo em detalhes que não vão fazer diferença nenhuma no resultado final, deve ficar atento. Aline conta de um caso de um funcionário que precisava enviar um e-mail importante na parte da manhã e precisava obter a resposta à tarde para uma reunião.

    "Ele ficou de 8h às 12h da manhã redigindo o e-mail e só enviou depois do almoço. Era uma mensagem importante, mas que precisava ser direta e ele perdeu tempo vendo se era melhor escrever 'Bom dia' ou 'Prezados', entre outras coisas sem importância". Claro que, somado a este fato, havia outras atitudes do funcionário que despertaram a atenção para o problema.

    O perfeccionista que sabe até onde vai seu limite busca a qualidade no que faz e no que oferece para o outro. "Ele consegue perceber que a evolução acontece com o tempo, com a experiência", diz a consultora. Aline lembra que o perfeccionista não é egoísta e nem quer aparecer para ninguém. "Na verdade, é uma satisfação pessoal".

    Aline chama a atenção para as qualidades como a disciplinado e organizado. "Pessoas disciplinadas e organizadas não são necessariamente perfeccionistas. Mas nada impede que seja. Uma coisa não anula a outra", afirma.

    O conselho da profissional é ficar atento a seus limites. "Se o perfeccionismo começa a interferir na vida da pessoa, se começa a gerar conflitos freqüentemente, a pessoa precisa procurar ajuda", afirma Aline.

    E um detalhe. Pessoas que deixam objetos arrumados com a intenção de saber se alguém mexeu em seu espaço, não é perfeccionista, por mais que ela se considere. "São pessoas que estão preocupadas em vigiar se esta sendo vigiada".

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